Textos do mês Dezembro 2004 ↓
(só agora vi, mas fiquei na mesma)
“O DN, que não é porta-voz de quaisquer interesses partidários, tomou, ontem, uma posição prudente: não desdramatizar - nem dramatizar. O tempo vai mostrar a justeza dessa posição de independência e de rigor. Por detrás da falsa capa da independência, muitos intervieram. Sem dados suficientes na mão, o DN relatou.”
José Manuel Barroso, DN, 30/11/04
Se alguém me puder ajudar agradeço encarecidamente…
Por vezes, pensa-se que o domínio da técnica jornalística (a sua aprendizagem…) é uma imposição meramente administrativa - uma espécie de exigência para tramar a vida aos jovens estudantes e estagiários.
Nada mais errado.
Uma notícia bem feita serve os interesses dos ouvintes - é isso que justifica o nosso esforço.
Veja-se este exemplo, ouvido sábado passado:
“A contagem dos votos nas eleições para Bastonário da Ordem dos Advogados vai continuar esta manhã. Foi interrompida por volta das três da madrugada, até agora António Marinho Pinto ganhou no Porto, nos Açores e na Madeira, mas terminada a contagem em Lisboa é Rogério Alves que recolhe mais votos - tem cerca de mil votos de vantagem sobre António Marinho Pinto. Quanto a João Correia, não chega aos quatro mil votos. Falta, no entanto, contar os votos em Coimbra para se saber quem vai suceder a José Miguel Júdice como Bastonário da Ordem dos Advogados“.
Quem vai ganhar? Quem está à frente? Os resultados de Lisboa anulam os do Porto, Açores e Madeira? Quanto vale Coimbra?
Tudo seria mais simples assim (uma notícia baseada apenas nos factos anteriores):
“Rogério Alves lidera a contagem de votos para bastonário da Ordem dos Advogados com cerca de mil votos de vantagem.
A contagem foi interrompida por volta das três da manhã e deve continuar esta manhã.
António Marinho Pinto é segundo, beneficiando da vitória no Porto, Açores e Madeira. Rogério Alves ganhou em Lisboa.
Em terceiro lugar está João Correia.
Faltam ainda os votos de Coimbra para se decidir quem sucede a José Miguel Júdice como bastonário da Ordem dos Advogados“.
Lê-se:
“Com as inovações introduzidas pela nova lei de adopção, os candidatos deixaram de ter de esperar três a cinco anos para receberem a confirmação de que estão aptos a poderem adoptar uma criança“, acrescentou Luis Villas-Boas.
Das duas uma:
- ou LV-B não disse isto, mas sim que os candidatos já não precisam de esperar três a cinco anos para poderem adoptar* e, nesse caso, foi o jornalista que se baralhou;
- ou disse e enganou o jornalista e os leitores (nesse caso, o jornalista deveria ter clarificado a situação);
* uma coisa é esperar pela confirmação de que estão aptos a adoptar (que, por exemplo, no meu caso demorou oito meses), outra bem diferente é esperar para receber a criança adoptada, que pode demorar cinco anos…
“Em política não pode haver segredos”
Pedro Santana Lopes, 3/12 (discurso na Póvoa de Varzim)
“A velha máxima de que só poderemos entender os políticos se lhes olharmos para os pés e não para a boca continua a ser verdadeira”
Keane, John, “A democracia e os media”, Temas e Debates, Lisboa, 2002, pág. 105
Os jornais levam mais a sério a grafia das palavras do que as rádios a sua pronúncia (falta às rádios dar um salto qualitativo). Que eu saiba nenhuma rádio possui o equivalente a uma equipa ou pelo menos um especialista em copy desk, para ir verificando o que se escreve (Daniel Ricardo, na Visão, por exemplo - na Visão escreve-se um bom português!).
E, contudo, o que dizemos é tão importante quanto o que escrevemos. Por outro lado, se a língua vai sendo refrescada por novas palavras (sobretudo neologismos), também na forma como as dizemos a questão se deve pôr.
Pretexto para esta lenga-lenga: um texto no Ciberduvidas sobre a forma como se deve dizer uma das palavras mais pronunciadas pelos portugueses dos tempos actuais: colesterol. Mas colesteról ou colésterol?
(um auxiliar precioso, este Ciberduvidas)
1) Ao contrário do que disse Salvador da Cunha (APECOM/Bairro Alto), no debate do Clube de Jornalistas, a actividade de consultoria não é escrutinada; alguma vez foi?
2) Deveria existir uma inscrição obrigatória, um estatuto do consultor ou assessor (ou dos dois…)e uma forma de avaliar deontologicamente essa actividade;
3) O conselho em comunicação/as relações públicas/a assessoria é uma actividade muito importante, demasiado importante para ficar apenas nas mãos dos consultores, relações públicas ou assessores!