Textos do mês Agosto 2005 ↓

publicado em
29 de Agosto de 2005

por João Paulo Meneses


etiquetas
Textos


64 opiniões

Uma denúncia (ou duas…)

O Público até é dos jornais que apresenta melhores suplementos (os dos relógios, por exemplo), mas a revista que acompanha a edição de hoje precisa de ser denunciada: podia ser informação comercial mas não, é política autárquica pura. A pouco mais de um mês das eleições (”Poder local 2005″).
O que é que lá temos?
Textos assinados pelos presidentes de câmara (”muitos projectos transformaram e estão a transformar o rosto e o pulsar do Concelho [de Aveiro]”), press releases publicados acritica e laudatoriamente (Famalicão, “um concelho em desenvolvimento”, “tudo isto foi possível neste mandato”), fotografias dos presidentes e vereadores no poder.
Nada disto é inocente: a empresa (exterior ao Público) sabe que este é o momento certo para fazer a revista - os recandidatos querem promover-se.
Mas também é evidente que uma revista panfletária como esta desequilibra o jogo democrático, porque só tem acesso ao espaço quem está no poder.
Isto, no Público, não pode acontecer! O jornal precisa de receitas-extra, mas estas são de curto-prazo, o jornal - como património de credibilidade - só tem a perder!
(como se não bastasse, acho estrnho que em 120 páginas haja apenas sete de publicidade paga…)

PS - já que falo no Público de hoje, como é possível aceitar textos de opinião do actual portavoz do CDS a elogiar, de alto a baixo, Ribeiro e Castro (pág. 6, “Os desafios de Ribeiro e Castro”)? Está tudo louco? Ou são os disparates do Verão?

publicado em
27 de Agosto de 2005

por João Paulo Meneses


etiquetas
Textos


abra o debate

(act) Publicidade na Sábado?

O que dizer da capa desta semana da revista Sábado?
A propósito de um trabalho desenvolvido sobre “os brinquedos dos adultos” e, em concreto, do lançamento da nova consola portátil da Sony, a PSP (Play Station Portátil), a revista contratou dois modelos (que aparecem também na foto de abertura do trabalho, no interior) e fotografou-os pretensamente a jogar a PSP. Nas duas fotos, de página inteira, é claramente visível o aparelho da Sony (no caso, dois).

Primeiro: acredito que tenha sido uma opção meramente editorial (caso contrário, seria muito grave), mas igualmente discutível. É certo que se o gancho de actualidade que suporta o trabalho é a nova PSP, esta justificaria o destaque.
Mas há várias questões a ter em conta:
- o trabalho não é sobre a “play station portátil” mas sobre “a febre dos brinquedos digitais” (os “gadgets”);
- há, no resultado final das fotos, uma colagem - na minha opinião excessiva - ao produto;
- haveria sempre outra forma de fazer, menos ostensiva, mais sugestiva (e, podendo parecer um pormenor, é aqui que a fronteira aparece);
- embora o trabalho me pareça muito equilibrado e com qualidade, as fotos dão claramente um sinal publicitário. Injusto?

PS - não sou leitor semanal da Sábado, mas penso que não é prática corrente esta colagem publicitária. Ou estou enganado?

Act a 1/9: que diferença na BBC

publicado em
26 de Agosto de 2005

por João Paulo Meneses


etiquetas
Textos


32 opiniões

Exercício: quantos erros nesta notícia?

(No Diário de Notícias de ontem, 25/8, pág. 8)

soaristas

Outro nome à direita?

A possibilidade de surgir outra candidatura presidencial à direita foi esta semana referida ao DN por diversos colaboradores de Mário Soares, especulando sobre as intenções de Paulo Portas ou Bagão Félix. Essa é uma hipótese que entusiasma as tropas soaristas - pois poderia garantir uma segunda volta, roubando votos a Cavaco -, embora as mesmas fontes admitam que é um cenário remoto.”

(zero? um? dois? três? mais? Vamos tentar uma interactividade, justificando, obvimente, as respostas)

publicado em
25 de Agosto de 2005

por João Paulo Meneses


etiquetas
Textos


32 opiniões

Eu gosto do 24 Horas

Não estava de férias na altura mas passou-me (até porque costumo ler pelo menos a primeira página). E só esta semana, via “Inimigo Público” de Verão (!), é que me apercebi: o 24 Horas fez mais uma das suas primeiras páginas históricas no dia 12 de Agosto.
Na véspera o jornal tinha noticiado que o advogado de Carlos Silvino, no processo Casa Pia, tinha sido apanhado com álcool a mais. Durante esse dia aperceberam-se no jornal que se tinham enganado (afinal era o próprio advogado das alegadas vítimas da Casa Pia e não José Maria Martins). No dia 12 de Agosto a manchete era: “O advogado da Casa Pia é que foi apanhado pela GNR”. E ante-título (mas com letras bem grandes): “O advogado de Bibi não ia com álcool a mais. O 24 Horas errou, pede desculpas a José Maria Martins e aos leitores”.

Não é a primeira vez que o 24 Horas faz uma manchete destas. Lembro-me quando escreveu que Jardel recebia da Segurança Social portuguesa. No dia seguinte corrigiu, com igual destaque, na primeira página, incluindo um pedido de desculpas. Há, penso, mais dois casos parecidos.

O que dizer desta contrição pública?
Primeiro que é muito saudável; segundo, que mais nenhum jornal a faz de uma forma tão exposta; terceiro, que é inteligente, evita processos em tribunal (ainda que neste caso se fale num pedido de 200 mil euros de indemnização), e que mostra que o marketing da sinceridade funciona; quarto, contraria a má imagem de jornal tabloide, com laivos sensacionalistas; quinto, que é mau jornalismo dar uma manchete daquelas, envolvendo directamente uma pessoa, sem a confirmar;

Nota final: eu gosto (simpatizo?) do 24 Horas. Acho que faz falta no nosso jornalismo um jornal que exercite o tabloidismo de uma forma ingénua (é um elogio…) ou inocente. Às vezes é divertido, outras nem tanto (e muitas irritante). Mas o facto de haver um jornal, que até é um sucesso de vendas, como o 24 Horas, é tmbém uma forma de evitar o aparecimento de jornais bem mais perigosos para a comunidade.

publicado em
23 de Agosto de 2005

por João Paulo Meneses


etiquetas
Textos


abra o debate

Responsabilidade social

Hoje li, no Público, uma peça sobre as férias de Tony Blair em Barbados e a polémica que vai pelas ilhas britânicas (afinal, «silly season» é onde e quando um homem quiser…). A isso associei a história das fotografias de Cristiano Ronaldo que ficaram suspensas por uma providência cautelar.

Em que é que as coisas se relacionam?
Se calhar em nada, mas ligo-as à responsabilidade social que deve existir na comunicação social. Da mesma forma que o argumento da segurança de Blair durante as férias é válido para que o local não seja noticiado (e as férias se mantenham privadas e incógnitas), também as fotos dos saltos altos aos 16 anos é puro voyeurismo (e, portanto, matéria apetecível para o jornalismo tabloide). Como o local de férias de Blair*.

Sendo uma figura pública, Cristiano Ronaldo tem de saber que os seus comportamentos são relevantes para a opinião pública. Mas há comportamentos privados, que assim se devem manter - contra o «voyeurismo» e o jornalismo tabloide. Muito mais se aconteceram quando tinha 16 anos!

* Mas isso implica que Downing Street não venda o exclusivo das férias a uma qualquer revista…

publicado em
22 de Agosto de 2005

por João Paulo Meneses


etiquetas
Textos


64 opiniões

Aposta e ganha (2)

Não foi há muito tempo que o presidente da Liga ameaçou os jornalistas (e os seus órgãos de comunicação social?) se estes não dissessem “Superliga Galp Energia”. O patrocínio foi-se (e a Galp só conseguiu que isso acontecesse com contratos paralelos de publicidade, nomeadamente nos jornais) e chegou a “betandwin.com”.
É certo que esta polémica sobre a legalidade do patrocínio é a melhor publicidade que a empresa (austríaca?) podia conseguir. Imaginando que o patrocínio é suspenso e que acabam por não pagar nada à Liga, já conseguiram um forte impacto publicitário na opinião pública portuguesa (televisões, rádios e jornais falar da “betandwin.com”. Vale bem o milhão de euros por um ano inteiro.
Mas, polémica à parte, conseguirá a empresa de apostas que os jornalistas digam/escrevam “Liga betandwin.com”? Acho duvidoso. E acho que eles também sabem disso.
Por um lado, há uma rejeição inata dos jornalistas a questões publicitárias, por outro - e é o meu ponto de vista - custa-me ser marioneta. Agora chama-se isto, amanhã aquilo? Tenho de chamar aquilo que alguém quer se chame?
Sei que as equipas de ciclismo mudam de nome todos os anos e as de basquetebol também. E que os nomes devem ser respeitados. Mas há aqui qualquer coisa que…

PS - como será com o novo nome do estádio do Benfica?

publicado em
19 de Agosto de 2005

por João Paulo Meneses


etiquetas
Textos


32 opiniões

Conferimos ou não?

Rapidamente: Carlos Pinto Coelho escreveu ao Ciberdúvidas a perguntar sobre a correcção de algo que se ouve frequentemente (por exemplo) na rádio - “conferir a actualidade”, “conferir as notícias”.
A especialista do Ciberdúvidas, depois de consultar quatro dicionários, sentenciou: “(…)seria bom que os profissionais da rádio o substituíssem verbo“.

Eu, excepcionalmente (sou crente no Ciberdúvidas e tento seguir a sua cartilha, sem muitos pecados), não concordo*. Conferir - dito sobretudo pelos animadores - significa “ficar a saber quais são”. Não tanto no sentido de “saber se está tudo bem”, mas no de “passar em revista” a actualidade.

Como explica o Ciberdúvidas, um dos dicionários confere (!) sete sentidos diferentes ao verbo. E um deles até é “Consultar uma fonte, uma referência; confrontar, ver”.

A língua é dinâmica e a semântica está bem viva. O próximo dicionário poderá acrescentar mais um significado à palavra.

* Não gosto é da repetição da palavra, do seu uso mais ou menos sistemático, que se transforma em jornalês.

publicado em
17 de Agosto de 2005

por João Paulo Meneses


etiquetas
Textos


64 opiniões

Meia hora de incêndios

Ontem, o jornal das 9 da noite na Sic Notícias foi ocupado, durante a primeira meia hora, com incêndios. Só!
Não aguentei mais. São imagens de fogo em catadupa, imagens e mais imagens, depoimentos de pessoas desesperadas. Só emoção sem edição (não no sentido de montagem mas de intervenção editorial qualitativa).
Às nove e meia estava a ver um episódio (repetido) do CSI no AXN!

(A propósito: “O único resultado prático de interrupção das férias do primeiro-ministro teria sido a sua participação no circo mediático do “País em chamas”, a qual seria seguramente criticada pelas mesmas pessoas que agora censuram a sua ausência do País.”)

publicado em
16 de Agosto de 2005

por João Paulo Meneses


etiquetas
Textos


abra o debate

(act) Incompatibilidades no comentário

Pode um comentador de futebol ser um treinador?
A pergunta é clássica e suscita as mais diversas opiniões - o Correio da Manhã recupera hoje, novamente, a questão, neste artigo.
Na minha opinião, não.
É claramente um problema de incompatibilidade: um treinador, mesmo no desemprego, não tem a mesma capacidade para criticar o clube, o jogador ou o dirigente com os quais pode estar a trabalhar na semana seguinte. E há imensos exemplos, sobretudo na televisão.
Quanto mais polémico for (isto é, quanto mais feridas estiver disposto a abrir) menos hipótese tem o treinador de o voltar a ser. Por isso protegem-se, jogam à defesa - querem continuar a ser treinadores e o comentário é apenas uma experiência passageira.
Já não tenho as mesmas dúvidas se estivermos perante um ex-treinador.

Act a 17/8: Leio no suplemento Actual do Expresso de 13/8: “Uma recensão - por sinal demolidora - da escritora Marianne Wiggins ao mais recente livro de John Irving, «Until I Find You«, publicada no «Washington Post» há mais de um mês, foi «desautorizada» pelo jornal, após queixa do autor. É que aos críticos daquele diário estão vedadas recensões de obras escritas por amigos ou conhecidos. E Irving é amigo de Salman Rushdie, com quem Wiggings foi casada até 1993. Em consequência, Irving e Wiggins conheciam-se. Pelo facto, o periódico norte-americano pediu desculpas“.

publicado em
14 de Agosto de 2005

por João Paulo Meneses


etiquetas
Textos


32 opiniões

Blogues e jornalismo - um texto…

… que aconselho.
Está na página do Clube de Jornalistas e é da autoria de João Alferes Gonçalves.
Subscrevo-o quase na íntegra (ideia essencial: reunidas determinadas condições, um blogue pode fazer jornalismo. Este, por exemplo, não faz).

publicado em
12 de Agosto de 2005

por João Paulo Meneses


etiquetas
Textos


32 opiniões

TVI "tablóide/sensacionalista"?

O director da RTPN deu na quarta-feira uma entrevista ao Correio da Manhã em que fala de várias coisas, entre elas a ideia da TVI de lançar um canal de economia. Diz José Alberto Lemos: “Temo que não haja mercado para um terceiro canal de informação generalista. Depois, o perfil de informação da TVI deixa-me muito apreensivo, por ser tablóide/sensacionalista“.

Como sabem os leitores desta página, esta coisa das diferenças entre tabloidismo e o sensacionalismo é um dos temas recorrentes. Esforço-me por tentar demonstrar que são coisas diferentes e, muitas vezes, incompatíveis. Mas quando se juntam dão uma coisa terrível. Alguns pressupostos:
- tabloidismo tem a ver com os assuntos escolhidos (social, figuras públicas, televisão, sucesso, casos pessoais, desgraças, etc); sensacionalismo, com a forma como os assuntos são tratados (basicamente, quando há uma desadequação entre o enunciado - os títulos - e os factos/a realidade);
- o “24 Horas” é um jornal tabloidista, mas não sensacionalista; o “Crime” é um jornal sensacionalista (e por vezes tabloidista).
- vários tabloides britânicos (os mais populares) são também sensacionalistas (não é por acaso que se sucedem as condenações em tribunal);
A TVI tem um perfil “tablóide/sensacionalista”, como diz José Alberto Lemos?
Se ele acha que as duas palavras querem dizer a mesma coisa, sim; se são conceitos diferentes, não. A TVI é muitas vezes tablóide, mas considero que, globalmente, faz um jornalismo rigoroso e correcto (ou seja, as suas notícias são verdadeiras, sem especulação ou exageros).

publicado em
9 de Agosto de 2005

por João Paulo Meneses


etiquetas
Textos


32 opiniões

(act) O instável exercício jornalístico

Ainda quase ninguém tinha lido os jornais e já nas rádios, esta manhã, se fazia ouvir o comunicado de Manuel Maria Carrilho, desmentindo a manchete do DN*.
Estamos perante um caso clássico de um-contra-um - em quem acreditar?
Mas há algumas coisas que podem ser acrescentadas:
- as declarações de MMC ao DN aparecem entre aspas e, diz o artigo, foram ditas ontem;
- MMC diz no comunicado que, além de serem “falsas, infundadas e totalmente especulativas”, “não correspondem ao teor das declarações prestadas pelo candidato aos jornalistas”. Mas o jornalista do DN pode ter falado a sós com Carrilho (caso contrário, o assunto seria notícia noutros jornais);
- o jornalista do DN gravou as declarações de Carrilho? Se sim, e estas são rigorosas, Carrilho assinou a suas despedida da corrida eleitoral; se não, vamos ficar “cada um na sua”. Amanhã o DN trará o comunicado de MMC e noutro texto dirá que reafirma tudo quanto foi escrito.
- finalmente, nem no “site” de MMC nem na página do DN há qualquer referência ao caso ou aos seus desenvolvimentos. Não basta elogiar ou reconhecer as virtualidades da internet. É preciso integrá-la! (ver exemplo do Portugal Diário)

* Deve, neste caso, uma rádio, dar um desmentido de uma notícia que não é sua? Se a noticiou, citando a origem, também deve noticiar o desmentido.

Act a 12/8: Ontem o DN fez aquilo que era previsível (e normal) que fizesse - reafirmou a sua história e a confiança no jornalista. Mas de várias leituras ficam alguns dados mais:
- o jornalista do DN diz no seu texto “De Alegre a Soares, o «on» e o «off»” que MMC fez aquelas declarações na presença de mais uma testemunha, por sinal jornalista. Assim sendo, e caso esta confirme a versão do DN, cai por terra a teoria do candidato Carrilho (alguém sabe se essa jornalista escreveu alguma coisa?);
- o jornalista do DN, nesse mesmo texto, deixa entender que tudo não passou de mais um caso de equívoco entre «on» e «off»: Carrilho disse, mas pelos vistos pensaria que era uma conversa informal. “Nem eu o citaria em on, como fiz na edição de ontem, se tivesse pressuposto o contrário“, diz Francisco Almeida Leite. Portanto não é uma questão de Carrilho pensar aquilo ou o contrário, mas de não ser conveniente dizê-lo. Talvez por isso tenha telefonado a Alegre e a Soares…
- o Público de ontem diz que Carrilho desmentiu a notícia às três e meia da manhã, mal a edição do DN ficou na rede;
Com estes dados acho que já é possível emitir uma opinião sem estar baseada (apenas) na óbvia solidariedade jornalística: MMC mais uma vez mostrou o que é a gelatina política. E se alguém tem dúvidas pode ler este texto. Está lá tudo!

publicado em
8 de Agosto de 2005

por João Paulo Meneses


etiquetas
Textos


32 opiniões

Ser correspondente, hoje

Luis Costa Ribas, ex-correspondente da SIC e da TSF nos EUA, diz hoje isto ao JN: “Hoje em dia é muito mais difícil ser correspondente. Antigamente tínhamos que fazer o noticiário do país. Mas agora há muitas outras cadeias de televisão a dar notícias do país onde estamos como correspondente. Sem contar com as agências. O noticiário chega pela CNN, SkyNews, Reuters ou pela CBS. Só a televisão da Reuters distribui para mais de 500 televisões em todo o mundo. Em qualquer lado há estas agências, todas com serviço de imagem, que produzem diariamente toneladas de vídeos e “directos”, muito mais barato do aquilo que nós podemos fazer. Não consigo fazer uma reportagem para a SIC nos Estados Unidos sem gastar pelo menos 200 contos. E estamos a falar de uma coisa de nada. Quando cheguei aos Estados Unidos a realidade era outra. Não havia nada e era preciso fazer a notícia de raíz, a não ser que se quisesse ficar pelo “telex” básico“.

A frase merece um comentário: LCR tem razão em dois pontos: 1) antes, para obter as imagens institucionais, tinha de ir aos locais (hoje as agências internacionais fazem-no); 2) fazem-no muito mais barato.
Mas - digo eu que nunca trabalhei como correspondente - nunca foi, ao mesmo tempo, tão estimulante ser correspondente. Sobretudo nos EUA. Os correspondentes do Público naquele país(só para manter o paralelismo) provam-no - longe da agenda institucional, ficam soltos para produzir outras peças, investigar outras matérias, criar outras estórias. “Hoje em dia é muito mais difícil ser correspondente”? Acho que nunca foi tão aliciante ser correspondente. Por exemplo nos EUA.

publicado em
5 de Agosto de 2005

por João Paulo Meneses


etiquetas
Textos


64 opiniões

A casa da vizinha é melhor do que a minha?

O Expresso de sábado noticiou que a “Sede de Isaltino [é] ilegal”. Hoje Isaltino Morais faz publicar, em diversos jornais, um comunicado em meia página de publicidade, com o título “Sede do Expresso ilegal”.
Além de negar a informação do jornal, o candidato à Câmara de Oeiras avança com informações que deixam o Expresso numa situação difícil.
Olha para o que eu digo, não olhes para…

publicado em
4 de Agosto de 2005

por João Paulo Meneses


etiquetas
Textos


32 opiniões

(act) Absurdos do direito de resposta

O Público trouxe, na semana passada, um longo trabalho de investigação de Adelino Gomes, sobre a decisão, de 1974, de queimar livros conotados com o anterior regime.
Ontem, a família do falecido autor desse decreto publicou uma página de direito de resposta (por sinal, bem violenta, por quase se limitar a juizos de intenção). Hoje, Adelino Gomes responde.
Por que é que não respondeu ontem? Porque a lei não o permite.
Insisto numa ideia que já aqui defendi: esta é uma situação que não interessa aos visados (os jornalistas) nem aos leitores.
Quem leu o Público de ontem e não o fez hoje ficou só com uma versão (até porque, ontem, não se avisava do texto de hoje); quem leu hoje não percebeu nada (e o jornal de ontem já foi recolhido…).
Defendo a separação gráfica dos diferentes textos (direito de resposta e esclarecimento do jornalista), mas a publicação simultânea e de preferência na mesma página. De outra forma, com a publicação apenas possível no dia seguinte, prevalece a ideia do jornalista ter a última palavra. Sem necessidade.

Act a 8/8: A família de Rui Grácio voltou às páginas do Público ontem, domingo. E uma das coisas em que insiste é Adelino Gomes “não ter ouvido a principal parte interessada”. Adelino responde ao lado: “«a principal parte interessada» num episódio como este, de tomada de decisão político-administrativa, ocorrido no âmbito da acção governativa, é constituído pela equipa em que Rui Grácio se integrava (…). Ouvi os dois ministros, vários secretários de Estado e um dos dois directores-gerais”. Tudo dito (penso…).