Textos do mês Outubro 2005 ↓

publicado em
31 de Outubro de 2005

por João Paulo Meneses


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Textos


32 opiniões

José Manuel Fernandes explica

Lembram-se deste caso? Pois José Manuel Fernandes explica-se hoje em editorial.
Um texto equilibrado e - parece-me - rigoroso, que esclarece algumas questões e deixa os seus leitores globalmente satisfeitos, mas que não preenche duas dúvidas:
- não se esclarece, pelo menos para já, quem foram os dirigentes do PS que falaram com Fátima Felgueiras. Mas o director do jornal lembra que “as mesmas fontes que nunca nos enganaram no passado nos confirmaram, entre outras notícias que suscitaram perplexidade, os contactos prévios entre Fátima Felgueiras, designadamente através de intermediários, com membros do secretariado do PS. O PÚBLICO tem indicações sobre quem foram esses elementos, mas necessita de conhecer melhor as circunstâncias dos contactos antes de revelar esses nomes“.
- como se recordarão alguns, aquilo que na altura foi designado por “micro-causa” destinava-se a pedir respostas ao jornal. JMF explica que não o fez antes, como também disse no Clube de Jornalistas, porque “o facto de tudo isto ter decorrido em plena campanha eleitoral e de a primeira sessão do julgamento de Fátima Felgueiras estar marcada para poucos dias depois do acto eleitoral levou-nos a optar por deixar passar a campanha eleitoral para darmos os devidos esclarecimentos num ambiente menos inquinado“. Antes, como agora, não me parece um argumento suficientemente forte; isto devia (podia?) ter sido dito nos dias seguintes.

publicado em
28 de Outubro de 2005

por João Paulo Meneses


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32 opiniões

Macau/A. Costa: Uma história semi-pessoal (com blogues…)

A primeira página de O Independente de hoje suscita uma história que gostaria de partilhar: apesar de ter vivido pouco tempo em Macau, foi o suficiente para ter ouvido falar de um caso polémico que envolveu Alberto Costa; depois, já de regresso, soube mais alguns pormenores. Mas nunca se proporcionou - por falta de novidade ou actualidade - escrever.
A ocasião surgiu este ano: Costa foi o ministro enviado a Macau para representar Portugal no 10 de Junho e, com antecedência, pedi ao assessor do ministro da Justiça a resposta a algumas perguntas, que se destinariam a um jornal local, com o qual colaboro. O caso-Celeiro seria evidentemente obrigatório.

As respostas não vieram, com o argumento de que o ministro apenas falaria em Macau (o que não aconteceu, deu pelo menos uma entrevista - inócua - antes de partir). Disso avisei o director do Ponto Final, que - sintonizado - não perdeu a primeira oportunidade para suscitar a questão. Costa falou então. E a polémica nunca mais desapareceu.

Em vários blogues tem havido investigação sobre o caso e é essa investigação que leva o homem que demitiu Alberto Costa, José António Barreiros, a falar hoje - pela primeira vez - a O Independente. E é esse o pretexto para a primeira página do jornal.

O que é que concluo?
- Alberto Costa estará muito arrependido de ter ido a Macau (tantos sítios interessantes e sem histórias complicadas…); de qualquer forma, sem viagem ou entrevista (o Independente cita-a no artigo de hoje), talvez o caso viesse na mesma a público (ainda que Costa já tivesse sido ministro com Guterres e nada tivesse sido escrito)
- O caso está a ser usado para o combate político contra o ministro da Justiça; é muito fraco o pretexto noticioso para recuperar o caso agora…
- São os blogues (os citados e outros) que estão a liderar o processo (Barreiros reconhece-o na entrevista de hoje);

publicado em
27 de Outubro de 2005

por João Paulo Meneses


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abra o debate

Uma decisão (importante) para fazer jurisprudência

O jornalista Manso Preto foi absolvido, por acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa de 26 de Outubro, do crime de desobediência ao tribunal a que havia sido condenado a 10 de Dezembro do ano passado, por se recusar a violar o sigilo profissional (…) O acórdão considera que o jornalista não estava «obrigado a prestar testemunho», porque «preponderante no caso o seu direito à manutenção do segredo profissional».”

O Sindicato também “saúda a coragem manifestada ao longo de todo o processo por Manso Preto, que mesmo depois de ter sido condenado em primeira instância a 11 meses de prisão, com pena suspensa por três anos, não hesitou em levar até às últimas consequências a defesa do sigilo profissional“. E faz bem. Manso Preto é um exemplo para toda a profissão.

publicado em
26 de Outubro de 2005

por João Paulo Meneses


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(act) O serviço público e o departamento financeiro da A1

Acredito sinceramente que Rui Pego pode conseguir na Antena 1 aquilo que não conseguiu na RR – aumentar as audiências.
Existe, hoje, um conhecimento do mercado-rádio suficientemente bom para saber que há coisas que resultam em audiências: uma play list ou mais informação desportiva costumam funcionar. Ou seja, a informação desportiva da RR com a play list da RFM e a Antena 1 pode crescer bastante.

A questão é outra: o serviço público diminuirá na proporção inversa das audiências. Como nunca houve uma discussão estratégia sobre o serviço público em rádio, cada director tem o seu entendimento. Legítimo. Mas o que é que a Antena 1 tem na sua grelha de programas que seja serviço público? A Antena Aberta, o Lugar ao Sul, os concertos de Armando Carvalheda e… (act: Passeio Público, aos domingos)

A Antena 1 passa menos música portuguesa do que a RR (é empírico, mas sou ouvinte regular); tem demasiada informação desportiva (mas menos do que a RR); dá mais ou menos as mesmas notícias que as outras dão, até de trânsito (ou seja, não tem uma lógica alternativa de agenda), funcionando numa lógica de concorrência pura; não fala do resto do país e não põe o resto do país a falar nacionalmente; não divulga talentos; não é difusora da cultura portuguesa, além daquela que está institucionalizada (Gulbenkian, Serralves ou as estreias de cinema); não tem ficção (a BBC tem).

Alguém pode dizer com honestidade que a Antena 1 é a rádio que promove, zela e incentiva a cultura portuguesa? Que e quanto fado passa? Tem espaços de autor (act: além de José Nuno Martins - um programa de autor é aquele em que o dito pode fazer o que entender, sem estar amarrado a um formato)? Para que é que recebe tantos milhões de euros de taxa de radiodifusão?

Como o meu conceito de serviço público não é compatível com elevadas audiências, concluo que quanto mais crescerem na futura Antena 1, mais aquele ficará confinado ao departamento financeiro!

PS – Este texto surge na altura em que a Antena 1 ultrapassou a TSF, mas isso é-me indiferente como jornalista da última (o pretexto é a entrevista de Rui Pego). Além disso, não é a primeira - nem última (25/11/04)- vez que trato o assunto. Já como cidadão…

(sugiro, a propósito, também este texto de Paula Cordeiro)

publicado em
24 de Outubro de 2005

por João Paulo Meneses


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ECT vítima de si próprio?

Sou dos que acham que um crítico (ou um jornalista) tem de ter as suas incompatibilidades muito bem definidas. E não é a primeira vez que aqui me refiro a eventuais incompatibilidades profissionais do crítico de televisão Eduardo Cintra Torres.
Ontem, no Público, o crítico do Olho Vivo conta como é que terá sido vítima de si próprio:
No sábado, 8 de Outubro, o PÚBLICO incluiu um texto do deputado do PS Arons de Carvalho em que, pela terceira vez desde 2001, ele, totalmente a despropósito, “denunciava” (a palavra é dele, em 2001) uma minha relação profissional com a Media Capital (a co-autoria de canais de música na internet); no dia seguinte e no mesmo local, voltei a esclarecer essa colaboração; e escrevi que ela não condicionava a minha opinião sobre o interesse do PS e do governo na compra da Media Capital pela Prisa.
Seis dias depois da denúncia de Arons, a Media Capital interrompeu essa minha colaboração. Desta forma, ficou satisfeita aquela que era, na minha opinião, a intenção da denúncia.
Não é a primeira vez que, em plena “democracia consolidada”, sou prejudicado na minha actividade profissional por “delito” de opinião. Mas não tenciono vergar-me a pressões e prejudicar com isso a minha consciência e a opinião que presto aos leitores
.”

(é evidente que acho censurável o caso. Mas espero que ECT continue a escrever sobre televisão - e rádio…)

publicado em
21 de Outubro de 2005

por João Paulo Meneses


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96 opiniões

Algo de especial em Cavaco

Numa altura em que cada vez mais os políticos marcam conferências de imprensa em que não aceitam perguntas ou, como o nosso primeiro-ministro, as racionam a três ou quatro, o que aconteceu ontem com Cavaco Silva foi uma coisa especial: por aquilo que percebi, o candidato presidencial respondeu a todas as perguntas e com uma disponibilidade notável.

Só espero que não seja um caso sem excepção, que - pelo contrário - isto seja para levar a sério e, principalmente, que outros políticos se inspirem no exemplo ontem dado. Para Jorge-sobre-isso-não-posso-falar-e-vocês-já-sabem-o-que-penso-Sampaio já basta.

publicado em
19 de Outubro de 2005

por João Paulo Meneses


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64 opiniões

(act) Uma posta (de quê?)

Desde o princípio que tive a preocupação de apenas escrever em português, recorrendo a palavras e expressões estrangeiras por falta de alternativas (ou de altermativas tão válidas).
Por exemplo, acho que nunca apareceu aqui a palavra “post”, a maior parte das vezes substituída por texto.

Não é que acabo de ler que postar existe em português e o seu uso é recomendado para a blogosfera?!

Act a 24/10: nem por acaso!

publicado em
17 de Outubro de 2005

por João Paulo Meneses


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abra o debate

Jornalismo petiz

Nos últimos tempos, confesso que me intriga a pose do Partido Socialista. (…)Mas também, e especialmente, pelas atitudes que o Governo de Sócrates tem vindo a tomar, contrariando na sua essência todos os pressupostos do socialismo. Que o país está a atravessar uma fase complicada é verdade, mas a solução nunca pode passar pela imposição de regras. Afinal, não são os socialistas dos principais defensores da Democracia?“.

publicado em
16 de Outubro de 2005

por João Paulo Meneses


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64 opiniões

Isto ainda é verdade?

O maior, o mais influente, o mais respeitado e temido, o mais ansiosamente esperado no fim de semana pelos leitores“.
(excerto do discurso de despedida de José António Saraiva, transcrito pelo Expresso de ontem)

publicado em
14 de Outubro de 2005

por João Paulo Meneses


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32 opiniões

Sobre as explicações de José Manuel Fernandes

partilho destas reflexões.
(o caso - para os mais esquecidos - é este!)

publicado em
12 de Outubro de 2005

por João Paulo Meneses


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32 opiniões

Saraiva

(corrigido)
Já se esperava (lembram-se da grande entrevista grande que deu ao seu próprio jornal? Foi o epitáfio dos seus 20 anos no Expresso).
Sobre a sua saída.

publicado em
11 de Outubro de 2005

por João Paulo Meneses


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Há novidades do caso da causa (interessantes)

Actualizei o texto.

publicado em
9 de Outubro de 2005

por João Paulo Meneses


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32 opiniões

Para responder a um leitor

… que me enviou esta notícia, com uma pergunta (”Afinal pode ser ou vai?“) e um comentário (”Este tipo de notícia faz-me bastante confusão…“).

Não é possível dizer com certeza que essa pessoa, ou outra, vai ser libertada num determinado dia futuro (mais ou menos distante). Muita coisa pode acontecer para que isso não se concretize. Correcto seria dizer que “tem a libertação marcada para…”.

Ou seja, alguma cautela é do mais elementar bom senso em notícias prospectivas. Nesse sentido, o “pode”, apesar de não ser muito informativo, é mais correcto.

Resposta: “Pode” ou “vai”? Pode. Comentário: não é só a si que este tipo de notícias lhe faz confusão…

publicado em
7 de Outubro de 2005

por João Paulo Meneses


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32 opiniões

(ACT) Mais do mesmo (caso…)

1) Interessante avaliar como é que este caso vai acabar. Acho por um lado que o Público vai fazer tudo o que puder para nada dizer (se não já o teria feito) e para não dar o braço a torcer. Mas vai depender muito da dimensão que o caso conseguir. Se se mantiver na blogosfera não há grande problema (do ponto de vista do Público); se passar para outros suportes (se, por exemplo, desse origem a um programa do Clube de Jornalistas…) então já seria mais difícil.
Como leitor diário e entusiasta do jornal prefiro continuar a pensar que o jornal julga ter boas razões para nada dizer (embora ache que isso é um erro).

2) Manuel Pinto pergunta “ao Público, aos jornalistas em geral e a todos nós, cidadãos, se é aceitável - e em que situações ou condições - trazer a lume matérias não suportadas em factos, ainda que verosímeis e eventualmente verdadeiras?“. A pergunta é retórica, na medida em que a resposta é óbvia: claro que não; não havendo factos não há jornalismo (a não ser no jornalismo sensacionalista, que, entre as outras características, funciona com afirmações indesmentíveis, mas que não são suportadas concretamente). Com algum senso e muita imaginação, fazíamos um jornal cheio delas (”Paulo Portas não vai votar em Cavaco Silva”; “Sócrates não gosta de jornalistas”; “Cavaco Silva acha que ganha à primeira volta”; “José Peseiro pensou dimitir-se“, etc…)

ACT a 11/10:
1) Pergunta Paulo Querido: “Que ganham com a gritaria pública do assunto os promotores da campanha?“. Para além da formulação deselegante relativamente a um acto puro de cidadania, feito por muitos leitores fieis do jornal, a resposta é evidente: eu gostaria que os jornais que eu leio tivessem mais respeito e não me tratassem como estúpido.

2) Propus a Paulo Gorjão uma última iniciativa (do meu ponto de vista) : a redacção de um texto, individual ou colectivo, a ser enviado ao jornal. Tanto poderá ser publicado como artigo de opinião como carta ao director. Mas será certamente publicado. E “pedirá” uma explicação ao jornal. Esperemos.

3) Estrela Serrano pergunta: “Será que proteger fontes que eventualmente enganaram o jornal é mais importante que preservar a sua credibilidade, assumindo o erro?

4) José Manuel Fernandes explica no Clube de Jornalistas.

publicado em
5 de Outubro de 2005

por João Paulo Meneses


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32 opiniões

Os tempos já mudaram

Antes, por boas ou más razões, um tipo escrevia um texto e, se as coisas corressem mal, havia a escassa probabilidade de alguém mandar a carta para o jornal a protestar. Rectificações só em último caso.

Agora, com esta coisa da internet e dos blogues, é tudo diferente.
Veja-se mais esta situação: uma jornalista do Público assinou um texto sobre um relatório da Comissão de Avaliação do Ensino Superior (”Cursos de Comunicação do Minho e Beira Interior bem classificados”) e as reacções não se fizeram esperar.
Madalena Oliveira e Luís Santos - de parabéns pela pontuação obtida no seu Minho - não deixaram de anotar uma série de equívocos/falhas dessa notícia.

Esta dessacralização do jornalismo e, principalmente, do jornalista (que há cinco anos era impensável…) é uma consequência muito positiva. Para os leitores, para os protagonistas das notícias e para os próprios jornalistas (que são convidados a fazer melhor).

PS - Este e aquele caso voltam a remeter para o provedor-que-nunca-mais-chega!