“(…) como tinha dito ontem, a equipa da TVI decidiu ir prestar uma última homenagem ao Papa (…). A fila era imensa e nós acabámos por conseguir entrar por uma porta lateral (…). Passados 10 minutos estávamos lá dentro (…). Pode dizer-se que foi uma entrada à portuguesa!“
Não foram poucos os que previram (obrigado JAG!) a morte da rádio com o aparecimento da televisão. Mas a rádio sobreviveu. Mudou, de casa para o carro, da noite para o dia, da válvula para o transístor, mas sobreviveu ao primeiro choque tecnológico.
O segundo choque está aí à porta e a rádio ainda não percebeu os sinais. É o choque provocado pela banalização dos sistemas digitais de reprodução de música («ipods» e muitos outros), que ameaçam tirar a música da rádio; são os GPS, ligados a câmaras de video, que dão a informação de trânsito em tempo real, especificamente para a minha rota; é a personalização das informações, em função dos meus interesses, enviada pelos telemóveis da terceira geração (trânsito, bolsa, metereologia, etc.); é a possibilidade de ver, via UMTS, as transmissões dos jogos de futebol, onde não há um écrã de televisão, em vez de ouvir o relato; é…
Como será a rádio sem a música, sem o trânsito, sem a bolsa, sem…?
O que fica para a rádio?
Estas são inquietações que me ocupam, neste momento. Entendi partilhá-las com os leitores deste espaço porque é provável que, neste blogue, apareçam mais vezes. Afinal é esse o ponto de partida para o tema de um trabalho que conto ter pronto daqui a quatro anos (no mínimo!), na Universidade de Vigo.
ACTUALIZAÇÃO a 8/4: Nem por acaso… “mais de 22 milhões de adultos utilizam o iPod ou outros leitores de MP3 e cerca de 29% fazem downloads através da Internet, para a escuta das suas músicas preferidas“. Um pouquinho mais aqui.
Vi vários textos referindo o livro de Sofia Pinto Coelho (Quetzal), chamado “Jornalistas e Tribunais” e parece-me bastante interessante.