Textos do mês Dezembro 2004 ↓

publicado em
31 de Dezembro de 2004

por João Paulo Meneses


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32 opiniões

Antes que o novo ano apague a memória… (1)

Partilho com os leitores deste espaço a minha prioridade para 2005: comprar o livro de Ricardo Alexandre, chamado “Por uma vida normal: Guerra e Paz na Jugoslávia“, que procuro, há muitos dias nas principais livrarias do Porto, e não encontro.

Sobre este livro escreveu Francisco Sena Santos:

A Rádio, no transístor, tem o tamanho do coração e a dimensão da alma. Neste livro, ouvimos a Rádio no silêncio da leitura. As vozes e os sons chegam-nos em texto radiofónico que Ricardo Alexandre apura sempre como texto literário. A curiosidade do repórter está armada com estudo profundo e o gosto de observar e analisar. O relato faz-nos compreender e participar na vida de uma das mais sensíveis e fascinantes esquinas do mundo.”

publicado em
30 de Dezembro de 2004

por João Paulo Meneses


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uma opinião

A importância da rádio

Para quem trabalha - e acredita na rádio - é importante ler coisas como esta (sobretudo porque a rádio continua a ter pouca visibilidade em Portugal): “Segundo o estudo “Radio Today – How America listens to Radio – 2005 Edition”, da Arbitron, a Rádio continua a ser um dos meios de comunicação de preferência dos norte-americanos.

A rádio nos Estados Unidos da América atinge 94% da população com 12 ou mais anos, registando um número total de estações de 13838. Segundo os dados da Arbitron, os norte-americanos gastam, em média, 20 horas por semana na audição da sua estação preferida
“.

E para quem trabalha no jornalismo radiofónico, estes dados são ainda mais estimulantes: “o formato que reúne maior número de estações é o formato informativo (2179 estações), segundo o estudo da Arbitron. Seguido pelo formato de musica Country (2066 estações) e pelo formato religioso (2014 estações)“.

publicado em
29 de Dezembro de 2004

por João Paulo Meneses


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32 opiniões

Descubra as diferenças…

Vítor Fernandes é um empresário natural de Bragança, sendo o responsável máximo da holding Finanzza Investiments, empresa sedeada em Washington (EUA) e presente em Portugal, onde detém o Grupo Norte Rádio e Televisão, estrutura que gere actualmente quatro rádios locais

Diário de Notícias de hoje (via Lusa)

Vítor Fernandes diz ser o responsável máximo da Finanzza Investiments, com sede em Washington. Em Portugal, afirma deter o Grupo Norte Rádio e Televisão, que gere quatro rádios locais. Ao que o JN apurou, uma das rádios funciona em Vinhais e é pouco activa, não tendo mantido emissões regulares. Além da estação de Sabrosa, terá ainda uma participação na Rádio Nova

Jornal de Notícias de hoje

O texto de Dina Margato no JN é uma (boa) excepção no jornalismo português, caracterizado por uma fé (fascinante) dos jornalistas em tudo o que lhes dizem - a ponto de passarem para a sua própria voz ou escrita as informações que deveriam ser creditadas aos respectivos protagonistas!

publicado em
28 de Dezembro de 2004

por João Paulo Meneses


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2 opiniões

Jornalismo comparado (2) sobre o "tsunami"

A presença de enviados especiais, numa reportagem (só há enviados especiais no entrangeiro), pode representar um ganho de qualidade informativa mas desempenha sobretudo um papel de alerta/reforço psicológico junto do ouvinte/leitor/teleespectador - como se o órgão de comunicação social dissesse aos seus receptores: atenção que o que vão ouvir/ler/ver foi presenciado pelo nosso repórter (e se entendermos o repórter como o prolongamento dos ouvidos e dos olhos do ouvinte/leitor/telespectador…).

Não admira, por isso, que - em face da tragédia no sudeste (já ouvi várias vezes sudoeste…) asiático - a comunicação social portuguesa se mobilizasse. Mas surpreende que nem todos tenham optado pela aposta num enviado especial.

Aqui fica a lista:

Antena 1 - António Veladas (na Tailândia, jornalista em Timor)

RR - Catarina Neves (na Tailândia, jornalista da Sic, em “serviço especial”)

TSF - Paulo Azevedo (na Tailândia, correspondente em Macau)

RTP - António Veladas e Pedro Lavrador (?) (ambos na Tailândia)

TVI - Alfredo Vaz (na Tailândia, jornalista free lancer em Macau, em “serviço especial”)

SIC - Catarina Neves (na Tailândia, “enviada especial”)

Correio da Manhã: Rui Frias (em Macau) e Alfredo Vaz (na Tailândia, “serviço especial”)

JN - Nelson Mateus (em Macau)

DN - João Costeira Valeira (em Macau)

Público - Luísa Pinto (na Tailândia, “enviada especial”) e Carlos Picassinos (em Macau)

A Capital e O Comércio fizeram pela Lusa (mas sendo do mesmo accionista, faria sentido uma “vaquinha” nos custos).

Notas a retirar:

1) O assunto é hoje, como foi ontem e será amanhã, abertura de todas as edições. Com vários minutos e páginas; a excepção - coincidência ou não - encontra-se em A Capital e em O Comercio do Porto, respectivamente com o desejo de Paulo Pedroso continuar como deputado e as batatas fritas perigosas!

2) Todos sentiram a necessidade de ter relatos de proximidade;

3) DN e JN atrasaram-se perante a concorrência;

4) No caso da concorrência com o JN, o Correio da Manhã trabalhou bem a contratação do jornalista “free lancer”;

5) A Rádio Renascença, perante a sua concorrência mais directa, é a que terá mais dificuldades - a jornalista da SIC terá a disponibilidade desejada?

6) É duvidoso se os ouvintes/leitores/telespectadores diferenciam o “enviado especial” do “serviço especial”; mais importante é saber que o repórter está no local onde há a notícia;

7) Macau, afinal, foi importante - já o disse, é a terceira cidade do mundo, depois de Lisboa e Porto, onde há mais jornalistas portugueses!

ACTUALIZAÇÃO A 29/12: A Visão enviou Rosa Ruela para o Sri Lanka, onde a RTP já tem mais uma enviada; a TVI destacou hoje Vítor Pinto como enviado especial à Tailândia (mais vale tarde…); o resto do panorama mantém-se relativamente igual… com Alfredo Vaz a garantir a TVI (mas não o Correio da Manhã)

ACTUALIZAÇÂO a 3/1/05: o provedor do JN trata o assunto ontem (”Especialmente a partir de quarta-feira, um facto me chamou particularmente atenção: porque é que o JN ainda não tinha um ou mais enviados especiais na zona?“). O director, José Leite Pereira, tem uma resposta curiosa, pela sinceridade: “No início, terá havido, a esse respeito, uma má apreciação nossa“. (não está on line)

publicado em
27 de Dezembro de 2004

por João Paulo Meneses


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abra o debate

Bom senso e sensibilidade!

(e a noção precisa do que é importante perguntar…)

Ouve-se e vê-se durante um dos telejornais de ontem (o pivô entrevista por telefone um jornalista português que está na Tailândia):

- Boa noite, são nesta altura 4 da manhã aí na Tailândia. Posso dizer que nesta altura, por assim dizer, o ambiente está tranquilo?

(obrigado H.)

publicado em
26 de Dezembro de 2004

por João Paulo Meneses


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abra o debate

"Copyright na Net" 1

Joaquim Furtado escreve hoje mais uma excelente crónica na sua coluna de provedor dos leitores do Público.

Uma crónica certeira (nas afirmações), ponderada (sem extremismos), bem informada (participam várias partes) e - já agora - bastante útil para o próprio jornal, que se viu chamuscado nos últimos dias por dois casos de alegado plágio.

Os leitores deste blogue ouviram falar deste caso aqui. Mas não tiveram acesso - por aqui - a mais nenhuma informação suplementar, nomeadamente da Direcção do jornal (e houve-as, nos dois casos, mas ambas nos respectivos suplementos locais, Lisboa e Centro).

Ou seja, sem ser essa a sua primeira intenção, o provedor prestou indirectamente um óptimo serviço ao jornal, que teve - nesta crónica - a oportunidade de se explicar (e um caso até acaba por se revelar um pouco diferente do que parecia). E, claro, aos leitores.

publicado em
25 de Dezembro de 2004

por João Paulo Meneses


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abra o debate

Vem aí um novo congresso dos jornalistas

Faz parte das “promessas” da nova direcção do Sindicato dos Jornalistas, mas só agora, ao ler uma entrevista do novo presidente do Conselho Deontológico do Sindicato, Manuel Vilas-Boas, em O Independente de 23/12, é que tomei nota.

É, por aquilo que se percebe, uma aposta para o biénio, pelo que não tem data (apenas lema de partida, “Identidade Profissional do Jornalista”, que me parece bem oportuno). Fica o meu aplauso e o pedido para que a preparação seja o mais discutida possível - eu estou disponível.

(PS - Por falar na entrevista do presidente do Conselho Deontológico, achei interessante a disponibilidade de Manuel Vilas-Boas para discutir as vantagens deontológicas da criação de uma ordem… dos jornalistas. Vindo de dentro tem outro peso!)

publicado em
23 de Dezembro de 2004

por João Paulo Meneses


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abra o debate

Um erro que já não via há muito…

Na edição de ontem do Público, abertura da página de “Media”:

«O Tribunal de Leiria condenou hoje o jornalista António José Laranjeira por um crime de violação de segredo de justiça e dois de difamação de um médico ex-autarca, acusado de abuso sexual por uma paciente. Na sessão de hoje, o juiz Marco Borges considerou o arguido culpado dos crimes de que era acusado, condenando-o a um cúmulo jurídico de três mil euros de multa (mais juros) e cinco mil euros de indemnização ao médico envolvido, ex-presidente da Assembleia Municipal de Leiria».

O Tribunal condenou hoje porque a notícia é da Lusa (e está devidamente identificada como tal) e o jornalista, que fechou a página, se esqueceu de mudar para ontem - este era um erro muito comum há dez ou 20 anos, e que obviamente pode acontecer a qualquer um (como se vê). Só o registo por evocar algum tipo de saudosismo…

publicado em
22 de Dezembro de 2004

por João Paulo Meneses


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3 opiniões

Coisas que fascinam (45)

Record de ontem, 21/12:

1) pág. 5: “No primeiro golo Silva está fora de jogo”;

2) pág. 8: “Beto estará a colocar em jogo o avançado brasileiro do V. Guimarães“;

3) pág. 48: “Silva partiu de posição irregular para o seu primeiro tento“.

Se o Record tivesse um provedor dos leitores, este poderia ser um bom tema para ser tratado…; resta acrescentar (é preciso?) que as três frases têm autores diferentes, mas são três jornalistas da redacção (por oposição a comentadores convidados, que apenas opinam).

publicado em
21 de Dezembro de 2004

por João Paulo Meneses


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uma opinião

A credibilidade do Público…

pode estar ameaçada se se continuarem a suceder os casos de acusação de plágio. Talvez o próprio jornal não tenha percebido a gravidade do problema.

Este novo caso parece muito semelhante a outro já aqui tratado.

Mas o alerta do Contrafactos só reforça a atenção que os jornalistas devem ter na abordagem desta nova realidade; os blogues são como qualquer outra fonte, especialmente se identificados.

23/12/04 DESENVOLVIMENTOS, e bem curiosos, aqui (através de informações que jornalistas do Público nos dão; já agora, o jornal não diz nada aos leitores que não lêem estes blogues?)

publicado em
17 de Dezembro de 2004

por João Paulo Meneses


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uma opinião

Ainda sobre o relato de futebol

O comentário de Rogério Santos, no texto sobre o relato de futebol não jornalístico, merece algumas notas:

- a definição do acto jornalístico seria fundamental para balizar o que é e o que não é… jornalismo;

- essa definição não passaria tanto por um enquadramento dos conteúdos hipoteticamnente jornalísticos mas de regras que devem ser seguidas (as “notícias da quinta das celebridades” podem ser jornalismo se forem executadas de acordo com determinadas regras elementares);

- como se constata facilmente, as leis que nos regem estão desadequadas à realidade actual;

- a essência do jornalismo é fazer reportagem, como diz Rogério Santos, mas que reportagem? Com que qualidade? Misturando factos e opinião, como nesse caso do Artur Agostinho? É reportagem, mas não é jornalismo;

- o “Avante” (lá estou eu…) tem reportagens, mas não é jornalismo; reportagem é, portanto, um conceito/formato, não um sinónimo imediato e único de jornalismo;

- o relato de futebol não é jornalismo, mas no relato poderá haver momentos jornalísticos? Claro que sim; mas olhe que aquelas entrevistas televisivas (obrigatórias) no final dos jogos são tão condicionadas que dificilmente se podem considerar jornalismo…

- finalmente, é óbvio que não são apenas os relatadores de futebol que são - por regra - tendenciosos; a cobertura de Timor foi exactamente um desses caso - acho que a história registará esse momento como um dos mais felizes para a democracia do mundo mas um dos mais sombrios do moderno jornalismo português…

publicado em
16 de Dezembro de 2004

por João Paulo Meneses


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Parece-me que o DN

sai um pouco chamuscado desta polémica.

(mesmo que tenha cumprido o embargo - o ser - fica a ideia que não o fez ou pelo menos que jogou no limite do aceitável - o parecer…; havia necessidade?)

Da mesma forma, parece-me haver uma falha deontológica da parte do Público neste caso.

Formalmente, a jornalista do Público pode argumentar que o texto lhe foi enviado por uma fonte devidamente identificada, com autorização para o publicar. Mas como não ignora que quem o solicitou foi uma jornalista do DN (que ainda nada tinha publicado), deveria ter feito de outra forma. Pode não ser incorrecto, mas parece mal…

(dica Contra Factos & Argumentos)

publicado em
15 de Dezembro de 2004

por João Paulo Meneses


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Puro amadorismo

No editorial (!) de hoje de A Capital, Rogério Rodrigues denuncia um caso que rotula de “total desrespeito pelos jornalistas” e que - sei por experiência própria — não é a primeira vez que acontece: determinada entidade/protagonista envia aos jornalistas uma convocatória para uma conferência de imprensa mas depois limita-se a ler um texto e não responde a perguntas.

É certo que as palavras não são como os Jerónimos e evoluem semântica e morfologicamente. Mas “conferência de imprensa” pressupõe sempre perguntas. Não as havendo é natural que haja descontentamento/repulsa dos jornalistas (que se sentiram enganados).

Excluindo a hipótese de ter sido decidido em cima da hora que não haveria perguntas, porquê esta forma primária de hostilização ou, no mínimo, de desrespeito? Puro amadorismo? Gozo?

Um destes dias porei aqui um texto sobre o peso dos critérios não substantivos (diferentes, portanto, dos news values) na produção noticiosa.

Agora, e como A Capital não permite ligações de arquivo, aqui ficam alguns excertos desse editorial:

Chegou às redacções um fax que dizia, textualmente, o seguinte: «O PSD e o CDS/PP dão uma Conferência de Imprensa, hoje, terça-feira, 14 de Dezembro, às 20.30, no Hotel Ritz, na Sala Tejo». O curto e explícito texto é assinado, em conjunto, pelos gabinetes de Imprensa do PSD e do CDS-PP. (…) tanto Paulo Portas (aqui mais grave porque já foi jornalista), como Santana Lopes (aqui não tão grave porque não passou de um administrador falhado de jornais) mentiram. Recusaram responder a perguntas, ao confronto, esqueceram o Outro, neste caso a Imprensa. E proferiram ou arengaram (consoante se analise o teor) uma declaração. Declaração esta que poderia ter seguido perfeitamente para os jornais, sem os obrigar à sua presença, como meros espectadores ou mobília de um cenário para dois actores canastrões. (…) Desçamos até à humilhação a que ontem foram levados os jornalistas, ao embuste da conferência, quando se tratava de uma declaração: até quando suportaremos mais esta menoridade a que nos querem sujeitar?

publicado em
13 de Dezembro de 2004

por João Paulo Meneses


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Um pormenor

É - insisto - um pormenor, mas não deixa de merecer uma notinha: o Jornal de Negócios publica hoje uma “breve” sobre a condecoração que o presidente da Polónia atribuiu ao presidente do BCP/Millennium. Com uma foto do momento da condecoração.

Essa foto não tem qualquer indicação sobre a origem, mas há instantes acabei de receber no meu email a mesma foto, enviada pelo próprio BCP.

- o BCP fez muito bem em promover a imagem do seu presidente;

- e é legítima a antecipação dada a esse jornal em concreto (pelo menos);

- mas o jornal deveria ter revelado a origem da foto. Vários, nestas circunstâncias, usam um expediente chamado “Direitos Reservados” mas o respeito pelo leitor implicaria qualquer coisa como “foto cedida pelo Millennium/BCP”.

publicado em
12 de Dezembro de 2004

por João Paulo Meneses


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4 opiniões

Manso Preto fez o que tinha a fazer; o Sindicato também