Textos do mês Dezembro 2005 ↓

publicado em
30 de Dezembro de 2005

por João Paulo Meneses


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Marketing vibrante!

Eu, que ao longo deste ano, tanto escrevi sobre o marketing no jornalismo (e os seus produtos associados), sugiro à comunicação social portuguesa (sobretudo a feminina…) a ousadia da revista francesa Jalouse: no seu último número, a revista que se apresenta como sendo dirigida “à des jeunes femmes libres” ofereceu um vibrador (”vibromasseur”) por mais um euro.
A edição, embrulhada em celofane opaco, esgotou!

publicado em
29 de Dezembro de 2005

por João Paulo Meneses


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(ainda) A escolha dos candidatos presidenciais

A escolha feita pela comunicação social de cinco (pré)candidatos presidenciais em detrimento de outros que estariam, à partida, nas mesmas condições, suscitou aqui dois textos e várias interrogações.
Ontem, no editorial do Público, Nuno Pacheco explica por que é que o seu jornal os excluiu:
Nestas eleições presidenciais (…) as candidaturas que se apresentam como marginais ou alternativas ao sistema sofrem de uma extrema debilidade, a ponto de não apenas darem um retrato pouco recomendável do país como ainda serem capazes de reduzir à caricatura a tal cidadania que tanto invocam“.

As dúvidas do blasfemo João Miranda fazem algum sentido.

publicado em
28 de Dezembro de 2005

por João Paulo Meneses


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Porto ouve mais 10% de rádio do que Lisboa?

Pelo menos é o que diz este estudo da Marktest. Falta é uma explicação racional: cultural, social?

publicado em
26 de Dezembro de 2005

por João Paulo Meneses


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(ACT) Três Quatro entradas para a lista de blogues de consulta (e uma saída)

Na verdade são duas três entradas (Rádio e Jornalismo, O Fim do Jornalismo e A Nossa Rádio) e uma reentrada (Mundo da Rádio)
Passarei a lê-los com mais frequência.

Sai o blogue de O Comércio do Porto. Era previsível.

publicado em
21 de Dezembro de 2005

por João Paulo Meneses


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Um Natal, duas palavras, tanta diferença


Às
6 da
tarde,
no meio
do tráfego,
as notícias
da rádio repetiam
a música desolada
das palavras de sempre:
despedimentos, corrupção,
desemprego, economia, eleições
E números, números. De súbito,
duas pequenas palavras
interromperam por um momento
,
como um sobressalto de calorosa vida,
a rotina monocórdica da amargura e da
decepção, dois insólitos diminutivos
perturbando a indiferença noticiosa
antes de serem tragados pela obscuridade
de mais percentagens e mais números. Uma
voz lia o boletim clínico sobre o estado de
saúde da bebé vítima de maus-tratos
internada no Hospital Pediátrico de Coimbra
e, inesperadamente, a frieza das designações
médicas vacilou e a voz
(a da pediatra Jeni Canha)
tornou-se de repente desamparadamente próxima
e humana: a menina está “rosadinha” e já reclama “colinho”.

As palavras são seres furtivos, capazes de sentidos onde não
alcançam, pobres deles, os dicionários. A palavra “amor”,
por exemplo, não precisa de ser pronunciada para significar, e
(como se temesse mostrar-se) revela-se quase sempre sob a forma de outras palavras ou de silêncio. O seu poder é enorme e ninguém nem nada lhe está imune (nem um boletim clínico). É, como diz Sócrates
(S. Paulo também o diz), um saber. Não parecendo, aqueles dois diminutivos são termos técnicos de uma ciência
que não se aprende em nenhuma universidade e apenas
está ao alcance dos melhores de nós.

Ma
nu
el
An

nio
Pina,
in
JN
21.12
2005

(obrigado Manuel)

O Blogouve-se volta depois do Natal

publicado em
19 de Dezembro de 2005

por João Paulo Meneses


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Um jornalista pode fazer a diferença

Gosto de pensar que sim. Que na estrutura mais pesada ou na rádio mais isolada, um jornalista pode por si próprio (ajudar a) fazer a diferença.

A entrada de Luís Osório nas rádios da Media Capital prova-o. Obviamente que haverá méritos de outras pessoas, mas a iniciativa das rádios presidenciais é muito interessante - pela pedrada no charco da rádio via internet portuguesa. Além disso, que me recorde Osório está associado a duas entrevistas que qualquer órgão de comunicação social gostaria de ter: a de Souto Moura (que até foi a manchete do Expresso de há duas semanas - e nunca o Expresso deve ter feito uma manchete com a notícia de outro órgão…) e a de Rui Teixeira, que passa hoje.

PS - A entrevista foi antecipada ontem SIC e está hoje, por via disso, por exemplo no Correio da Manhã. Procurei-a no Portugal Diário, do mesmo grupo, mas…

publicado em
18 de Dezembro de 2005

por João Paulo Meneses


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Dois ou três minutos para acertar contas…

[algumas notas sobre os desenvolvimentos que o texto anterior gerou:

1) a não identificação de crianças em situação de fragilidade, sobretudo vítimas de abusos sexuais, é na verdade um acto de bom senso - num blogue ou em qualquer outro local; daí ter corrigido a situação de imediato, como forma de atenuar o erro;

2) Mas sendo assim - e é - por que é que todos os jornais - mesmo os de referência o fizeram? Amnésia colectiva? Distracção? Não acham?

3) a partir do momento em que este blogue, pelo menos, não se assume como jornalismo, não tenho - nem posso ter - as mesmas preocupações deontológicas que teria se estivesse a fazer jornalismo: aqui sou opinativo, por vezes radical, nem sempre tão ponderado como desejaria, mas o blogue é para isso mesmo: é para eu dizer o que me apetece (desculpem a formulação) sobre o jornalismo; quando não for assim, será outra coisa que não este blogue; e quando não for assim deixará de me dar gozo fazê-lo (porque escrever aqui tem de ser sobretudo um acto de prazer - os meus reflexos quando escrevo aqui não estão tão apurados nem o grau de concentração é o mesmo; é uma limitação minha?).

4) respeito muito o que diz, nos comentários, o A.Granado, mas eu faço um esforço para separar os meus compromissos profissionais dos meus interesses bloguistas (não é possível, mas até gostaria que fossem duas pessoas diferentes). Obviamente que o limite são aqueles assuntos que dizem respeito ao trabalho jornalístico na TSF ou a responsabilidades/compromissos que possa ter assumido. Mesmo assim, não sei se o eu-bloguista já não foi, em algumas situações, longe de mais, prejudicando o eu-jornalista. Enfim…

5) outra conclusão: a reacção violenta de uma jornalista inteligente como a MJOliveira (certamente metade da que terá tido no seu próprio jornal), e que apenas conheço de ler, e a maneira como enfatizou a palavra vigilante mostram - era preciso? - que o eu-bloguista está a criar o seu clube de fãs… Sempre soube que chegará a uma altura em que não será possível continuar, mas ainda não é desta. Sim, vou tentar manter alguma vigilância crítica e a auto-crítica.

6) finalmente, e o mais importante: houve falhas deontológicas com alguma gravidade na generalidade da comunicação social portuguesa; foi, para além das próprias redacções, (apenas) no Blogouve-se que a coisa se discutiu. Só por isso valeu a pena (de entre os vários comentários, agradeço, e sem qualquer sarcasmo, à MJO ter aqui vindo suscitar a questão)]

publicado em
15 de Dezembro de 2005

por João Paulo Meneses


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E de O Comércio do Porto?

Basta consultar a página criada na ressaca do fecho do jornal para perceber que, mais do que entusiasmo, a esperança deu lugar à resignação.

Até consta que o título vai regressar, mas tanto tempo passou…

O que é que aconteceu, entretanto, aos jornalistas de O Comércio do Porto (e de A Capital, claro)?

Pelo que sei poucos estão no jornalismo. O que não quer dizer que para muitos o jornalismo seja uma porta fechada. A vida tem de continuar, de uma forma ou de outra, mas por que não aproveitar as brutais potencialidades da internet para manter a porta aberta?

O caso da Susana merece por isso ser elogiado e incentivado!

publicado em
13 de Dezembro de 2005

por João Paulo Meneses


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abra o debate

Um pequeno momento…

no Diário Económico de hoje, pág. 25:

(título) “Acções europeias deverão ganhar 11% em 2206“.

Daqui a 201 anos?

Foi engano, é 2006

publicado em
12 de Dezembro de 2005

por João Paulo Meneses


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Esta notícia cheira-me a esturro…

Grupo que matou agente da PSP poderá ser detido esta noite

Até pode acontecer que a previsão se confirme - que haja detenções esta noite - mas qual é a necessidade de divulgar detenções com pré-aviso? Além dos riscos quanto à sua confirmação, a notícia em causa parece fazer parte de uma estratégia de comunicação (da polícia? do MAI?) para sossegar alguns espíritos mais inquietos (os próprios polícias…).

Eu só escreveria uma notícia como esta se tivesse uma declaração devidamente identificada (”Segundo a mesma fonte, que não foi identificada“) ou, no limite, a fonte - embora anónima - fosse daquelas que…

publicado em
8 de Dezembro de 2005

por João Paulo Meneses


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abra o debate

A quadratura do círculo

é isto (ainda a propósito de Francisco Penim):
É inevitável que o programa da tarde sofra uma grande remodelação. Vai mudar a apresentação,o nome, os conteúdos e o horário, para ir de encontro [ao encontro] dos reformados que estão em casa, mas também dos estudantes que regressam das aulas“.

Caro Francisco: se o conseguires terás a minha admiração eterna!

publicado em
7 de Dezembro de 2005

por João Paulo Meneses


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O que é que isto quer dizer?

«Francisco Penim assinala que algumas mentalidades no interior da estação têm de mudar no sentido de tornar mais ágil a ligação entre informação e entretenimento. “Antes, não havia essa sintonia”. Essa ligação virá a reflectir-se em mais do que um programa
A interrogação de Francisco Rui Cádima faz todo o sentido. Coisa boa não me parece, mas aguardemos!

publicado em
6 de Dezembro de 2005

por João Paulo Meneses


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Isto é serviço público de rádio!

Um dos destaques Antena 2 para 2006 é Histórias do Fado. Este é o espaço para o fado histórico de Alfredo Marceneiro e da Severa, num registo de reportagem e de documentário. João Almeida, que reserva outras surpresas para a apresentação de hoje, sublinha que “pela primeira vez vai haver fado na Antena 2″.
José Duarte, autor e apresentador de Cinco Minutos Jazz, passa a ter um programa diário (de segunda a domingo) de uma hora sobre jazz, entre as 2000 e as 21:00.
O soul, a música experimental e “mais arrojada”, terá um espaço no segundo canal da rádio pública pela mão de Ricardo Saló. Já a world music entrará diariamente na grelha da estação, à hora de almoço, com João Almeida.
A palavra chave é “abrir portas a novos territórios sem pôr em causa os produtos dominantes”, a música clássica
.”

publicado em
2 de Dezembro de 2005

por João Paulo Meneses


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Cabe sempre mais um?

Garcia Pereira intentou um processo judicial para obrigar as três televisões generalistas a integrá-lo nas entrevistas e debates a realizar com os candidatos a Belém.”

Lá está: “Do lado dos candidatos excluídos é uma frustração: a comunicação social cria o paradigma e não permite intromissões (o último foi o Bloco de Esquerda!), penalizando por exemplo os verdadeiros candidatos independentes - que terão de ser heróis para conseguir reunir as assinaturas sem visibilidade pública.”

publicado em
1 de Dezembro de 2005

por João Paulo Meneses


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As (boas e más) prendas de Natal…

(está um bocadinho grande mas é uma vez sem excepção…)

Uma empresa de informática, para lançar uma nova campanha de marketing, decidiu recentemente oferecer a alguns jornalistas um leitor digital de áudio, demonstrando, com uma nota anexa, que não era possível comprar aquele produto mais barato. Eu recebi um.
O objectivo da empresa era conquistar notoriedade para esta nova campanha, tentando conseguir algumas notícias sobre. A oferta é um acto puro de relações públicas, no sentido em que desperta simpatia e pode ser uma forma de induzir à realização da notícia (cada um dos leitores custa, vi no site dessa empresa, 40 euros; se ela tiver oferecido 30 a outros tantos jornalistas não gastou, a preços de custo, mil euros; que publicidade é que comprava com mil euros? E com que resultados?).
No meu caso nem fiz notícia nem, por acaso, fiquei com o aparelho. Mas não deixo de me interrogar – agora que se aproxima o Natal – sobre o poder de sedução destas prendas. Quando é que deixam ser simbólicas (simpatia?) e passam a ser tentativas de comprar espaço mediático (corrupção)?

Vejo três respostas: o jornalista aceita tudo; não aceita nada; ou só aceita algumas das prendas que lhe oferecem. Esta última remete de imediato para a história que me contaram: consta que no Público existe um funcionário encarregado de conferir o valor das prendas que chegam à redacção (de Lisboa?). Se estiverem abaixo do limite definido pelo Livro de Estilo são entregues aos jornalistas; se forem acima são devolvidas… “De todas as ofertas deve ser dado conhecimento à hierarquia e ofertas de valor estimativo superior a 60 euros devem ser remetidas ao expedidor” (pág. 30 da 2ª edição do Livro de Estilo). No livro que escrevi para a TSF não tive coragem de impor um valor. Deixo esta citação do código deontológico da associação norte-americana “Sigma Delta Chi”: «“Não (…) aceitar nada de valor” (porque quanto mais valiosa for a oferta mais expectativas favoráveis tem quem oferece!)» (Tudo o que se passa na TSF, pág. 232).

O meu autor fetiche do momento, J. Martins Lampreia, no seu A Assessoria de Imprensa nas Relações Públicas, aborda também o assunto: “Alguns profissionais têm, por vezes, dado a este assunto uma importância exagerada, enquanto a maioria dos autores tem evitado falar nele. (…) As ofertas têm de ser sempre feitas com certa dose de tacto e de diplomacia, e sob certas condições, a fim de não provocarem melindres da parte de quem as recebe. Há que ter em conta as pessoas contempladas, a ocasião escolhida, a natureza da oferta e sua frequência.”(pág. 161)
E como não podia deixar de ser, a já clássica franqueza do autor: “a altura em que se dá um presente não deve ser aproveitada para pedir um «favor» ou um pequeno serviço». É preferível, quando isso for imprescindível, esperar pelo menos alguns dias, pois é importante que se sinta o acto de oferecer completamente desligado de qualquer ideia de retribuição” (págs. 164/165) (sublinhados meus…)

PS - Óscar Mascarenhas, num texto que publicou nesse mesmo livro de J. Martins Lampreia, equaciona um dado interessante: “Nos termos dos Códigos de Atenas e de Lisboa, um profissional de relações públicas não pode deixar-se subornar. Mas já não é certo que seja impedido de oferecer presentes tais aos destinatários das suas mensagens (nomeadamente jornalistas) que lhes amoleçam o ânimo. Pressupondo que quem tem de rejeitar o suborno é o jornalista, através do seu próprio código de ética, dispensaram os Códigos de Atenas e de Lisboa de fixar uma proibição específica de suborno aos profissionais de relações públicas” (pág. 11).