Textos do mês Fevereiro 2005 ↓
… assim explicada pelo brasileiro Mário Quintana:
«A nós bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais…»
(obrigado Hugo)
Jornalismo e política não casam - apesar de haver quem ache que sim (como se viu quando Vicente Jorge Silva tentou impor esta versão na Comissão de Ética do Parlamento).
Para os que acham que, à luz da lei, não há problema, mude-se a lei - afinal, é o mesmo que acontece com o vai e vem entre assessores e jornalismo!
Vem isto a propósito de quê?
Do programa de amanhã do Clube de Jornalistas.
Em plena campanha parece-me fazer todo o sentido recomendar este clássico: “20 perguntas que um jornalista deve fazer sobre sondagens“.
Estão aqui, as 20.
E ficam algumas delas:
1) Quem fez a sondagem?
2) Quem a pagou e porque é que a pagou?
3) Quantos foram entrevistados?
4) E como foram escolhidos?
ACTUALIZAÇÃO a 14/2/05:A comissão de inquérito chegou às primeiras conclusões (preliminares…)!
Factos apurados:
- dois seguranças acompanharam o líder do PSD durante a entrevista e estiveram no estúdio antes da dita começar;
- durante a entrevista apenas estiveram dentro do estúdio os dois jornalistas, o animador e o candidato a primeiro ministro;
- durante essa manhã dois ou três (não foi possível apurar o número ao certo)jornalistas da TSF comentaram, informalmente, mas com algum espanto, a presença de um segurança dentro do estúdio;
- o bloguista, responsável por este espaço, entendeu confiar nestas fontes, para fazer um texto alegadamente provocatório;
- alertado, retirou-o e procedeu-se à investigação;
Conclusão:
- o indivíduo em causa meteu água!
Recomendações:
- 24 chicotadas virtuais (em hebraico)…
- participação ao ministério público para averiguação criminal;
- escrever 33 vezes “um blogue não é jornalismo!”
Desapareceu deste local um texto!
Pode ser identificado como envolvendo o presidente do PSD, um alegado segurança e um estúdio de rádio, e usava, naquele momento, três linhas de texto.
(Agora a violação do segredo de justiça) Apurámos que versões contraditórias sobre quem seria o tal homem dentro do estúdio levaram a que os investigadores da Guarda Nacional dos Blogues o detivessem para melhor análise.
(Agora o clássico “rodapé” opinativo/conclusivo) Esperemos que as dúvidas se esclareçam em breve para o podermos ter de novo entre nós!
Não é caso único, mas, infelizmente, cada vez mais raro: hoje há uma rádio local, de Oliveira do Hospital, que é notícia. Em todo o lado. Seria notícia (notoriedade, visibilidade, impacto, audiência, prestígio) por passar música ou retransmitir os noticiários das rádios nacionais?
“O [FC]Porto, quando mudou de treinador nunca foi campeão. Também dificilmente o será este ano“.
A frase foi dita esta manhã, por volta das 9.15, pelo jornalista da RDP que faz a rubrica desportiva na Antena 3. Ou seja, trata-se de um espaço informativo, feito por um jornalista.
Como é possível dizer uma coisa destas?
Já não analiso a questão do “ruído” (houve, certamente, quem tivesse deixado de ouvir a seguir a uma frase destas), mas pelo lado da legitimidade! Como é que se pode admitir que um jornalista diga uma coisa destas? Legitimado pelo facto de ser na Antena 3 (mais leve, mais descontraído)? Nem pensar…
Relacionado com isto:
Relatador [durante o FC Porto, 1 - Braga, 3] - “Isto é uma vergonha!”
Comentador - “Eu não diria tanto”
(está tudo ao contrário ou é o desporto que é mesmo um caso à parte?)