Textos do mês Maio 2005 ↓

publicado em
10 de Maio de 2005

por João Paulo Meneses


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Textos


uma opinião

(act) Mais de A Bola

Coisas curiosas que (não) encontrei nos jornais de hoje:
- O Jogo e o Record ignoram o assunto nas suas edições de hoje;
- Mas os directores de O Jogo e do Record assinam textos no Correio da Manhã sobre o assunto e falam no Público;
- O presidente do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas elogia, no mesmo CM, a opção;
- No DN, Vítor Serpa confirma que se trata de uma acção pontual, e assume «esta atitude como “uma pedrada no charco” contra a manipulação que os diários desportivos têm sofrido»*;
- Neste mesmo artigo, um sociólogo do desporto, António Sousa Santos, critica a opção: «este tipo de notícias vai aguçar a curiosidade dos leitores, o que faz desta decisão editorial uma simples “operação de marketing“. “Pode ter um efeito de choque, mas que é absorvido de imediato”, resumiu. “O jornal A Bola está com problemas de consciência e com esta decisão não vai apagar nenhum fogo”, acusou o sociólogo, garantindo, mesmo assim, que não vai perder leitores porque tem um “público fidelizado”.»;
- Em A Bola, apenas um pequeno texto chamado “Decisão editorial de «A Bola»”, que em três parágrafos resume a posição divulgada ontem;

* Isso quer dizer que a manipulação segue dentro de momentos? Um mérito A Bola tem: permite discutir o assunto!

Act: Sugiro este texto: «”A Bola”, calculista ou não, ao lançar a “semana do futebol”, veio dizer que há problemas no desporto que não são do foro desportivo e problemas no no jornalismo de desporto que não são jornalismo»

publicado em
9 de Maio de 2005

por João Paulo Meneses


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uma opinião

O texto de A Bola na íntegra

«A Bola» e a semana do futebol
O descontentamento foi-se generalizando, muitos dirigentes desportivos, no desempenho das suas importantes funções, foram perdendo o sentido do rigor, do bom senso e até das suas próprias responsabilidades desportivas e cívicas; os processos judiciais, ainda em desenvolvimento, vieram reforçar a dúvida quanto à honestidade do jogo e à transparência dos resultados; a arbitragem viu a sua credibilidade dizimada; os jogadores foram atirados para um estúpido degredo social, evitando a todo o custo qualquer discurso além do entediante lugar-comum; os técnicos vivem a amargura da necessidade do resultado imediato, como factor decisivo de sobrevivência profissional.
Ajudou-se, assim, a instalar um ambiente de guerrilha crónica, aqui e ali caótico na discussão, que agride quem gosta de futebol e, acima de tudo, paralisa a evolução do jogo e desrespeita a natural vocação dos estádios como espaços de festa e lugares de entretenimento, propícios, pois, a ser usufruídos pelas famílias, por crianças, por adolescentes e por adultos.
A tudo isto não queremos, nem podemos, ficar indiferentes. Por isso, A BOLA decidiu não pactuar com este estado de coisas, assumir-se como forte opositora da guerrilha institucionalizada no futebol e lançar o desafio do arranque de um movimento verdadeiramente regenerador, capaz de devolver ao jogo a sua alma, a sua essência de espectáculo mítico, vibrante, emotivo, apaixonado, mesmo. Capaz de defender o futebol português dos ventos da violência e da acção manipuladora do espectáculo.
Por isso A BOLA decidiu lançar esta semana, e, não por acaso, a semana de um jogo que será certamente decisivo para o título, como a SEMANA DO FUTEBOL.
Ao longo da semana, A BOLA compromete-se a não publicar, por opção editorial, todas as afirmações, venham de onde vierem, de dirigentes, de treinadores, de jogadores, de árbitros e até de colunistas, que de forma directa e declarada optem por expressões, atitudes, ou comportamentos que apelem à violência, ao desrespeito por princípios éticos desportivos ou à dúvida infundada sobre a integridade moral e cívica de qualquer cidadão que, por qualquer forma, seja protagonista no grande jogo ou em qualquer outro jogo da jornada.
Esta é a nossa decisão, amadurecida e desde já anunciada pela razão prioritária da relação de A BOLA com os seus leitores. Não seremos, pois, por decisão própria, veículos da violência verbal, da suspeição, da manipulação de todos os que entendem que tudo vale para atingir os fins, e que esperam, por isso, usar e abusar da imprensa desportiva.
Fazemo-lo em nome da defesa dos mais legítimos direitos de cidadania dos intérpretes do espectáculo; em defesa dos valores éticos e desportivos essenciais à credibilidade do jogo de futebol; em defesa da honestidade na relação com os nossos leitores, a quem certamente não servimos se nos conformarmos com a missão de meros agentes no acto premeditado da manipulação; mas, acima de tudo, creiam, tomámos esta opção em defesa do respeito que todos nós, aqui em A BOLA, temos por nós próprios.

publicado em
7 de Maio de 2005

por João Paulo Meneses


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5 opiniões

Relatas à Perestrelo!

Há duas escolas no relato de futebol (português?): aquela que procura a sobriedade sem ser monótona, a equidistância sem ser cinzenta, o rigor jornalístico compatível com o acto mais difícil de desempenhar na rádio; e aquela que apela à emoção, que privilegia o espectáculo, que espalha opinião na liberdade da palavra.
Prefiro claramente a primeira, mas reconheço que está em perda (ou não se desse o facto de os seus melhores/recentes expoentes estarem fora – David Borges, Carlos Daniel – ou em fim de carreira – Ribeiro Cristóvão). E está em perda muito por culpa de Jorge Perestrelo!
Perestrelo é o expoente dessa outra escola de fazer o relato desportivo, muito inspirada no Brasil (onde viveu). Perestrelo partiu, mas durante várias gerações dir-se-á que “aquele relata à Perestrelo” ou que outro “tem a mania que é o Perestrelo” – para já não falar das suas expressões mais características…
Nesse aspecto, Perestrelo não foi apenas “o maior” mas sobretudo o único. E se se costuma dizer que ninguém é insubstituível, no actual contexto da rádio portuguesa ele era realmente único – a sua morte deixa órfãos os ouvintes fiéis(e tinha-os!).

PS – Provavelmente o mais acertado seria ficar por aqui, mas como não quero ser hipócrita, e porque várias vezes o critiquei internamente, tenho de acrescentar que, até pelo exposto na parte inicial deste texto, não guardo as melhores memórias de Jorge Perestrelo como jornalista. Mas nada disso importa, agora! Paz à sua alma, que é o mesmo que dizer ripa na rapaqueca, Jorge!

publicado em
6 de Maio de 2005

por João Paulo Meneses


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abra o debate

O ouvidor, finalmente!

Ouvir e escutar não são uma e a mesma coisa! A língua portuguesa não consagra - infelizmente - o escutador, como alguém que, mais do que um normal ouvinte, escuta - com devoção - a rádio.
Por isso saúdo com especial reverência o “nascimento” do ouvidor. Não é o ouvinte, mas o ouvidor!

publicado em
4 de Maio de 2005

por João Paulo Meneses


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abra o debate

As apostas editorais como critério de notícia

Penso que, dentro da lista de critérios substantivos que fazem o jornalismo (os news values), falta estudar o peso - cada vez maior - das apostas editoriais de cada órgão nos alinhamentos noticiosos
E não me estou a referir ao facto de haver um exclusivo, que pode condicionar esses alinhamentos. Falo, por exemplo, em produtos pagos (provavelmente caros…), como uma sondagem!
A propósito de quê? Da troca que aconteceu ontem entre TSF e DN.
Como é público, ambos mantém uma longa colaboração com a Marktest para um barómetro mensal, que inclui diversas questões de actualidade.
A apresentação é combinada, de modo a que as mesmas respostas saiam à meia noite e na manhã seguinte na rádio e no jornal desse dia.
Só que ontem a TSF divulgou as conclusões sobre os dois referendos mas o DN trouxe as respostas sobre as presidenciais, do mesmo barómetro. Um deles ter-se-á equivocado.
O que fez com que, hoje, a TSF divulgasse as presidenciais e o DN os referendos. Ou seja, ambos com 24 horas de atraso.
Porquê? Provavelmente porque o “produto” é caro e não se pode desperdiçar. Mas, claramente, o interesse, hoje, estava muito reduzido: sem novidade, sem actualidade, restava o quê?

publicado em
3 de Maio de 2005

por João Paulo Meneses


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40 opiniões

A invasão do marketing

Uma história lapidar no Diário Económico de hoje: “A empresa do grupo espanhol Telefónica Móviles investiu 7,5 milhões de euros na comunicação do alargamento do negócio a dez novos países da América Latina e apostou na utilização de estratégias de publicidade pouco usuais.
De entre elas, estão a inserção do novo logótipo da marca nas capas das revistas e nos títulos das notícias de jornais informativos espanhóis, sem que haja uma identificação clara de se tratar de conteúdo publicitário. (…)
Juanjo Berganza, director de comunicação da Movistar, sublinhou ao DE que a utilização destes suportes pressupôs a “aceitação por parte dos órgãos de comunicação social”, acrescentando que “não considera haver qualquer desrespeito pelas normas deontológicas”.»

Esta última declaração é notável, porque demonstra que se pode fazer tudo, achando que não se está a fazer… nada!

PS - o vice-presidente do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas alerta, nessa mesma notícia do DE, para algo que já tantas vezes aqui tratei: “Avelino Rodrigues alerta para a falta de identificação da publicidade redigida, “que leva o leitor a pensar que está a ler uma notícia quando afinal se trata de promoção”.”