Textos do mês Janeiro 2005 ↓
… o de Joaquim Vieira (”Os passos em volta”) na última “Grande Reportagem”. Fica um excerto de um texto que só pode despertar sentimentos extremos: “[Paulo] Portas tem realmente um problema com a sua imagem perante o eleitorado conservador que é o seu. Um político, pela natureza da função, está obrigado a um maior grau de exposição perante a opinião pública do que o cidadão comum (…). Portas defende as tradições, os valores familiares e a moral católica, e naturalmente os eleitores interrogam-se: quem é este homem? É católico praticante? Porque é que não casou? Que vida afectiva tem? Porque é que não se abre sobre isso? (…) São perguntas que não desaparecem. Portas sabe, e o eleitorado também“.
Tenho (e não chegam só para mim…) recebido emails de assessores de imprensa de ministros a convocar os jornalistas para actividades de campanha.
Se é certo que os ministros arranjam tempo para também fazer campanha eleitoral, já é mais duvidoso que os assessores (os mesmos assessores) o possam fazer. Estão a ser pagos pelo erário público e não são candidatos! Ou será que suspenderam funções nos respectivos gabinetes?
Se calhar há quem entenda que um caso como este se insere numa estratégia de comunicação, no âmbito de um programa de lóbi, com recurso às técnicas das relações públicas.
Não é nada disso, é corrupção!
(via Clube de Jornalistas)
(a Central está viva!)
“A ideia de lançar a vaga de frio foi óptima, deu para manter o povo ocupado durante quatro ou cinco dias, durante este período perigoso de campanha. Agora temos de arranjar uma nova, que já se começa a perceber que não há nada. (E temos de agradecer aos nossos amigos da Metereologia, que alinharam na manipulação da jornalistada). ”
As lições aqui.
Sábado - Não acha que faz demasiados comentários às notícias?
Manuela Moura Guedes - A ideia de que o jornalista tem de ser cinzento e neutro está completamente ultrapassado. Tenho de partir do princípio de que as pessoas não são estúpidas e sabem distinguir entre a notícia e o comentário“.
Sábado nº 38, 21 de Janeiro.
(Eu acho o contrário. E se, para ser neutral, tiverem de me chamar cinzento, força! Já agora, eu parto do princípio que as pessoas não sabem distinguir notícia e comentário. E nem por isso acho que são estúpidas…)
“O Dali do Ave
[Ricardo Nascimento, jogador do Rio Ave] Não tem um bigode com caracóis como o célebre pintor Salvador Dali, mas enquadra-se na corrente surrealista pelas belas jogadas criativas que, volta e meia, saca do seu repertório“.
in O Jogo de hoje!
O título mais ontológico do ano:
“PSD esperançado na dialéctica do líder”
(Semanário de hoje)
A “Grande Reportagem” é, neste momento, a melhor das revistas de notícias. E esta semana voltou a marcar pontos com duas reportagens excelentes: a de Felícia Cabrita (denunciando inequivocamente o que muitos sabiam mas não quiseram assumir ao longo de décadas na diplomacia portuguesa) e, principalmente, a de Jorge Henrique Bastos, com as “contas do Diabo” (a revista prova que o governo regional da Madeira paga semanalmente um valor considerável ao jornal “O Diabo”, por conta de uma publicidade que nunca existiu; apenas existe a página de opinião de Alberto João Jardim…).
Depois de ler a “Grande Reportagem”, até os mais cépticos se reconciliam com o jornalismo!
Actualização a a 20/1:
“Não fosse o diabo tecê-las, alguém tomou medidas para impedir a distribuição da revista na Madeira. Segundo o jornal “Público”, a “Grande Reportagem” deixou de ser distribuída na Madeira com o “Diário de Notícias” funchalense, alegadamente por razões financeiras relacionadas com o porte pago. «Por coincidência», salienta o “Público”, «o número com “O Diabo No Jardim” na capa foi o primeiro que não chegou aos leitores madeirenses».”
Actualização a 21/1:
O trabalho de Miguel Carvalho na Visão desta semana também aborda esse jardim de liberdades e democracia que é a Madeira e as consequências no jornalismo!
“E é a encher chouriços que me despeço esta noite, Boa noite”
José Rodrigues dos Santos, 15/1/05
(via Lápis de Cor)
Senhores jornalistas, que andaram a anunciar um canal de televisão que começaria a emitir (ainda que experimentalmente) no dia 15, então onde é que está esse canal?
Será que estão a falar disto?! Uma mira técnica é uma emissão experimental?
PS - curioso (!) como a Tv Tel nada diz sobre este seu novo (e primeiro!) canal. Coisas que fascinam, sem dúvida!
Se aqui chamei a atenção, criticamente, para o facto do Público ter, por mais de uma vez, ocultado informações surgidas em primeira mão em blogues, devo também salientar um caso exemplar - pela positiva. Aqui.
(via Pontomedia e, já agora, em complemento, ContraFactos)
De acordo com a Marktest, a TSF passou 35,6% das notícias das quatro rádios nacionais(*) em 2004, a Antena 1 30,6% e a RR 24,2%.
Ou seja, pode falar-se em equilíbrio e de apostas na informação por parte das três rádios (a Comercial, por exemplo, 9,6%).
Só há uma diferença clara (10%) quando se analisa a duração dos conteúdos informativos: 44,6% do tempo dispendido a informar na rádio, no ano passado, foi da responsabilidade da TSF (35,9% na Antena 1 e 16% na RR - tem muitas notícias mas mais curtas…).
* a TSF não é, efectivamente, uma rádio nacional, devido à ausência de emissores em cerca de 1/3 do país; Em contrapartida, falta a RFM…
Sigo a sugestão do Jornalismo e Comunicação (entre outros) e aconselho uma leitura regular ao novo blogue de Pedro Magalhães, cientista político e especialista em sondagens.
Chama-se “Margens de erro“: “Achei que seria bom que existisse em Portugal uma fonte de informação sistemática sobre as sondagens que vão sendo publicadas. É também provável que, por obrigação profissional, tenha de recolher alguma dessa informação, especialmente durante os próximos treze meses onde haverá eleições legislativas, autárquicas e presidenciais. É possível que tenha algumas coisas para dizer sobre essas sondagens.”
Ouve-se:
“Abel continua a ser ventilado para jogar no…”
Bem ventilado?
“O PÚBLICO viaja em avião fretado pela Presidência da República”
Os outros jornalistas irão dizer alguma coisa?
É uma informação relevante para o leitor?