Textos do mês Julho 2006 ↓

publicado em
28 de Julho de 2006

por João Paulo Meneses


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60 opiniões

Um bastião - do jornalês…

de um leitor desta página:
Porque carga de água, sempre que se verifica bombardeamento de qualquer cidade ou lugar do Líbano há senhores jornalistas que referem/afirmam/explicam/Justificam/desculpabilizam dizendo que se tratou de um ataque a um bastião do Hezbollah.

Veja-se no dicionário:
bastião do Fr. bastions. m.,trincheira; muro que serve de anteparo ao ângulo saliente de uma fortaleza; baluarte;sentido figurado reduto; sustentáculo.

Fico impressionado com sabedoria que exalam..
Como é que eles lograram saber/divisar/descobrir/investigar/adivinhar que aquelas cidades ou lugares são:
um muro do Hezbollah; uma trincheira do Hezbollah; uma fortaleza do Hezbollah; um baluarte do Hezbollah; um reduto do Hezbollah; um sustentáculo do Hezbollah;

Deixo aqui algumas hipóteses explicativas para tanta sapiência.
Escolha aquela que lhe parecer a melhor (ou a menos má…!!!):*
porque são bem informados*
porque foi a informação que colheram no local
porque são os dados de que dispõem
porque consultaram o CIA Fact Book
porque perguntaram ao Mossad
porque se não fosse assim… Israel não atacava
porque pesquisaram na net
porque toda a gente diz isso
porque tinham de dizer qualquer coisa
porque estão a gozar connosco
porque nos estão a chamar parolos
porque…Mãezinha…!!!

António Vilhena

publicado em
27 de Julho de 2006

por João Paulo Meneses


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30 opiniões

O Correio da Manhã é recorrente neste erro

Acontece demasiadas vezes para poder ser coincidência ou distracção. É o quê, então? Provavelmente uma atitude (mais permissiva) do jornal.

Eis mais um exemplo: a edição de ontem, esta notícia, aqui em algumas frases:
«Vampiro mata na cadeia» (título);
«Recluso mata e…» (antetítulo)
«até que matou dois companheiros de reclusão. Estrangulou-os e simulou que eles se suicidaram» (abertura);
«Bruno Filipe Gaspar estrangulou-o e arrastou o corpo para uma casa de banho»;
«Bruno Gaspar voltou a matar no último dia 3. A vítima foi Carlos Silva, de 41 anos. Também ele estava doente e internado nos serviços clínicos da prisão quando Bruno o matou»;
Mesmo aqui acho errado:«Bruno Gaspar, segundo fonte dos serviços prisionais, cortou-lhe uma veia do pescoço»

E aquela coisa da presunção de inocência?

publicado em
26 de Julho de 2006

por João Paulo Meneses


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abra o debate

As duas OPA, a publicidade e a isenção

Como este estudo ajuda a ver, a eventual compra da PT pela Sonaecom e do BPI e pelo BCP terá um impacto muito negativo na facturação publicitária dos principais órgãos de comunicação social.

Não tenho dúvidas em dizer que no interesse desses órgãos, as OPA estariam condenadas ao insucesso, garantindo assim a continuidade da publicidade da TMN/Optimus ou do BPI, por exemplo (uma vez que quem compra vai reduzir o gasto total, havendo menos marcas a publicitar).

E, contudo, sendo claramente um assunto em que a comunicação social tem interesses, não me parece que a cobertura dos factos seja tendenciosa ou comprometida com uma das partes. É, sem dúvida, um sinal de que as coisas funcionam como deviam. Com rigor, isenção e respeito pelo leitor/ouvinte/telespectador.

publicado em
25 de Julho de 2006

por João Paulo Meneses


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30 opiniões

A primeira página do Expresso

Já há algumas semanas que não há «crises» com notícias na primeira página do Expresso - e isso pode ser um óptimo sinal.

Mas há outro problema - tão grave como aquele, mas mais difícil de resolver- que Henrique Monteiro tem de enfrentar: a falta de «qualidade» das primeiras páginas do Expresso. O mesmo é dizer, a falta de notícias!

O Expresso tem cem jornalistas e uma semana para preparar uma edição - tem por isso obrigação de fazer muito melhor do que aquilo que se viu esta semana. Das cinco notícias principais:
- a manchete («Exames podem ser impugnados») é basicamente uma opinião de um especialista em direito administrativo. Ou seja, este «pode» nem é um «talvez venha a ser», mas um «se alguém quiser, é possível que venha a ser»;
- «Israel prepara invasão» é algo que vem sendo dito há vários dias;
- «Portugal tem 11 mil milionários» é um estudo internacional, mas tem um erro básico. Além de considerar milionário quem tem um milhão de euros (200 mil contos!), o que é manifestamente pouco (antes era um milhão de contos…), na peça desenvolvida (suplemento de Economia) fala-se num milhão de dólares;
- «Centro do Fundão é reserva de caça» é globalmente a mesma notícia que ouvi na TSF mais de uma semana antes!; (ninguém ouve rádio no Expresso?)
- e finalmente, a única notícia «O segredo de Sócrates» é uma peça interessante, porque inédita, mas, na verdade, limita-se quase a relatar as dificuldades que o Expresso tem tido em comunicar com alguns dos actuais ministros.

Muito pouco, não, caro Henrique?

publicado em
20 de Julho de 2006

por João Paulo Meneses


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Desisto (II)

Muito excepcionalmente, e porque achei importante perceber o que se estava a passar, perguntei ao João Marcelino, com a identificação de que publicaria a resposta, por que é que o Correio da Manhã continua a identificar a bebé.
O João diz que apenas usam os nomes próprios e nunca o(s) apelido(s). Como todos, aliás:

«Esta questão foi obviamente equacionada, tanto nas reuniões de Direcção e Chefia como em sede de reunião de editores, na qual todos os dias se discute o jornal e os temas a tratar. Foi decidido que não publicaríamos fotos do bebé nem o apelido de família. O cuidado com as normas deontológicas da profissão levou-nos até a distorcer a foto do pai, alegadamente o autor de maus tratos. Considerámos irrelevante a questão do nome próprio da vítima por razões evidentes: trata-se de um bebé e para o leitor é apenas uma referência genérica; poderia, aliás, ser esse o nome fictício.
Em termos globais, deixa-me dizer-te, ainda, o seguinte: o “CM”, como qualquer jornal, pode cometer erros, mas não acredito que nenhum outro jornal de Portugal seja tão democrático e aberto nas tomadas de decisão, tanto no assuntos escolhidos para serem tratados em cada edição como na feitura da capa
»

publicado em
18 de Julho de 2006

por João Paulo Meneses


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Acreditar em tudo o que nos dão…

Alguém acredita que a Colombia é o segundo país do mundo «onde se vive melhor e mais tempo com menos impacto no meio ambiente», ou seja onde se vive com mais felicidade? Eu não.
Alguém acredita que entre 11 países da Europa, os bancos portugueses estão em primeiro lugar, com as melhores agências bancárias (à frente da GB, Alemanha, França, Espanha ou Itália)? O BPI é o melhor d(ess)a (parte da) Europa, o Millennium está em terceiro, o Totta em quarto, o BES em 11º e a CGD em 12º. Eu não.
E contudo o «índice planeta feliz» e o índice bancário da Lafferty fizeram no passado fim de semana manchetes do Público e do Expresso/Economia, respectivamente.
Nos Estados Unidos (principalmente) mas também na Europa a indústria dos estudos e das pesquisas tem grande expressão e justifica a sua viabilidade com uma obrigatória exposição mediática. Mesmo que a credibilidade das suas conclusões seja muito duvidosa.
Reproduzir acriticamente é um dos problemas do nosso jornalismo.

publicado em
17 de Julho de 2006

por João Paulo Meneses


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O Record, Scolari e nós (III)

A explicação de JCF não me satisfaz nem acho que, ao contrário do que diz, a notícia, naquele dia, fosse verdadeira. Porque:
- antes e nos dias seguintes vários jornais (a começar por O Jogo) deram a notícia ao contrário. A culpa foi minha que acreditei no Record, mas a notícia naquele dia já não era verdadeira (analisando as declarações de Madaíl percebe-se melhor);
- a notícia não estava escrita em função de um dia, mas de vários dias, antes e depois (e era muito definitiva);
- três dias depois, JCF escrevia que «as possibilidades de o treinador se manter são cada vez mais remotas»; repito, três dias depois, quando já se percebera que só o Record tinha essa informação e que todos os outros jornais garantiam o contrário. Estavam errados?

publicado em
14 de Julho de 2006

por João Paulo Meneses


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Desenvolvimentos

daquele caso dos (novos) nomes revelados por Felícia Cabrita: depois da jornalista ter entregue ontem em tribunal um papel com esses nomes, o Público de hoje fala em «nomes de diplomatas e políticos alegadamente envolvidos em abusos sexuais» (via Lusa), o JN e o Correio da Manhã, como na semana passada, também não os nomeiam e o DN muda de estratégia e deixa de os referir.
Será porque «A juíza Ana Peres reiterou ontem um despacho de Junho de 2005 que impede os jornalistas de divulgarem os nomes de pessoas que não estejam a ser julgadas. Esta determinação aconteceu depois de Sá Fernandes ter insistido em saber que outros nomes tinham sido referenciados a Felícia Cabrita por uma testemunha que também implicou Carlos Cruz»?

publicado em
13 de Julho de 2006

por João Paulo Meneses


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Sim, anda muita gente a dormir…

Manuel Pinto pergunta se «Andará tudo a dormir?», tantas as vezes que menores vitimas de abusos sexuais são identificados. Pelo menos o Conselho Deontológico do SJ anda.

PS - ficaria muito bem ao Presidente da República se, no âmbito do seu actual roteiro, fizesse mais um alerta aos jornalistas adormecidos dos seus valores deontológicos.

publicado em
12 de Julho de 2006

por João Paulo Meneses


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Da carta de José Manuel Fernandes

o que mais me impressiona é a determinação do director do Público em não «deixar pedra sobre pedra e de questionar o que todos, mas mesmo todos (a começar por mim), fazemos em todos os sectores do jornal e da empresa».

Estou convencido de que JMF vai deixar de ser o director do Público quando as alterações estiverem concluídas - parece-me muito difícil que o director do passado («O momento que o PÚBLICO atravessa é difícil, nalguns pontos mesmo mais difícil e complexo do que os dias de crise e turbulência do resto do sector em Portugal e em todo o mundo civilizado») seja o director do futuro («preparando-se para uma verdadeira revolução nas nossas falsas certezas»), mesmo que se apresente (e isso é interessante, como a carta o demonstra) como o director do presente.
Ou seja, JMF vai liderar a transição, com todos os custos (mesmo pessoais) que isso vai significar («tudo isto em ambiente de grande turbulência, com muitas pessoas a sair e outras a entrar, como já está a acontecer e vai ter de acontecer muito mais, pois encontraremos redundâncias e sabemos que precisamos de sangue novo»), preparando o jornal do futuro.

Sobre o futuro do Público nada sei. Concordo com a análise de JMF, semelhante à de José António Saraiva, na Notícias de Sábado desta semana («com o pretexto de sermos um jornal sério, nos tornámos tão sisudos que mesmo o que é alegre noutros locais fica baço nas nossas páginas»), mas não imagino como dar a volta. E dar a volta significa confirmar os objectivos enunciados na carta aos profissionais do Público («Há novas plataformas para difundir a informação seleccionada e validada pelos jornalistas, plataformas que vão da já quase “tradicional” internet aos telefones móveis ou a dispositivos em que é possível ler num suporte digital que cabe numa pequena mala o jornal tal como é paginado em papel (e sem sujar os dedos”.»).
Como membro da direcção do clube de fãs do Público estou a torcer pelo sucesso do jornal.
(citações da carta, aqui na íntregra)

PS - «porque é que o Público, ao pretender colocar-se em questão, não leva o seu exercício mais longe e coloca a questão ao público?»

publicado em
11 de Julho de 2006

por João Paulo Meneses


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Para mais tarde analisar

Ontem, em mais uma sessão do casa Casa Pia, uma testemunha, nem mais nem menos do que Felícia Cabrita, revelou que uma fonte identificada lhe falou em nomes (muito) importantes da vida pública portuguesa que estariam ligados ao caso, nomes não envolvidos (pelo menos até agora). E Felícia disse-os na sessão.

O que fizeram os jornais de hoje?
O DN revela esses nomes;
O JN e o Correio da Manhã não.
E o Público, pura e simplesmente, não noticia nada da sessão de ontem (o tratamento do caso Casa Pia no Público merece ser analisado em pormenor, depois de a jornalista que o acompanhava ter sido substituída por um jovem jornalista - mas não é este o momento para isso).

Penso que a opção do Diário de Notícias precisava de ser explicada - talvez José Carlos Abrantes o consiga. A do Público também.

publicado em
10 de Julho de 2006

por João Paulo Meneses


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Por coisas como esta é que defendo sanções profissionais

O Tal e Qual de sexta-feira publicou, com grande destaque, uma reportagem sobre uma família de Baião que para fugir às ameaças de violência física do pai, se refugiava na mata (mãe e quatro menores, um deles com meses).
O problema é que o Tal e Qual publica uma foto em que se vêem perfeitamente os menores. E isto é inadmissível.

Pior: o caso tornou-se do domínio público porque um cidadão, que passeava no local, descobriu a situação. E denunciou-a na comunicação social [fiz uma peça na TSF sobre o caso]. E foi ele que fez a foto. Mas uma coisa é essa imagem servir para denunciar o caso, credibilizando o seu alerta (até pela quantidade de lixo que circula pela net); outra é um jornal (re)publicá-la.

Sem hesitar, venham daí as sanções…

publicado em
9 de Julho de 2006

por João Paulo Meneses


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Excelência de quê?

Dez menos cinco da noite de sábado. Chego a casa e quero saber quanto ficou Portugal. À última informação ainda faltavam quinze minutos para o jogo acabar. As rádios estariam com a emissão do relato e não teriam noticiários à hora certa. Procurei a SIC Notícias por me parecer a forma mais directa. Primeira notícia: Ramos Horta vai ser primeiro-ministro (ouvi isto a seguir ao almoço). Segunda notícia: incidentes na Palestina. Não quero crer. Deve ser já a seguir. Terceira notícia: qualquer coisa na Arábia Saudita com a al-Qaeda. Então? Quarta notícia: Portugal perdeu por 3-1 com a Alemanha. Estou parvo. Só não é a última notícia das 22 porque há ainda umas imagens da preparação da França e da Itália para o jogo de hoje. Paro uns instantes e penso: se calhar o jogo acabou muito em cima e não tinham as imagens. Não desculpa não ser a notícia de abertura, mas poderá ter faltado algum «jogo de cintura» à pivô para voltar ao assunto alguns minutos depois. Só pode ser isso. Mas uma hora depois, o jogo da selecção voltou a ser a quarta notícia do alinhamento (as duas primeiras iguais e a terceira um incêndio em Alenquer). Pelo meio os 60 minutos. Mário Crespo eloquente: nesta excelência constante de conteúdos que é a SIC Notícias. Constante…

publicado em
8 de Julho de 2006

por João Paulo Meneses


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Respeitar mais os leitores

Leio, no Courrier Internacional da semana passada (nº 65) um texto do The Independent sobre Rageh Omar, a estrela da BBC que o canal internacional da Al Jazira foi contratar.
Diz Rageh:
«Agora, é ele que, aos 38 anos, põe em dúvida a sinceridade das reportagens [feitas no Iraque], acusando os ‘media’ de não informarem suficientemente o seu público sobre o modo como elas são preparadas. “Alguns de nós são culpados de fraude para com o público britânico”, diz. “Sinto-me muito incomodado com o facto de não acompanharmos as reportagens sobre o lraque de advertências, porque não o fazer dá-lhes credibilidade [sic*]». Omaar afirma ter falado com vários correspondentes veteranos de diferentes órgãos de informação que “não sentem vontade” de voltar ao lraque, porque acham que não podem fazer o seu trabalho correctamente. “Quando um apresentador anuncia que Rageh Omaar, ou X, fez uma reportagem a partir de Bagdade, isso não é verdade, porque eu nunca filmei no local. É demasiado perigoso. E não fui visitar as diferentes regiões, porque é demasiado arriscado”. Chegou a altura, acrescenta, de “os ‘media’ assumirem as suas responsabilidades” e reconhecerem que um grande número das imagens que ilustram as suas reportagens foram rodadas por «free-lancers» anónimos, enquanto os jornalistas ocidentais ficam em segurança na zona verde de Bagdade. Omaar receia que o público se sinta traído, se, um dia, algumas organizações não-governamentais revelarem atrocidades ou escândalos».

* Penso que, pelo sentido da frase e do texto, a tradução correcta seria «porque não o fazer retira-lhes credibilidade»; a consulta da versão original obriga a registo.

publicado em
7 de Julho de 2006

por João Paulo Meneses


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ACT Como uma grande notícia passa ao lado…

Esta manhã, ao acordar, os portugueses tinham duas notícias relevantes nos noticiários das rádios nacionais: os milhões que o fisco deixou de cobrar e o adeus de Scolari (exclusivo do Record). Às oito, nomeadamente, esta notícia não teve grande destaque. Depois, às nove, tive o cuidado de varrer com atenção os noticiários da TSF, Antena 1 e RR, tal como os noticiários desportivos seguintes. E com excepção da Renascença (Bola Branca das 9h32), o assunto não mereceu o devido destaque (na RR, o representante de Scolari fazia uma espécie de desmentido).

A menos que eu esteja muito confuso, e não perceba nada disto, neste contexto de actualidade, a saída de Scolari, depois de tantas juras de amor eterno, é notícia de primeira página em qualquer noticiário. Mas, estranhamente, não lhe foi dada uma importância proporcional. Nem de perto nem de longe.

Pensei em algumas explicações e só encontrei uma: os jornalistas com responsabilidade de edição esta manhã na RR, TSF e ANtena 1 acharam que a notícia não tinha credibilidade.

Pois, se foi assim, acho que fizeram muito mal.
Primeiro, a notícia está escrita de forma inequívocafará amanhã o seu jogo de despedida»; «deverá dizer que vai abdicar de continuar»; «a decisão estará tomada») e apresenta vários argumentos que - vou arriscar - só podiam ter sido dados por Scolari ou por alguém, por ele;
Segundo, a notícia é manchete do Record. Nenhum jornal arriscaria fazer uma manchete como desta, neste contexto, se não tivesse a certeza (isto é, se a certeza não lhe tivesse sido dada…);
Terceiro, e mais importante: a notícia foi escrita por José Carlos Freitas. Não estamos a falar de um jornalista qualquer da redacção do Record, mas do jornalista mais bem informado sobre a selecção nacional de futebol, antigo assessor de imprensa da Federação. Lembram-se quando a lista dos convocados para o Mundial foi divulgada três ou quatro dias antes em exclusivo pelo Record? Foi José Carlos Freitas quem assinou. E acertou em cheio.
É preciso dizer mais alguma coisa?

ACT: «Desminto categoricamente essa notícia» disse há algumas horas Gilberto Madail. Mas Madail não pode desmentir uma notícia da qual nada sabe. Quando muito pode desmentir que haja uma reunião entre ambos na terça. Por isso me parecem mais acertadas as noticias do Mais Futebol ou do próprio Record (curiosamente muito iguais), no sentido em que o jornalista não é o mesmo que retransmitir o que é dito. Jornalista é avaliar, interpretar, seleccionar, contar. Se fosse apenas para retransmitir não era preciso… jornalistas!