Textos do mês Agosto 2006 ↓
Demasiados avançados e escassos defesas
Já não é primeira vez que o digo e - temo - não será a última: o plantel está muito desequilibrado, entre defesa e ataque. Temos 10 homens que jogam na frente, mas pelos vistos não há defesa-direito de raíz (ou alguém que possa libertar Niquinha para onde ele faz mais falta - e se Laércio vai ser titular, Delson sairá).
O que fazer com Chidi e Keita, Ronaldo e Costé, Samson e Pires, Evandro e Fábio Coentrão, Gama e Agostinho (se parece pouco provável que Gama venha a ter hipoteses, já o mesmo não se pode dizer de Agostinho; caso contrário…)?
Jogam três, com mais três no banco, quatro nem convocados serão (ou então vamos ter avançados a jogar à defesa…).
Já não vou discutir a questão da quantidade não ser sinónimo de qualidade, mas preocupa-me, com o avançar do campeonato, as lesões e os castigos na defesa.
Como é que vai ser?
Como ainda há alguns dias até ao fecho das inscrições e, pelos vistos, há dinheiro fresco vindo da Luz…
ACT De grátis e de borla!
Henrique Monteiro bem se esforça por dizer que as próximas alterações nada têm a ver com a chegada do Sol, mas com o último número ficámos a saber que o Expresso vai dar* um DVD em cada sábado, de 9 de Setembro («Lost in Translation») até 28 de Outubro («Rapariga com brinco de pérola)!
Ou seja, nesta altura, Expresso, 1 - Sol, 0 (ficamos à espera da resposta, caro arquitecto…).
* Por outras palavras, oferecer!
ACT a 31/08/06: O Expresso não está para brincadeiras. 200 mil de tiragem no dia 9 de Setembro (e outros tantos DVD) e mais de 5000 muppis ocupados com a campanha de publicidade… para não deixar o Sol respirar. Enquanto não começa a campanha de publicidade na televisão, o Sol vai dando bonés nas praias aos «leitores do futuro», como diz Saraiva (aqui).
1ºj - Varzim - Notas
Melhor em Campo: Fábio Coentrão. Não é pelo potencial ou talento. É pelo facto de ter sido quem mais desequilibrou.
Outros destaques: Laercio. Parece um brasileiro atípico, do género Niquinha, tem técnica mas não prende a bola, é objectivo. Promete!
Treinador: 1 . Porque não gostei do onze inicial, porque não gostei das substituições, porque não gostei da segunda parte.
1ªj - Varzim… de coentrão
(aqui vai, de rajada):
- Para o Varzim empatar em Vila do Conde é uma vitória; para o Rio Ave empatar com o Varzim é uma derrota; saí dos Arcos derrotado;
- único consolo: o Varzim não jogou nada e ao menos, na primeira parte, quisemos ganhar o jogo; só o Rio Ave mereceu ganhar, ao contrário do que diz HG;
- A segunda parte foi lamentável, demonstrando que Chidi & Keita, juntos, não dão um jeitoso…
- Dos reforços só gostei de Laércio. Pode vir a ser um bom jogador; Ronaldo e Costé? Costé pode regressar ao Varzim…
- Evandro outra vez terceira opção no banco? Onde é que já vimos este filme? É assim que se vai dar confiança ao jogador?
- Eusébio continua a desiludir: primeiro teve de recorrer a Niquinha para a defesa; com tantas contratações , não há um defesa-direito? depois, nas substituições, demonstrou falta de ambição (avançado por avançado);
- notas positivas: André Vilas Boas (está muito mais confiante e «ameaça» fazer uma grande
epoca), Laércio, Danielson e Fábio Coentrão (e Niquinha). Mora não teve trabalho, mas irrita aquele estilo pseudo-artístico, sempre demorado, a repor a bola (mesmo quando empatado…).
NOTAS «Reis do Ave»
- Melhor em campo: Fábio Coentrão - é evidente que é muito inexperiente (este terá sido o jogo de mais responsabilidade da sua carreira de profissional…), que comete erros um pouco infantis, mas o prémio de melhor em campo não é dado pelo seu potencial, mas pelo que jogou. Foi, apesar de tudo, o melhor em campo. Aliás, JEusébio só não tem zero porque meteu Coentrão a titular…
- Outros destaques (quase-os-melhores-em-campo): André Vilas Boas e Laércio
- Treinador (notas de 0 a 3): 1 (pela falta de soluções, de ousadia, de ânimo e pela segunda parte)
O que pode ser pior do que empatar com o Varzim?
1 - passar a noite a ouvir a música do Azurara Beach Party e ter de acordar às 7 da manhã para vir trabalhar (son of a… beach!!!)?
2 - trabalhar rodeado de varzinistas e não poder entrar ao serviço com ar de superioridade e ser sacana ao ponto de nem sequer gozar com eles?
3 - perder com o Varzim em casa?
Pontos Perdidos
Só houve futebol na primeira parte do jogo, quando jogámos a favor do vento. E, nesse período, tívemos excelentes oportunidades para marcar e deixar o jogo inequivocamente resolvido a nosso favor. Com o vento contra na segunda parte fomos perfeitamente inócuos, mas o nosso adversário também não foi capaz de capitalizar essa importante ajuda.
Fomos superiores enquanto houve futebol e daí termos perdido pontos. A equipa parece ter embalagem para uma boa época, mas ainda tem algumas falhas. Niquinha, por exemplo, não pode jogar a lateral direito mas sim no meio-campo onde Delson e André Vilas Boas produziram pouco e não foram capazes de ajudar o interessante Laercio. Mora: perder tanto tempo com o jogo empatado, porquê?
No ataque, Fábio Coentrão merece destaque. (Onde andou tanto perdido na época passada?) O franzino extremo-esquerdo ainda comete erros próprios da juventude, mas tem futebol que promete uma época em grande. Os desequilíbrios passaram quase sempre pelos seu pés.
Nota final: o vento hoje só permitiu meio jogo. No próximo jogo em casa, espero que não esteja presente. Não faz falta nenhuma assim tão forte.
Marquinhos de partida
O Jogo diz hoje que Marquinhos volta ao Brasil, emprestado pelo Rio Ave (a notícia está aqui).
A partida do irmão mais novo de Niquinha tem, do meu ponto de vista, algum simbolismo - e depois do que se viu no jogo de apresentação nem surpreende de todo.
O simbolismo resulta do facto de, para mim, Marquinho representar a temporada de António Sousa no Rio Ave da época passada - Marquinhos (como Chidi) foi uma insistência, uma aposta, uma teimosia do ex-treinador (e talvez esteja a pagar a factura dessa irresponsabilidade).
Marquinhos não demonstrou qualidade para ser titular do Rio Ave, ainda por cima num lugar de extrema visibilidade como a médio de ataque.
Sendo um jogador novo, acredito que volte mais maduro e capaz de responder. Mas - sinceramente - não lamento a sua partida. E acredito que quem fica fará com mais qualidade esse lugar
PS - e vamos lá ganhar ao Varzim!
Vamos ter Liga?
Acabo de ler isto no Mais Futebol:
“O Leixões quer o lugar no Gil Vicente na Liga devido ao «Caso Mateus».
O clube de Matosinhos vai expor a sua posição esta sexta-feira na sede da Liga de Clubes, defendendo que deve subir ao primeiro escalão e não ser o Belenenses, que desceu desportivamente, a ocupar essa vaga.
O presidente do clube de Matosinhos, Carlos Oliveira, afirmou esta sexta-feira de manhã que o clube «está a ser prejudicado».
O Leixões ficou em terceiro lugar na última edição da Liga de Honra.
A FIFA enviou hoje um faxe à Federação Portuguesa de Futebol a exigir a resolução do caso e esta já pediu à Liga de Clubes para intervir. Ontem, o Tribunal Administrativo de Lisboa mandou suspender a descida do Gil Vicente, mas agora, de acordo com a FIFA, arrisca suspensão imediata.”
A Liga inicia-se hoje, a Honra durante o fim de semana. A 1ª jornada faz-se (toda? E os jogos de Gil e do Belenenses?…), mas o campeonato pára por causa da selecção por este andar fica suspensa por tempo indefinido! Ninguém se entende!
ACT As notícias, a voz e a rádio
Esta notícia (e também esta) parece indicar um novo caminho na forma (futura) de apresentar os noticiários na Antena 1. De acordo com esta frase de José Mário Costa, a ideia é que “só poderá voltar a dar notícias (…) um bom comunicador a ir ao microfone e não um editor”.
Como o título deixa perceber, a ideia é um pouco regressar ao passado, quando quem lia as notícias eram «apresentadores» e não jornalistas (por outras palavras, os jornalistas escreviam e os «apresentadores» liam).
Esta ideia suscita-me muitas reservas (por isso se fala em «vencer as resistências»…) : concordo que a democratização no acesso ao microfone por parte dos jornalistas de rádio baixou muito o paradigma de qualidade (e que as funções de um editor vão muito além de ler as notícias), mas entre isso e ter alguém que não é jornalista a ler um noticiário, prefiro claramente a primeira opção:
- um «apresentador» pode ler as notícias que alguém escreveu (ou até as pode escrever), mas quem faz as perguntas num directo?
- o «apresentador» também as escreve? Com que autonomia?
- perante uma notícia de última hora, que exige improviso, contexto, sangue-frio, domínio mínimo do assunto, adia-se para o próximo noticiário?
- o «apresentador» é um jornalista (à luz da lei, ler os noticiários é uma actividade jornalística)? E qual o seu grau de autonomia? Pode sair do alinhamento do noticiário para referir um golo de um jogo que está a ser transmitido na televisão, por exemplo?
- será que estamos a falar do «locutor absolutamente neutro, despessoalizado, mero «instrumento de estúdio»?
Para concluir, e entre extremos: entre uma excelente voz, que jornalisticamente pouco produz, e uma voz normal, mas que tem garra e intuição jornalística, prefiro sem dúvida a segunda hipótese.
Qual é a solução? Do meu ponto de vista, melhorar a formação dos editores no desempenho vocal (quando necessário) e criar equipas em que sobressaia a figura do produtor: tendo a confiança profissional do editor, e em sintonia, o produtor deve ser o prolongamento do editor não só quando este está a ler as notícias (ou melhor, em sentido mais vasto e ambicioso, a editar) mas também quando está a escrever ou ocupado a ouvir uma peça.
PS - a ideia de formar jornalistas é altamente meritória e a RDP esteve bem em concretizar a aposta.
ACT a 30/08/06: recebi hoje um (longo) comentário/resposta de José Mário Costa a este texto. Está aqui na íntegra. E aqui fica um excerto: «o que digo, e defendo há longos anos, é que a rádio portuguesa só se libertará da sua miserável subordinação às agendas organizadas e à colagem às notícias dos jornais (escritas na véspera!), ainda por cima repetidas “ipsis verbis” até ao enjoo absoluto – ou, não raro, até ao seu próprio desmentido – quando adoptar o mesmo modelo de organização de qualquer televisão… em Portugal»
Miguelito no Benfica
Acabo de ler n’A Bola que Miguelito concordou em transferir-se para o Benfica.
Quanto nos toca em dinheiro deste negócio?
Ou será mais um daqueles em que vamos ficar a ver navios? Já nos basta o símbolo do clube…
O regresso do infeliz Paraty
Depois de, na época passada, nos ter desgraçado no jogo com o Benfica (que marcou, não por acaso, o princípio do fim), Paulo Paraty regressa a Vila do Conde.
Como a memória está muito fresca, e aquela arbitragem foi mesmo muito sabuja*, não é - do meu ponto de vista - bem vindo, mas resta esperar que o Rio Ave não volte a ser prejudicado quando Paraty apitar…
* Melhor exemplo: o golo de Mantorras foi obtido de forma absolutamente irregular (pé em riste)
A ameaça de Horácio Gonçalves
Eis o que diz aquele treinador que passou por Vila do Conde e teve de ser mandado embora e agora é treinador do Varzim:
«Nós vamos invadir Vila do Conde» (no Record de hoje)
PS - Também diz que «é um momento único ser jogador do Varzim numa partida com o Rio Ave». Vá lá, reconhece…