Textos do mês Maio 2006 ↓

publicado em
31 de Maio de 2006

por João Paulo Meneses


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60 opiniões

Quando sensacionalismo se confunde com tabloidismo

O título da primeira página do 24 Horas de hoje «Filho de Beleza começa a ser julgado a 3 de outubro no Tribunal de Monsanto» (acompanhado de fotografia de Leonor Beleza) é um claro exercício sensacionalista, num jornal que se reclama apenas de tabloidista e não gosta de ser acusado de sensacionalismo.

Admito que no texto da notícia houvesse referência à ligação familiar (sobretudo para responder a dúvidas do leitor sobre se haveria alguma ligação pelo apelido), mas utilizar Leonor Beleza para justificar a notícia na primeira página é empolar artificialmente o real valor dessa notícia (além de atentar contra a dignidade de quem nada tem a ver com o caso).

publicado em
30 de Maio de 2006

por João Paulo Meneses


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30 opiniões

(act) E agora algo completamente diferente

«O União da Madeira, que milita na II divisão do futebol nacional, chegou a acordo com o técnico sérvio Miroslav Curcic (…). Curcic é tido como um estudioso do futebol e fala o dialecto luso com relativa facilidade.» (O Jogo de hoje)

Act a 2/6: O Ciberduvidas está atento…

publicado em
29 de Maio de 2006

por João Paulo Meneses


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30 opiniões

Passar a mensagem sem agência

O que é que este caso demonstra, em suma? Entre outras coisas, que não é preciso ter uma agência de conselho em comunicação para conseguir fazer passar a mensagem (aliás, uma agência nunca conseguiria este feito…)

publicado em
28 de Maio de 2006

por João Paulo Meneses


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30 opiniões

Um caso para esclarecer melhor

«Há dias via peças da SIC, apresentadas nos serviços noticiosos, sobre o deslumbramento das mulheres com o futebol. Uma sucessão de peças numa sucessão de dias. Chegou o fim-de-semana e percebeu-se que afinal os serviços noticiosos da SIC tinham participado na maior campanha publicitária do BES e o tal deslumbramento das mulheres era uma operação de propaganda montada no estádio nacional. A SIC podia ter colaborado, mas preservado os seus espaços de informação (…). Como se mistura jornalismo e publicidade?»
Emídio Rangel, Correio da Manhã, 27/5/06

publicado em
26 de Maio de 2006

por João Paulo Meneses


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60 opiniões

O livro da ERC não é o livro que eu li…

Segundo se lê no DN, a ERC condena o livro de MMCarrilho por ter acusações de «carácter genérico e indiferenciado», «as acusações sem rosto lançadas contra os profissionais dos media pelo deputado Manuel Maria Carrilho no seu polémico livro Sobre o signo da verdade».

Ora se o livro de MMCarrilho tem algum mérito é o de contrariar a tendência das generalizações, apontando casos concretos - mais concretos seria difícil.

Portanto, ou eu ou Azeredo Lopes lemos um livro diferente daquele que se fala. No que eu li há (demasiadas, até) acusações com rosto!

publicado em
25 de Maio de 2006

por João Paulo Meneses


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60 opiniões

O passo em frente de LPMartins

No Público de ontem, Luis Paixão Martins fez publicar um artigo de opinião em que dá mais um contributo para a discussão - LPM aceita algum tipo de regulação, fala na necessidade de criar um novo código de conduta para as empresas de conselho em comunicação e promete, com um código de conduta interno, ser mais (*) transparente na relação com os seus clientes:

«O episódio Carrilho leva-me, no entanto, a rever a posição. Pode dar-se o caso de, mesmo com o completo desconhecimento dos jornalistas e media “envolvidos” e contra o mais elementar bom senso, existam empresas de conselho em comunicação que tendam a apresentar, no âmbito da assessoria mediática, propostas com objectivos. Podem fazê-lo em documentos formais e podem, mais facilmente, fazê-lo em contactos informais. Urge pôr cobro a tais práticas.Pode ainda dar-se o caso de haver empresas que facturem os seus serviços em função dos resultados mediáticos obtidos. É uma prática que, além de repugnante, pode induzir os clientes em erro, no erro de presumirem que aquilo que pagam não se destina a pagar os serviços da empresa, mas a pagar jornalistas. É para evitar este tipo de confusão que discordo de - e não utilizo - a expressão “agências de comunicação”, porque associo o conceito de “agência” a uma intermediação retribuída por comissão (como é a retribuição das agências de meios). As empresas de conselho em comunicação devem ser retribuídas por honorários previamente estabelecidos (e estáveis ao longo do tempo) e que se destinam a compensá-las dos recursos humanos envolvidos. A apresentação de propostas com objectivos, além de irrealista, é um expediente que prejudica a imagem destas empresas, que não ajuda os potenciais clientes a compreender o funcionamento dos media e que revela, da parte dos seus autores, uma concepção pouco séria e nada rigorosa do relacionamento com os jornalistas. O mesmo se pode dizer de outras práticas como a retribuição em função dos resultados mediáticos obtidos»

Algumas questões:
- já existe um código de conduta na APECOM - se não for cumprido, não há crise; este novo, a existir, será diferente? Em quê?
- defenderá LPM a existência de sanções para os não cumpridores?
- isso implica integrarem esta actividade profissional no âmbito da ERC, por exemplo, ou será auto-regulação?

(*) Se escrever «ser mais transparente» estarei dizer que não é suficientemente, entendendo-se como uma crítica? Se acrescentar «ainda» «mais transparente», estarei a demonstrar adesão às qualidades da empresa, entendendo-se como um elogio?

publicado em
24 de Maio de 2006

por João Paulo Meneses


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62 opiniões

Sobre as relações públicas e a assessoria

Duas coisas:

1) Em 5/11/04 (originou um texto no antigo Blogouve-se, já desaparecido) o Público noticiou que o PS “pondera também introduzir no Estatuto dos Jornalistas uma norma que impeça o trânsito sem limites (períodos de nojo ou “quarentenas”) das assessorias de imprensa para as redacções“. Caiu? Pelos vistos sim!

2) É possível ignorar uma coisa destas?

publicado em
23 de Maio de 2006

por João Paulo Meneses


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31 opiniões

Do Prós e Contras de ontem - Carrilho não resistiu

Depois de ter visto (e já ter lido o livro…) o Prós e Contras de ontem, acho que é possível fazer algumas notas finais:

- Ricardo Costa arrumou com a questão do aperto de mão, explicando com vários pormenores que nada daquilo era privado (dentro do estúdio);

- Ricardo Costa trouxe um argumento de peso, a manipulação das entrevistas enquanto ministro da Cultura; os argumentos de Carrilho quanto ao jornalismo nunca mais serão os mesmos!

- Discutiu-se pouco a questão das agências de comunicação e a necessidade de haver alguma regulamentação ética e deontológica - Emídio Rangel podia ter dado um contributo mais forte nesse aspecto (já Pacheco Pereira manteve-se fiel à sua teoria de que o livro fala de outra coisa, que não aquela que tem vindo a público, mas que não prova - a da conspiração);

Em resumo, o livro de Carrilho denuncia/aborda duas coisas que me parecem importantes:
1) a superficialidade e a trivialidade (palavras de PPereira, que subscrevo) de muito do jornalismo português, exemplificado com vários casos, que não têm sido devidamente abordados;
2) a actividade descontrolada das agências de comunicação (já agora, como vai ser com o levantamento da imunidade parlamentar pedida pela Cunha Vaz?);

O resto é espuma - e traços de personalidade de Carrilho: se me permitem, o debate de ontem mostrou bem por que é que o povo de Lisboa foi inteligente ao derrotar o candidato do PS.

PS - o Prós e Contras não teria o mesmo interesse sem público? O público, ali, aplaudindo ou até mandando bocas, dá a tal sensação de arena, que retira credibilidade ao programa. O programa teria, pelo menos, o mesmo interesse sem o público e seria mais agradável de ver (do meu ponto de vista).

publicado em
22 de Maio de 2006

por João Paulo Meneses


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31 opiniões

(ACT x 3) As velhas e recorrentes pressões que suavizam a coisa

Act a 30/5: «para Ribeiro Cristóvão esta referência é “claramente” intimidatória para o trabalho dos jornalistas. O responsável da Renascença vai mais longe e realça que esteve em Saltilho no “pós-1976 onde as relações sempre foram muito difíceis, mas a FPF nunca se arrogou ao direito de cassar * as acreditações”. Também Miguel Barroso, subdirector de informação da RTP estranha esta nota, que pontua de “ilegal” por violar “uma série de leis, nomeadamente a Constituição e o acesso às fontes”.» (DN de hoje)
*Tonar nulo ou sem efeito; anular; fazer cessar, proibindo (Dicionário da Academia das Ciências, vol1, 727)

Act a 26/5: «Hoje fiquei a saber que o treinador da selecção nacional deu uma entrevista ao seu assessor de imprensa privado para distribuir umas tiradas aos jornalistas. Nem os mais criativos assessores do governo se lembraram de um método tão eficaz para quem se julga a cima do escrutínio jornalístico. Já Imaginaram José Sócrates a dar uma entrevista a Luís Bernardo para depois a distribuir pelas redacções?». Assim?

ACt a 25/5: Ouvi esta tarde o assessor de imprensa da Selecção Nacional (o ex-futuro-jornalista Afonso Melo), em directo, na conferência de imprensa, dizer que determinada pergunta, feita por um jornalista a Nuno Gomes, não é admissível (tinha a ver com uma questão marginal ao futebol, mas ligada ao estágio - os filmes piratas que terá levado para Évora). Que Nuno Gomes dissesse que não queria responder, tudo bem; que não os deixem, sequer, responder, não é aceitável. Ninguém protestou…

«A Assessoria de Imprensa da Selecção Nacional - Clube Portugal, como responsável pela emissão das acreditações para o estágio a realizar em Évora, reserva-se o direito de retirar a acreditação a qualquer membro da Comunicação Social que não respeite o espírito de cooperação e saudável relacionamento de trabalho que presidiu à elaboração desta regulamentação»
(dica Contrafactos)

publicado em
21 de Maio de 2006

por João Paulo Meneses


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62 opiniões

… e opiniões

Obviamente que as opiniões dos acusados por Carrilho não podem ser comparadas com quem não é visado.
Mas enquanto Francisco Almeida Leite, do DN, diz que vai processar o ex-candidato (e faz muito bem), Pedro Rolo Duarte optou por mandar Carrilho à merda, Ana Sá Lopes foi mais suave e limitou-se a falar do livro do coitado do Carrilho, Pacheco Pereira fala na substância autista do livro, Marcelo garante que Carrilho não sabe perder, Fernando Madrinha diz que é «um pequeno exercício de vingança e ressentimento» e, finalmente, Vasco Pulido Valente fala num «livro ignóbil que não merece comentário».

Dos não visados, algumas opiniões que retenho (e que subscrevo):
Albano de Matos, no DN de 14/5/06: «Carrilho não tem razão em vários pontos e, noutros, usa um tom tão desbragado e leviano como aqueles que acusa. Mas tem o mérito (raro entre nós) de denunciar situações e levantar questões fundamentais para o exercício do jornalismo. Despachá-lo com um rápido insulto é perder uma soberana oportunidade para as discutir»;

Medeiros Ferreira, no DN de 16/5/06: «Depois de se ler o livro de Carrilho é impossível continuar a ignorar, por exemplo, a existência e o papel das chamadas “agências de comunicação”, um bom tema para a recém-empossada entidade reguladora da comunicação social iniciar as suas ansiadas actividades».

Miguel Gaspar, no DN de 15/5/06: «Carrilho prolonga a ilusão de ter ganho o debate com Carmona na SIC Notícias. Mas o aperto de mão negado foi sobretudo chocante por ter sido o prolongamento de um debate em que a postura do candidato socialista foi mais arrogante e agressiva do que dada ao esclarecimento de propostas.Há mais para ler do que a questão dos jornalistas neste livro, cuja tese central é a de que um conluio entre lóbis da construção, uma agência de comunicação e jornalistas travaram a vitória de Carrilho»;

Mário Bettecourt Resendes, no DN de 18/5/06: «As vestes angelicais não servem, obviamente, a Carrilho, mas é pena se se perder uma oportunidade singular para debater, em profundidade, alguns dos problemas que deveriam preocupar os jornalistas portugueses»;

PS - Opinião só no DN; repito, foi a que li. Mas isto pode querer dizer alguma coisa (pelo ao nível do impacto na internet).

publicado em
19 de Maio de 2006

por João Paulo Meneses


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31 opiniões

Aconteceu, ontem, em directo, na SIC Notícias

Jornalista - Mas o senhor também tinha empresas a trabalhar na sua campanha…
Carrilho - Quais empresas?
Jornalista - A Metris, por exemplo…
Carrilho - A Metris é uma empresa de sondagens!

publicado em
17 de Maio de 2006

por João Paulo Meneses


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O que é nacional é mau?

No Público de ontem duas páginas apenas de «Nacional»; no DN duas e meia (mais a de Marcelo) e, já agora, no Correio da Manhã três, mais duas de reportagem;

Em contrapartida, de «Internacional»: no Público quatro e meia; no DN quatro; no Correio da Manhã três e meia *.

Obviamente que não vou argumentar contra a informação internacional, mas parecem-me números muito desajustados, sobretudo para quem está a perder leitores. Duas páginas de «Nacional» no Público? Passa-se alguma coisa?

* porque uma dessas páginas é sobre a situação em São Paulo (no Público, São Paulo aparece em «Sociedade» - o que quer dizer que seriam mais duas páginas para o internacional - e no DN são as duas páginas do «Tema»)

publicado em
14 de Maio de 2006

por João Paulo Meneses


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Mais do que uma simples curiosidade

«Os jornalistas acreditados no Palácio de Belém foram convidados pelo chefe da Casa Civil do Presidente da República, dr. Nunes liberato, para um encontro informal, onde teria lugar uma conversa em “off”. O “off” significa, em jargão profissional, que jornalistas e fonte (no caso, o dr. Nunes Liberato) acordam que a conversa não é para ser divulgada. Depois de terem trocado impressões com Nunes liberato, os jornalistas foram convidados para um passeio pela fantástica varanda de Belém onde, num “acaso” evidentemente encenado, apareceu o prof. Cavaco Silva, responsável-mor pelo Palácio de Belém. Cavaco Silva dirigiu-se aos jornalistas e participou na conversa, obviamente em “off”, da qual não transpirou uma linha para a imprensa - como era natural, dado o cumprimento do acordo por parte da comunicação social. Houve uma parte, no entanto, que “furou” o embargo do acontecimento: o próprio Cavaco Silva. No órgão de informação de que é proprietário (a página da Net da Presidência da República) pode ler-se que, “no dia em que cumpriu dois meses do seu mandato, o Presidente Cavaco Silva recebeu os jornalistas portugueses que acompanham regularmente a actividade da Presidência da República”. A foto, um exclusivo do órgão de informação do prof. Cavaco, era um mimo. O encontro em “off”, afinal, até estava na agenda do Presidente e tinha uma finalidade e um objectivo precisos: aparecer em pose distendida com a imprensa, violando objectivamente um acordo de “off”. Lindo, educativo e revelador». (Ana Sá Lopes, DN de 13/5/06)

publicado em
12 de Maio de 2006

por João Paulo Meneses


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Público vs DN

Comparem hoje o trabalho do DN e o do Público sobre o novo livro de Manuel Maria Carrilho e encontrarão um exemplo de um jornal altamente motivado (o DN…)

publicado em
11 de Maio de 2006

por João Paulo Meneses


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31 opiniões

O futuro do Público

Várias notícias recentes sobre os resultados trimestrais do Público, considerados publicamente pela administradora da Sonaecom como decepcionantes, suscitam este comentário:

- o Público tem vindo a perder leitores e receitas. Se estas dependem, por um lado, daqueles, por outro estão dependentes também dos produtos de marketing associados - em tempos o Público transformou-se numa espécie de FNAC a vender livros, discos e filmes, mas depois a coisa banalizou-se e é cada vez mais difícil encontrar boas ideias para agarrar os leitores.

Muito mais preocupante é, do meu ponto de vista, a perda de leitores - apesar da aposta em suplementos (alguns falhados, como é o caso da Dia D), das reformulações gráficas, dos arranjos internos, o jornal não só não fidelizou os leitores como os tem deixado fugir.

Belmiro de Azevedo já disse que a venda do jornal não é hipótese - mas quanto tempo mais estará disponível para suportar prejuizos como os 2,2 milhões de euros do primeiro trimestre?

A questão é dramática para o Público (e para os seus leitores, como eu). As medidas anunciadas, penso, dificilmente terão resultados (mais uma renovação do grafismo, paginas a cor e até uma mudança de logotipo), a ponto de conseguirem inverter a queda. Além disso, o Público será sempre um jornal com uma produção cara.

O que resta? Uma mudança do perfil do jornal, tornando-o mais popular, o que pressuporia uma descaracterização histórica? Isso poderia trazer novos leitores, mas afastar os de sempre.
Por isso falo num dilema vital para o jornal.

PS - sou leitor do Público, desde os números zero, que vi nascer na Sonae, estava eu na abertura da Rádio Nova. Leio-o todos os dias e compro-o sempre que não estou a trabalhar.