Textos do mês Março 2006 ↓

publicado em
31 de Março de 2006

por João Paulo Meneses


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31 opiniões

CORR: Uma visão arrasadora das relações públicas do jornalismo (?)

«(…) os jornais tentam ter o monopólio da intermediação entre o leitor e a fonte; por isso, apresentam todas as suas notícias de modo a que o leitor perceba sem margem para dúvidas quem é o seu autor: artigos assinados; as “cartas ao Director”; a publicidade, que em geral se distingue por si própria; a “publicidade redigida”, imitando os artigos de jornais e por isso assinalada; (…) Aquela exibição assegura ao jornal o seu monopólio da intermediação da informação escrita entre o leitor e as fontes. Os jornais só cedem o seu monopólio às agências de comunicação escondida. É um mistério sem ser um milagre que a imprensa se preste a publicar estas notícias a rogo, deixando que outros vendam às ocultas o seu espaço e prestígio, pois, sendo séria, ela própria lança dúvidas sobre a sua seriedade. Fá-lo-á porque estas notícias são uma publicidade de segunda? Porque são a condição implícita na publicidade de primeira? Porque uma ínfima minoria de jornalistas tem uma agenda oculta? Mesmo que este esquema seja um serviço público desconhecido, há um problema: o esquema é escondido ao leitor. O leitor lê uma notícia a rogo, julga ler o jornal dos jornalistas e, sem o saber, lê a publicidade oculta de um instituto público ou de uma empresa privada»
Luís Salgado de Matos no Público de 27/3/06

publicado em
30 de Março de 2006

por João Paulo Meneses


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31 opiniões

Essas difíceis imparcialidades

Na semana passada ouvi Luís Osório dizer, durante uma entrevista a Maria José Nogueira Pinto, que tinha votado nela para a Câmara de Lisboa.
Achei mal que o tivesse feito, mas avancei, encolhendo os ombros. Ontem, no entanto, Osório contou que vários ouvintes protestaram por ele o ter feito. E isso já é muito interessante, a partir do momento em que alguém decide protestar por uma questão como essa.
Estou com esses ouvintes:
- Não defendo que o jornalista seja anódino e indiferente, mas uma revelação dessas - ainda por cima durante a própria entrevista - só provoca «ruído»: distrai os ouvintes do mais importante (o entrevistado), suscita polémicas que colocam o jornalista como protagonista (e isso não faz sentido) e introduz demasiada subjectividade: Osório vai fazer outras revelações do mesmo género? Com que critério? Quando lhe apetecer?

publicado em
29 de Março de 2006

por João Paulo Meneses


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31 opiniões

Um fenómeno marginal!

Numa altura em que há perda de leitores generalizada na imprensa, há uma excepção que justifica um destaque: a Vida Económica passou de 14,344 para 15,555 leitores*.
A Vida Económica é um jornal como que à margem do «sistema»: não pertence a nenhum dos grandes grupos empresariais, está sedeado no Porto e concentra a sua atenção a Norte, não é beneficiado na distribuição selectiva das «cachas» nem tem «craques» a escrever. E contudo, onde os outros - com muito mais meios - falham, a Vida Económica triunfa!
Longa vida ao João Peixoto de Sousa e à sua equipa.

* só a Exame vende mais no mesmo mercado.

publicado em
27 de Março de 2006

por João Paulo Meneses


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(ACT) A melhor a reagir

O aparecimento, primeiro, dos canais de televisão em contínuo noticioso e, depois, das páginas de internet dos jornais provocou uma alteração no paradigma noticioso em Portugal: a rádio deixou de ser o veículo preferencial para noticiar em primeira-mão, como foi entre 1985-1995 (e isso devia-se basicamente ao facto de estar sempre em directo).
Os protagonistas passaram a escolher a SIC Notícias para noticiar na hora e os jornalistas do Público ou do Jornal de Negócios (este é o melhor exemplo) deixaram de ter de esperar pelo dia seguinte para dar a notícia em primeira-mão (correndo riscos de a perder para os diários televisivos das oito, também «atraentes»).
A rádio deixou de poder lutar de igual para igual no campeonato das «cachas» (uma redacção de 100 jornalistas envolvidos na edição do dia seguinte terá sempre vantagem sobre uma redacção inferior que tem de fazer, pelo menos, 24 edições).
Esta notícia só o confirma (embora episodicamente a rádio possa, também, ter as suas cachas).
O que resta a rádio? Se já não tem condições para ser a melhor a agir, poderá/deverá ser a melhor a reagir - avançando na hora, procurando reacções e os vários ângulos implicados, promovendo o contraponto, encontrando visões alternativas.
Isso garante o seu futuro.

ACT a 29/3/06: O caminho passa, por cá, cada vez mais por aqui.

publicado em
24 de Março de 2006

por João Paulo Meneses


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abra o debate

Cavaco e Sócrates; ver as diferenças

Apesar de haver alguns ministros que não nasceram propriamente para isso, este governo está a revelar grande capacidade de comunicar as suas políticas (todos os dias há algumas medidas, que virão posteriormente a ser anunciadas, mas que não podem deixar de ser noticiadas desde já, embora pudesse haver mais sentido crítico).

Em contraste, «Cavaco limita contactos com a imprensa». Logo nesse dia tivemos um exemplo extremamente curioso: foi o governo regional que anunciou a recondução do representante da República para a Madeira (e a Presidência da República confirmou algumas horas depois, segundo o mesmo DN).

Depois de ter lido estas duas notícias, Sócrates esfregou as mãos de satisfação”!

publicado em
23 de Março de 2006

por João Paulo Meneses


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31 opiniões

Para a definição de tabloidismo

«A “Time” fala de tudo o que é importante e a “People” de tudo o que importa pouco, mas interessa a toda a gente», diz John Huey, director editorial dos 151 títulos do grupo Time Warner Inc., no Courrier Internacional desta semana (onde também se diz que são os lucros da “People” que mais contribuem…).

publicado em
22 de Março de 2006

por João Paulo Meneses


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63 opiniões

Está promulgada a difusão de música portuguesa nas rádios

… através da «nova» Lei da Rádio (dica netFM)

E - já agora - concordo, genericamente.
Por isto*:
Best Rock FM 99 % de música estrangeira
Cidade Fm 96 % de música estrangeira
Mega FM 93 % de Música estrangeira
RFM 92 % de música estrangeira
RCP 88 % de música estrangeira
Rádio Comercial 86 % de música estrangeira
Antena 3 84 % de música estrangeira**
Rádio Renascença 65 % de música estrangeira
Antena 1 52 % de música portuguesa
Custa-me ver que a rádio do meu país tem esta atitude para com a sua música - a sua cultura.

(* resultados preliminares de um trabalho de campo, realizado durante um dia normal de emissão de cada uma destas rádios, em Dezembro do ano passado, das 8 às 12 e das 16 às 20, inserido num estudo académico que estou a fazer sobre as rádios musicais em Portugal; **ACT: o dia analisado não foi uma quinta-feira!)

publicado em
21 de Março de 2006

por João Paulo Meneses


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94 opiniões

Matar ou morrer?

O novo jornal de José António Saraiva vai sair… ao sábado!
O arquitecto anunciou-o ontem durante a entrevista no RCexP.
Ainda não se ficou a saber o nome (revolucionário, prometeu) nem a data de saída (que eu tenha percebido), mas Saraiva admitiu: o projecto é tão ambicioso e, sobretudo, revolucionário que ou será um sucesso enorme ou um grande fracasso.
A entrevista está on line e em podcast.

A pergunta: será possível que venha a ser um sucesso enorme sem matar o Expresso? Sinal de que as coisas estão mal entre as partes: Saraiva contou que «uma pessoa acaba de ser despedida do Expresso» por se ter recusado a seguir uma indicação dada no jornal para não falarem com ele.

publicado em
20 de Março de 2006

por João Paulo Meneses


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64 opiniões

O pior do Expresso é a primeira página?

Como já tinha dito, leio - quando leio… - o primeiro caderno do Expresso durante a semana (não é coisa de que me orgulhe, mas, apesar de o comprar há dezenas de anos, sinto que não estou a perder grande coisa); às vezes engano-me, mesmo que pelas piores razões!
Esta é uma daquelas coisas que fascinam…

publicado em
19 de Março de 2006

por João Paulo Meneses


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64 opiniões

(ACT) … e algumas notas minhas

Devo dizer que a resposta de José Manuel Fernandes me surpreendeu. Genuinamente. É verdade que há muitos anos que não trabalho na imprensa portuguesa, mas sempre pensei que o poder de editar uma entrevista se traduzia na escolha das frases relevantes, mas não na capacidade de pôr na boca do entrevistado coisas que ele não disse exactamente dessa forma. E invoco em defesa da minha ignorância alguns textos que aqui escrevi, antes, sobre o mesmo assunto, com a mesma tese.
Mais, há muitos anos que escrevo regularmente para um jornal português de Macau e sempre entendi a edição dessa forma: escolher as partes mais interessantes/importantes, mas - do que é citado - traduzir com rigor (sobretudo questões com alguma polémica).
Provavelmente estou desfazado da realidade e tenho de re-aprender a fazer.

PS 1 - apreciei a disponibilidade do director do Público para dar (raros, na profissão) esclarecimentos técnicos aos leitores. O jornalismo não é uma coisa de jornalistas, é de todos os cidadãos que quiserem/puderem interessar-se.
PS 2 - O tema é tão interessante que, apesar dos dois textos aqui postos, sugiro, sobretudo aos estudantes de jornalismo, uma leitura na íntegra CORR(não online) disponível aqui.

publicado em
17 de Março de 2006

por João Paulo Meneses


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Tantos erros…

Lê-se no Destak de ontem: «Marcelo com Cavaco Silva.
Marcelo Rebelo de Sousa e Manuela Ferreira Leite vão integrar o Conselho de Estado do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva. O órgão político de consulta
é composto por cinco membros
». (aqui, pág. 4)

1 - Cavaco não escolheu apenas Marcelo e Manuela FLeite;
2 - O Conselho de Estado não é do Presidente da República!
3 - O órgão político não é composto por cinco membros mas por 20!

Tantos erros em tão pouco texto! (No Destak ou no Expresso, são jornalistas que lá trabalham…)

(obrigado Rui)

publicado em
16 de Março de 2006

por João Paulo Meneses


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64 opiniões

Contra ou concorrente

Depois do Expresso ter explicado no Sábado que contra-OPA é uma coisa e OPA concorrente outra, não faz sentido continuar a insistir no erro: Se o BPI lançar uma OPA sobre o BCP isso é uma contra-OPA; se alguém lançar uma segunda OPA sobre a PT isso é uma OPA concorrente (à da Sonae).

publicado em
15 de Março de 2006

por João Paulo Meneses


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32 opiniões

Jornalismo sem pensar

Acabo de ouvir:

«O banco nortenho [BPI] ainda…»

Acredito que será apenas uma muleta rotineira, sem outra intenção, mas designar um banco com a dimensão do BPI, neste caso, como banco nortenho é uma forma de o diminuir. Ou será que aceitamos como paradigma que tudo deve ter sede em Lisboa e quando isso não acontece merece uma referência?
Não me lembro de ouvir designar o Espírito Santo como banco sulista! Mas tinha piada…

publicado em
14 de Março de 2006

por João Paulo Meneses


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64 opiniões

O JN mudou e está melhor

O JN apresentou-se ontem com nova imagem gráfica. E, a mim, aconteceu-me uma coisa diferente daquela que se passou com as últimas mudanças no Público e DN: gostei de imediato! Está mais legível, mais «amigável», mais agradável.

Mas como não posso deixar de aproveitar esta nota para lamentar que um jornal com tradições na função de provedor dos leitores não tenha aproveitado esta alteração (que também tem uma função psicológica - ver a campnha de publicidade) para reintroduzir o instituto. Manuel Pinto já saiu há meses…

publicado em
13 de Março de 2006

por João Paulo Meneses


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32 opiniões

Como assinar a HBO nos EUA?

Rogério Santos elogia a opção do Público de domingo pelas “soft news”, dizendo que «O distanciamento face à actualidade do acontecimento leva a uma leitura mais envolvente, psicológica e literária, afinal o modo mais adequado para se ler uma história».

Todos gostamos de ler, sobretudo quando temos mais tempo, aquilo que na gíria jornalítica se chama de «features» ou, na opção do Professor Traquina, as estórias. Mas por falar na edição de ontem do Público: há - em quase duas páginas de media - um artigo sobre James Gandolfini (Mr. Soprano). A propósito de quê? A sexta temporada de Os Sopranos começou ontem nos EUA!
Parece-me um exagero.