Textos do mês Junho 2005 ↓

publicado em
30 de Junho de 2005

por João Paulo Meneses


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66 opiniões

(act) Milagre de Fátima?

É da France Press e acaba de sair:

AFP 4 - 30-06-2005 11:42:00 - Pape-oecumenisme
Le pape “déterminé” à poursuivre l’unité des chrétiens
CITE DU VATICAN, 30 juin 2005 (AFP) - Jean Paul II a confirmé jeudi sa “ferme détermination” à poursuivre l’unité des chrétiens, en s’adressant à une délégation de métropolites représentant le patriarche orthodoxe de Constantinople, Bartholomée 1er.
Le pape a remercié ce dernier pour ses efforts en vue d’une reprise des travaux de la commission mixte internationale catholique-orthodoxe chargée du dialogue théologique entre les deux Eglises (…)
La délégation orthodoxe, conduite par le métropolite Ioannis Zizioulas de Pergame, a assisté mercredi à une messe célébrée par Benoît XVI dans la basilique Saint-Pierre à l’occasion de la fête des saints Pierre et Paul.
bb/nm/lmt”

Nota: esta notícia passou por três jornalistas (bb/nm/lmt) e todos acreditam que João Paulo II está vivo! Duas horas depois a correcção ainda não foi feita!

PS - está em francês, porque não havia alternativa…

Act a 1/7: a notícia foi corrigida às 14h57: “Priére de lire au premier para de notre dépêche Le pape Benoît XVI et non Jean Paul II…”

publicado em
29 de Junho de 2005

por João Paulo Meneses


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Sensacionalismo? (compare as diferenças)

Título:
“Lidl entope tribunais contra ladrões de um euro”
“Lead” (primeiro período):
“O Tribunal de Braga vai julgar uma mulher acusada de furtar um objecto no valor de 2,79 euros no interior de um supermercado Lidl e a quem é pedida uma indemnização de 300 euros, segundo disse à agência Lusa uma fonte judicial”.
Quase no fim:
“Segundo fonte judicial, a administração do Lidl manda frequentemente para tribunal os furtos que detecta, incluindo os de objectos de muito baixo valor, mesmo que tenham sido devolvidos na ocasião. Isto sucede em todas as comercas do país onde o Lidl está instalado e muitas vezes o valor do furto é de apenas um euro, (…) este é o tipo de casos que ajuda a entupir os tribunais”.
(no Público de hoje, abertura do suplemento local/Porto, sublinhados meus)

Questões:
- quem suporta uma afirmação destas? A fonte, embora anónima, tem um conhecimento rigoroso do país todo?
- por que não números? É em todas as comarcas? É um caso único, este do Lidl, ou há outras empresas a entupir? Atenção que o título diz: “Lidl entope tribunais”. E mais, entope com “ladrões de um euro”. Rigor?

PS - Título da mesma notícia da Lusa, transcrita pelo Público: “Tribunal julga mulher que furtou objecto de 2 euros no supermercado Lidl

publicado em
28 de Junho de 2005

por João Paulo Meneses


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Contar manifestantes - Isto é a sério!

A contabilização dos presentes numa manifestação é um dos temas mais susceptíveis de criar polémica no jornalismo: quem organiza inflacciona o número, as autoridades regra geral desvalorizam-no e os jornalistas limitam-se a citar os dois números - para perplexidade dos ouvintes/leitores/telespectadores (que não ficam informados sobre o que se passou, apenas que há duas perspectivas diferentes).
O El País tem um sistema alternativo - que julgo não ser usado em Portugal - e o provedor explicou-o na crónica de domingo: a propósito da manifestação contra os casamentos homossexuais em Espanha, os números divulgados foram absolutamente díspares (milhão e meiio, de acordo com a organização; a Comunidade de Madrid calculou 700 mil e a policía 166 mil. O EL PAÍS estimou em 180 mil). Não faltaram cartas de protesto, com o provedor a explicar que o jornal usa um método mais ou menos científico, com recurso a fotografias e a cálculos por metro quadrado.
Sugiro a leitura do texto aqui. Vale a pena (dica Indústrias Culturais)

publicado em
27 de Junho de 2005

por João Paulo Meneses


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Tabloidismo 2 – Só no Brasil?

… Em contrapartida, e apesar das preocupações, o tabloidismo aparece quando menos se espera…
Os jornais portugueses respeitam – regra geral – a presunção de inocência. E isso manifesta-se no que dizem e no que mostram. As fotos dos detidos, a menos que sejam figuras públicas (porque há uma correspondência entre o nome e a imagem, que não faz sentido esconder), devem ser preservadas. O mesmo não se passa, por exemplo, no Brasil – lembram-se do Militão? – em que as fotos são divulgadas pela própria polícia e o detido exposto ao limite.
Qual é a relevância disto? No sábado, o DN publicou uma notícia que dá conta da detenção de mais um português no Brasil, alegadamente por posse de droga. A foto do detido é publicada (e está na versão da internet), a legenda diz “Hugo levava cocaína” e a notícia acrescenta que “O jovem, de 22 anos, confessou o crime”.
Três magníficos exemplos de tabloidismo, sem dúvida, num jornal que tem todas as razões para o combater!

publicado em
26 de Junho de 2005

por João Paulo Meneses


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abra o debate

Idiossincrasias

A rádio e a televisão têm, provavelmente, mais diferenças do que semelhanças - daí que Eduardo Meditsch recuse a ideia de que a rádio é um meio audiovisual.
Mas uma coisa é a afirmação académica de respeito pelas características individualizadoras, outra a prática.
Vem isto a propósito de uma experiência vivida ontem: entrei no carro cerca das 11.30 e comecei a ouvir uma entrevista interessante, que passava naquela altura na TSF (conduzida por Margarida Marante).
Percebi que era um advogado, de sucesso, com interesses em Angola, mas até ao fim do programa não foi repetido o seu nome. Tive de comprar hoje o JN (que publica uma versão editada da entrevista ao domingo) para saber que se chamava Agostinho Pereira de Miranda.
Na televisão, um oráculo pode periodicamente sinalizar o nome do entrevistado e o jornalista não precisa de ter essa preocupação presente. Na rádio só há uma forma de o conseguir: dizer, de vez em quando, o nome de quem fala. É essa a gramática da rádio.

publicado em
23 de Junho de 2005

por João Paulo Meneses


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Uma estória triste mas verdadeira…

Um certo e determinado ministro disse em meados de Maio que iria, no prazo de duas semanas, apresentar medidas urgentes para resolver um grave problema.
As duas semanas passaram e um jornalista (que tinha guardado o recorte do anúncio) ligou para saber novidades.
Resposta do assessor de imprensa (até há pouco jornalista): tão cedo não vai haver nada, seguramente nas próximas semanas não iremos revelar nada;
Admirado, o jovem jornalista falou com o seu editor, que – surpreso – lhe pediu um novo contacto com o mesmo assessor – será mesmo assim?
O segundo contacto fez-se mas a resposta foi a mesma.
O jornalista pegou nesses dados, juntou-os aos que já tinha do passado e começou a ouvir reacções dos chamados “parceiros sociais” (todas negativas).
Duas horas depois, o mesmo assessor – assustado com algo que teria chegado ao conhecimento do ministro – telefonou a dizer que as medidas seriam anunciadas até ao fim deste mês. Mas não podia (não sabia?) uma data. E a notícia acabou por não ser feita.
No dia seguinte o ministro, no final de uma cerimónia, anunciou algumas das medidas e 24 horas depois a informação está em vários jornais, entre os quais o Expresso: neste são anunciadas mais medidas e uma data em concreto.

Notas a retirar desta estória:
- o assessor de imprensa ou mentiu ou foi incompetente (porque reafirmou uma informação sem ter disso confirmação - o que não é nada provável);
- o assessor de imprensa não quis dizer a data para não estragar a notícia do Expresso;
- a mentira terá sido uma forma de desmobilizar o jornalista. E conseguiu-o…

Por que é que esta estória vale a pena? Porque mostra (mais uma vez - é um dos temas recorrentes desta página) como a dialéctica jornalística é profundamente instável/precária (o que gera muita incompreensão nos receptores). Se a notícia tivesse sido emitida (no caso da rádio) na hora seguinte à primeira informação, seria a seguir desmentida? Mesmo confirmada duas vezes com a mesma fonte oficial?

publicado em
22 de Junho de 2005

por João Paulo Meneses


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Publicar gratuitamente notícias, reportagens, entrevistas ou fotografias

Associo-me à iniciativa de Hugo Neves da Silva, do Lisbonlab, divulgando o seu projecto - que poderá ser um palco importante para jornalistas free lancers, candidatos a jornalistas ou jovens jornalistas à procura de divulgação. O sucesso da iniciativa depende da adesão que tiver.

publicado em
20 de Junho de 2005

por João Paulo Meneses


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Um guia ético e técnico para o blogue!

“É apenas um blogue!”. A frase, assim ou de outra forma, já foi muitas vezes dita, mas serve para recolocar a questão: por que é que um blogue há-de ter um livro de estilo? Obviamente, isto não é um livro de estilo – afinal, é apenas um blogue! Então é o quê? É uma carta que dirijo a todos os leitores interessados, com um conjunto de compromissos (unilaterais). Uns são apenas técnicos, outros deontológicos. Pode, mesmo assim, ser entendido como um acto de presunção. É pena.

O guia ético e técnico aqui.

publicado em
19 de Junho de 2005

por João Paulo Meneses


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(act) A tralha do Estatuto Editorial

Na página 16 do DN (na secção das cartas, curiosamente) pode encontrar-se o seguinte texto: “Nos termos da legislação em vigor, publicamos na íntegra o Estatuto Editorial do «Diário de Notícias», em vigor desde 1992”. E segue-se o dito Estatuto Editorial.
Pergunta: é preciso a lei obrigar para que se publique o Estatuto Editorial (EE)?
Resposta da maioria: não, certamente. Mas por que é que este só é publicado uma vez por ano, quando a lei o impõe? Por vergonha? Por desuso?
Obviamente que não proponho que o EE seja publicado todas as semanas, mas há um boa solução: as páginas na Internet. E nas páginas do DN, Público *, Jornal de Notícias ou Correio da Manhã (para citar os que representam 95 por cento do mercado) o documento não aparece! Surpreendente, não? Afinal, seria apenas mais uma ligação na página de Internet…
Desconfio que, não havendo concertação de ideias entre os jornais, todos acham o EE uma espécie de tralha jornalística…
… Ou então sou eu que mais pareço um fundamentalista islâmico: é que acabei de ver as páginas da TSF, RR, RDP, RTP, SIC e TVI e nada. Desisto!

* O Público tem o seu EE acessível se se consultar a primeira versão do Livro de Estilo. Um aplauso, ainda que não seja directamente visível.

Act a 30/6/05: no sábado passado, 25, o Expresso publicou o seu. Ao lado do relatório e contas do ano anterior. Como manda a lei.

publicado em
17 de Junho de 2005

por João Paulo Meneses


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abra o debate

(act) Défice… democrático!

O JN conta hoje uma história (estória?) fascinante sobre o jornalismo aplicado à realidade!
Resumidamente, se percebi bem e não faltam elementos decisivos: o secretário de Estado Ascenso Simões deu uma (longa) entrevista a um jornal da sua terra, Vila Real, com a condição de a poder ler antes de ser publicada. Mas de acordo com o secretário de Estado, o jornal não terá respeitado esse acordo e publicou uma versão não autorizada. Em resposta, Ascenso Simões “mandou” retirar a edição, que foi recolhida na íntegra, uma hora depois de estar nas bancas de Vila Real. E já saiu uma segunda, com as devidas emendas.

Algumas notas, independentemente de outras conclusões que os leitores deste blogue possam tirar:
- estes acordos prévios (que implicam que o protagonista tenha uma última palavra sobre o que vai sair) são negativos para o jornalismo;
- mas se as duas partes aceitaram os termos, devem respeitá-los;
- Ascenso Simões sai mal da história (a liberdade de imprensa é fantástica, desde que seja sobre os outros…); quanto ao director do jornal, é melhor esperar pelas suas explicações (prometidas para a próxima edição);
- finalmente: de acordo com o JN, Ascenso Simões não corrigiu a sua própria entrevista mas «terá procedido a “uns ajustes” na introdução à entrevista, onde estaria descrito o seu percurso político e profissional, desde a juventude, omitindo alguns factos descritos e acrescentando outros, aos quais não era feita inicialmente qualquer referência»; assim sendo, por que é que a edição foi retirada? Ou o acordo incluía rever não apenas as declarações de AS passadas a papel mas também todos os textos do jornal sobre o secretário de Estado? Cheira-me a esturro…-

ACT a 18/6/05: o Público reproduz hoje uma notícia da Lusa, em que aparecem mais pormenores deste caso. O director do jornal, por exemplo, presta algumas declarações e confirma - entre outras coisas que estão na notícia do JN - que o secretário de Estado “efectuou pequenas alterações ao corpo da entrevista, mas mudou principalmente a introdução do texto, onde se falava do seu percurso político“.
Insisto nesta ideia: não gosto de acordos de visionamento prévio de entrevistas, mas (porque há discussão sobre de quem é a “propriedade” das declarações) não o vou discutir. O que não é possível aceitar é que um qualquer protagonista mude um texto jornalístico, como parece ter sido o caso. Chamo a isto censura. E não compreendo por que é que o director do jornal aceitou retirar a edição original. Um caso destes em tribunal ridicularizaria o seu promotor!

ACT a 19/6/05: No JN de ontem, que só hoje li: “A alteração mais significativa foi feita na parte dos dados curriculares, da qual foram retiradas referências ao facto de Ascenso Simões ter começado de baixo e subido na política a pulso, de ter sido funcionário do PS e de ter trabalhado na Câmara de Santa Marta de Penaguião. A nova versão menciona, apenas, os cargos de governante, deputado e vereador da oposição em Vila Real“.

publicado em
16 de Junho de 2005

por João Paulo Meneses


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Ser do contra. A qualquer custo?

Há uma lista de comentadores nos jornais nacionais que se caracterizam por estarem sempre contra. Tudo. Vasco Pulido Valente é o exemplo mais eloquente. António Barreto, infelizmente, também. Pacheco Pereira igual.
Para cumprir a missão de ser do contra, é preciso encontrar razões para dizer mal - dizer mal é mais notícia do que dizer bem, já diz o outro.
Mas nem sempre há engenho e arte para conseguir dizer mal.
Eis um exemplo ridículo, protagonizado por Pacheco Pereira!

PS - a notícia em causa tem em antetítulo “Superliga”; sempre ouvi dizer que errado é apregoar a ignorância!

publicado em
14 de Junho de 2005

por João Paulo Meneses


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Sentido crítico

No final de Maio, e depois de uma chamada de atenção de um leitor desta página, coloquei um texto em que dava conta da experiência de autêntico neo-jornalismo, que foi fazer, na revista Xis, um trabalho alargado sobre ateísmo, ouvindo apenas católicos.
Na revista desta semana, duas cartas à directora dizem (um excerto de cada uma delas):
- “acho que todo este tema foi tratado de forma interessante mas parcial“;
- “escrever artigos sobre ateísmo, sem chamar os ateus, é uma enormidade sem pés nem cabeça“;

Ou seja, há leitores com sentido crítico!

publicado em
13 de Junho de 2005

por João Paulo Meneses


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(act) Fascinante!

Que pena não pode fazer uma ligação para o texto de Alexandra Lucas Coelho na Pública de ontem, com o nome de “A tentativa de entrevista”.
Esse texto pode (deve…) ser fotocopiado e distribuído aos estudantes de jornalismo, do secundário aos mestrados!
Fala de quê? De uma entrevista a Avelino Ferreira Torres, que terminou com os dois jornalistas da Pública retidos no gabinete do presidente do Marco de Canavezes e a destruição da cassete e das fotos.
Um excerto pequeno: “Na pergunta seguinte, com uma citação do seu adversário Luís Almeida, do PS, o presidente explodiu. Berrou que não admitia a menção desse «nome de estrume«. A jornalista insistiu em tentar concluir a pergunta, mais do que uma vez. O presidente continuou a berrar e a bater com os pés no chão, entre os repórteres e a porta [do gabinete], repetindo «estrume», insinuando que a Pública estava manipulada pelos seus adversários. Os repórteres continuavam de pé, à espera de poder sair (…). O presidente berrou que os repórteres não saíam dali enquanto não lhe dessem a cassete (…)“.

Act a 14/6: António Granado tem o texto na rede.

publicado em
12 de Junho de 2005

por João Paulo Meneses


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Uma adivinha (fácil)

Como se chama o homem que há 20 anos dirige o mesmo jornal em Portugal, que tem entre os seus grandes feitos ter inventado um saco plástico jornalístico e considera (com razão…) que já todos receberam uma comenda no 10 de Junho menos ele (mas se lhe derem vai recusar)?
O director do Expresso é um caso verdadeiramente à parte na paisagem mediática portuguesa - pela longevidade, pela obra realizada, pela consideração que tem de si próprio.
Mas José António Saraiva também é um marginal: não se vê na televisão (paradigma da notoriedade nacional), não se lhe conhece quase nada para além do jornal (a não ser que escreve romances) e nem consta que seja dos mais influentes nos bastidores da política.
Independentemente de me parecer que o Expresso, ao fim de 20 anos, precisa de um novo director, é justo reconhecer que a figura é merecedora de atenção - e a entrevista que o próprio dá este sábado ao seu jornal (ao longo de 14 páginas) é prova disso. Recomendo-a, nem que seja pelo insólito. E apesar do pretexto noticioso ser fraco (um obscuro prémio, proposto por Pinto Balsemão, ganho em ESpanha), a entrevista é interessante - ainda que um pouco deslumbrada e menos combativa nas questões mais polémicas.
José António Saraiva é, no mínimo, um tipo interessante!

PS - Já que estou com a mão na massa: excelente edição da Única, com cinco trabalhos nos cinco países africanos de língua portuguesa. Um dossier brilhante, qualquer que seja a perspectiva de avaliação.

publicado em
11 de Junho de 2005

por João Paulo Meneses


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(falta de) Bom senso

Há alguns anos entendia-se que o directo era o momento máximo de dificuldade e responsabilidade para um (jovem) jornalista. Os directos eram reservados para os mais experientes ou para aqueles que, embora jovens, dessem mostras de maior maturidade.
A juvenilização das redacções, o incentivo para que os mais velhos se reformem ou se despeçam, a banalização do directo (nas televisões) e a perda de referências jornalísticas destes novos tempos fazem com que seja possível acontecer isto! Ou será apenas falta de bom senso?