Textos do mês Abril 2006 ↓

publicado em
28 de Abril de 2006

por João Paulo Meneses


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31 opiniões

Jornalismo e patriotismo: uma questão fracturante!

Lembram-se deste texto?
A Sonda Central de Informação (um barómetro que consulta mensalmente jornalistas portugueses sobre diversas questões) perguntou este mês se:
- “«Patriotismo» e «Jornalismo» são conceitos conciliáveis?” (sim 55%, não 45%);
- “As questões de «interesse nacional» devem sobrepor-se aos critérios editoriais?” (Sim, mas apenas em casos excepcionais - 42%; Não - 51%);
- Se «no caso da cobertura da Selecção Nacional de Futebol, os media nacionais ultrapassam a fronteira do «Jornalismo» rumo ao «Patriotismo»?”(Sim, cada vez mais - 38%; Sim - 53%; Não - 7%).
Sobre esta última resposta, ela é suficientemente elucidativa; sobre as duas primeiras, resta concluir que a profissão está dividida.

(declaração de interesses: também opino nessa Sonda…)

publicado em
27 de Abril de 2006

por João Paulo Meneses


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31 opiniões

Jornalismo tipo casino (no Brasil…)

O Dalai Lama está ao Brasil.
Eis as regras para a conferência de imprensa que decorreu ontem (45 minutos):
- A seleção das perguntas será feita por meio de sorteio, da seguinte maneira: Cada jornalista interessado poderá formular uma pergunta para o Dalai Lama e deverá trazê-la por escrito – devidamente identificada com o nome do profissional e o veículo de imprensa que ele representa – entregando-a para a assessoria de imprensa, no momento da retirada de sua credencial para adentrar o auditório.
- Serão colocadas três urnas na entrada do auditório, onde ficará a assessoria de imprensa. Por conta dos temas abordados na visita do Dalai Lama, sugerimos que as perguntas se enquadrem em um dos três assuntos a seguir:Espiritualidade e Ciência; Política e o Futuro; Economia e Ética Secular.
- As perguntas serão depositadas nas respectivas urnas. A urna que estiver com um maior número de perguntas, terá prioridade, ou seja, terá um número maior de questões sorteadas.
- Após o sorteio, o tradutor pedirá ao autor da pergunta que se identifique para que Dalai Lama saiba quem a fez.

publicado em
26 de Abril de 2006

por João Paulo Meneses


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(ACT) O Expresso sai muito mal…

Depois de Cavaco Silva ter ignorado, ontem, as notas que o Expresso dizia que ele abordaria, com duas semanas de antecipação, o Expresso sai mal da história.

O caso é interessante porque este é um daqueles casos em que não há muitas fontes: como não acredito que tenha sido o Presidente, só pode ter sido um dos seus assessores. Algum deles enganou o Expresso?

Outra ilação a retirar: como dizia um jornalista com quem trabalhei, às notícias que envolvem a palavra «pode(m)»… pode sempre acontecer o contrário! Sobretudo se forem escritas com tanta antecedência - o Expresso tirou as ilações?

PS - sem grandes esperanças, procurei na página on line alguma explicação do jornal. Em vão. Curiosamente, nos comentários ao verdadeiro discurso, nenhum leitor cobra a falha ao Expresso!
O mesmo não se passa com este texto!

ACT a 27/4/06: Pacheco Pereira na Sábado de hoje (pág. 17) comenta o assunto com, genericamente, as mesmas reflexões. Uma diferença essencial: no pressuposto de que o jornal foi enganado por uma fonte de Belém, PP defende que o Expresso deveria denunciar a fonte. Eu não sou tão radical como por exemplo Joaquim Vieira, que entende que um jornalista nunca deve denunciar uma fonte porque a falha, em último caso é sempre sua, mas também não acho que seja razão para medida tão extrema. Aguardo, contudo, uma explicação, até porque, como diz PP, «o Expresso saiu da direcção anterior com uma crise de credibilidade das suas notícias de primeira página e precisa agora de reconquistar».

publicado em
24 de Abril de 2006

por João Paulo Meneses


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Um postal muito reaccionário

Uma nova revista portuguesa, sobre vinhos, que se chama Blue Wine? E que se junta a outras do mesmo grupo, entre as quais a(s portuguesas) Blue Travel, a Blue Cooking ou a Blue Living?

Evidentemente que se percebe a tentativa de impor um conceito (”Blue”) de uma editora que se chama Blue Media e há no DN de ontem um artigo que até fala em internacionalizar as revistas. Mas custa-me a aceitar que uma revista portuguesa, neste caso sobre vinhos, se chame “Blue Wine”. Escrita em português…

publicado em
21 de Abril de 2006

por João Paulo Meneses


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Não acreditar em tudo o que nos dizem (mais)

Ontem vinha no carro e ouvi vários informativos de desporto da manhã: pelo menos num ouvi dizer qualquer coisa como isto - o (pré…) candidato à presidência do Sporting Sérgio Abrantes Mendes (SAM) reuniu com o BCP e obteve garantias de que não será preciso vender o património.

Estranhei, com base em dois pressupostos: o BCP é o maior credor do Sporting; se isso fosse possível, não teria havido as trapalhadas dos últimos meses.
Depois, li a notícia e percebi: houve uma reunião no BCP e o candidato anunciou essa garantia por parte do banco.

Achei que era mais um daqueles casos em que faria sentido ser mais prudente: Sérgio Abrantes Mendes diz que o BCP…
Só encontrei essa formulação no Record («o maior credor do Sporting aceita a solução alternativa, diz o candidato»). No DN lia-se que «AM negociou com o BCP» e no Público que «BCP aprova projecto de AM»; Em A Bola, «credor abençoa o candidato», por exemplo.

Hoje em O Jogo, o administrador do BCP desmarca-se dessas declarações!

(obviamente não sei quem tem razão, coisa que provavelmente só se saberá mais tarde, mas também por isso mesmo…)

publicado em
20 de Abril de 2006

por João Paulo Meneses


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Sensacionalismo?

O sensacionalismo no jornalismo surge quando aquilo que é anunciado (geralmente nos títulos) é diferente do enunciado (no texto).

Este caso é diferente e, no mínimo, curioso:

(título)
Encapuzados levam toalhas de minimercado de Paredes
(texto)
Dois homens encapuzados e armados invadiram anteontem à tarde um minimercado em Sobreira, Paredes. «Os indivíduos estavam armados e, sob ameaça de arma, roubaram a caixa registadora e dois jogos de toalhas», contou ao Público fonte do comando da GNr do Porto. (…)” (Público 13/4/06, Local Porto)

Ou seja, levam as toalhas mas também a caixa registadora!
Confesso que foi o título que me «obrigou» a ler o resto da notícia («que raio de ladrão é que assalta um minimercado para levar toalhas?»), mas o texto introduziu aseguir alguma normalidade na situação.

A minha dúvida é: será legítimo usar «ganchos» deste tipo para prender a atenção, mesmo que depois se perceba que não foi bem assim, ou estamos perante um caso de sensacionalismo?

publicado em
19 de Abril de 2006

por João Paulo Meneses


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Audiências e vendas

A rádio é um bom exemplo de como os estudos de audiência, baseados em métodos «analógicos» (entrevistas telefónicas) se mostram ultrapassados - na televisão, a audimetria resolve muitos dos problemas.
Na imprensa dá-se um caso no mínimo curioso: há uma leitura que se deve considerar fiável, feita pela Associação de Controlo de Tiragens, e depois um estudo de audiências, feito pela Marktest (que, imagino, seja considerado pelas agências de publicidade).
Há uma máxima nesta coisa da medição da opinião pública que diz que dois estudos, feitos de forma diferente, podem dar resultados diferentes - e é o que acontece: o jornal que mais vende, o CdM, tem menos 200 mil leitores do que o segundo, o JN?
No mínimo, confuso!

publicado em
17 de Abril de 2006

por João Paulo Meneses


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Weblogue?

A propósito das mudanças do Jornalismo e Comunicação - que obviamente se saúdam, estando reunidas as condições para que se transforme no veículo por excelência da metamedia em Portugal - gostaria de deixar duas notas:

- porquê weblogue e não blogue, que é uma palavra portuguesa; weblogue é uma coisa híbrida; nem é blogue nem weblog!
- o Jornalismo e Comunicação mudou a cara mas mantém-se no blogger. Que não permite alinhar por categorias (o wordpress ou o blosome, por exemplo, permitem); enquanto não existirem, será muito mais difícil sistematizar os textos que lá colocarem;

publicado em
16 de Abril de 2006

por João Paulo Meneses


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abra o debate

Joel, um passo à frente

O jornalismo do futuro é uma incógnita, baseada nesses dois pressupostos - continuará a haver jornalismo, mas que jornalismo, uma vez que estamos a falar do futuro?

O jornalismo do futuro será multimédia, dizem. E os jornalistas também?

Eu, que venho aqui defendendo a necessidade de se melhorarem as relações com os nossos leitores, do jornalista até ao jornalismo, gostei de encontrar a página on line do jornalista Joel Neto por ser um esforço muito interessante de exposição e escrutínio aos seus leitores (os que já o conhecem e todos os outros que o encontrarem).

Claro que também a estas coisas da internet se pode aplicar a máxima do preso por ter cão e preso por não: se Joel Neto tivesse ficado quieto, não se lhe apontavam erros; como avançou para um conjunto de informações na rede é possível dizer que há desactualizações em várias informações (o currículo, por exemplo) e que falha a ligação para um programa que faz na RTP Açores.

Mas são claramente pormenores. Joel Neto está um passo à frente. Outros se seguirão…

publicado em
13 de Abril de 2006

por João Paulo Meneses


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A confissão que faltava antes da Páscoa!

Padre, perdoe-me que pequei - hoje durante o almoço li o Público, o Diário de Notícias e o JN (incluindo o suplemento económico), mais as primeiras páginas e as penúltimas do Diário Económico e Jornal de Negócios e ainda as primeiras do Semanário Económico e do 24 Horas! Sim, e sempre que posso faço isto todos os dias (e hoje não veio o Correio da Manhã…). Pior, amanhã, que não trabalho, terei mais tempo para ler estes e outros jornais, incluindo o Expresso - muito castigado terei de ser…
Terei perdão?

PS - chegarei ao paraíso por ouvir (muita) rádio?

publicado em
12 de Abril de 2006

por João Paulo Meneses


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(2xACT) A rádio, como há 30 anos!

O que é que o blogue criado pelo operador de serviço público dos EUA, a NPR e a constatação de que a rádio é o meio de comunicação com um nível de interactividade mais reduzido têm a ver?

Tem tudo a ver com a necessidade da rádio portuguesa - no caso em concreto - reforçar a sua interactividade com os ouvintes - através da internet, claro.

Um exemplo, que, aliás, vem na linha das conclusões desse estudo sobre a interactividade («Os programas de antena aberta, que muito contribuíram para a popularização da rádio, parecem estar a perder terreno») é o imobilismo que caracteriza os foruns de antena aberta (da TSF, da Antena 1 ou da RR, nomeadamente).

Nos últimos anos a única evolução foi a criação de um número «verde» nacional. É pouco.
Faria todo o sentido que programas com essas características tivessem um blogue associado, onde o tema seria anunciado em simultâneo com a emissão, onde poderia ser posto um pequeno texto e pedir comentários (para serem aproveitados/lidos - se não todos, pelo menos alguns); onde poderia haver espaço para que os ouvintes/leitores proporem e até votarem temas de próximos dias; onde os ouvintes/leitores pudessem fazer perguntas e críticas ao modo como o programa é feito.

Imagino (presunção?) que a maior parte dos leitores ache estas propostas uma boa ideia - até porque são muito fáceis de executar, além de poderem trazer novos ouvintes à rádio.

Então por que é que a rádio não dá passos para melhorar a sua relação com os ouvintes?

(Este postal insere-se numa linha de preocupações que tenho vindo aqui a desenvolve e de que este é apenas o último exemplo)

ACT a 13/4/06: Este é o melhor exemplo que conheço de aproveitamento das potencialidades da internet: Adam Carolla, estrela do Fm-talk norte-americano, tem uma página na net, um blogue, um podcast, um espaço para mensagens, uma linha de contacto e ainda algo a que chamam um “listening post”. Tudo aqui.

ACT a 17/4/06: A propósito de um comentário colocado neste postal, é justo dar conta do blogue da Prova Oral. Não cumpre todos os efeitos descritos no meu texto, mas é um (bom) sinal. E é realmente o primeiro - sendo que alguns dos comentários são lidos durante o programa. E o tema até é anunciado primeiro na internet. Faço a correcção com gosto, não só pelo Alvim (infelizmente não conheço a Raquel…) mas sobretudo porque ouço regulamente o programa!

publicado em
11 de Abril de 2006

por João Paulo Meneses


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93 opiniões

Um terceiro diário de economia

A Meios e Publicidade dá hoje pormenores sobre um terceiro diário de economia a lançar em Portugal, depois do Verão, liderado por Álvaro Mendonça.
Para além da surpresa de haver mais um diário de economia, sabendo-se das dificuldades do Jornal de Negócios e, menos, do Diário Económico para equilibrarem as contas, o texto de Adriano Nobre desenvolve a ideia do novo jornal ser… gratuíto.
«Embora ainda não seja líquido que este novo diário de economia venha a ser distribuído gratuitamente, Álvaro Mendonça garante que caso venha a ser esse o modelo adoptado, “não será uma distribuição como a dos restantes gratuitos que conhecemos”. “Será uma distribuição seleccionada e direccionada sobretudo para empresas”, explicou o director do projecto. Caso o novo diário não venha a ser distribuído gratuitamente, está também definido que “a sua colocação em banca só será feita em zonas muito pontuais”

O que me parece nesta altura é que se não for gratuíto não terá espaço (publicitário e de leitores) para vingar; se for gratuíto, vai abanar seriamente os dois que chegaram primeiro…

publicado em
10 de Abril de 2006

por João Paulo Meneses


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31 opiniões

Por um jornalismo mais rigoroso

Nas eleições presidenciais o assunto foi polémico, agora com o acto eleitoral no Sporting voltou a acontecer o mesmo (e vai repetir-se com o insólito congresso do CDS): basta alguém dizer que é candidato e a partir daí os jornalistas passam tratá-lo como tal. Muitas vezes essas proto-candidturas nem se confirmam, mas os jornalistas não querem saber disso para nada.

Alguém só é candidato quando cumpre os requisitos exigidos para tal. Antes é pré-candidato, por exemplo.

Num jornalismo tão carneirista, aplaudo o rigor desta formulação: «A deputada Helena Lopes da Costa, pré-candidata à liderança da distrital de Lisboa do PSD»

(o rigor perante os factos e os leitores/ouvintes não se ganha apenas nas grandes questões).

publicado em
7 de Abril de 2006

por João Paulo Meneses


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Semanário de JAS com redacção jovem

«Ainda segundo Saraiva, “cerca de 90% da redacção deverá ser formada por jovens jornalistas, na sua maioria recém-licenciados”, aos quais se juntarão “o núcleo fundador e mais alguns jornalistas com maior experiência”.» (fonte: Meios e publicidade)

publicado em
6 de Abril de 2006

por João Paulo Meneses


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62 opiniões

Dizer mal de quem nos paga?

Já suscitei algumas vezes a questão da necessidade de transparência nas deslocações pagas (que só o Público segue com algum rigor em Portugal; O Diário Económico, por exemplo, parece ter regredido). Este texto vem dar alguma razão:

«O eurodeputado Hans-Peter Martin insurgiu-se ontem contra o facto de o Parlamento Europeu (PE) subsidiar alguns jornalistas para fazerem a cobertura das sessões em Estrasburgo. A denúncia do austríaco divide os profissionais portugueses: uns defendem as ajudas financeiras e outros consideram-nas uma condicionante à liberdade de Imprensa (…) Jaime Duch, porta-voz do PE, revelou ao jornal britânico ‘Herald Tribune’ que são cerca de 60 os jornalistas a beneficiar dos apoios, entre eles, provavelmente, portugueses, mas neste caso as opiniões também se dividem, havendo, apenas, consenso num aspecto: não verem os seus nomes citados»