Textos do mês Setembro 2006 ↓
A Notícias Magazine de domingo passado tem uma entrevista (muito interessante, aliás) com o ministro da Educação e da Ciência da Finlândia. É a capa e mais seis páginas no interior, assinadas pela directora.
Ao ler a entrevista fiquei com a ideia de que foi feita por e-mail: perguntas enviadas, respostas na volta (percebe-se isso pela rigidez das perguntas, que não interagem com as respostas).
Seria importante dizê-lo aos leitores? É certo que em nenhuma parte se diz que a jornalista foi a Helsínquia entrevistar o ministro finlandês, mas será isso suficiente? A questão fundamental parece-me ser esta: dizê-lo retira interesse à entrevista e, portanto, leitores?
Não é a primeira nem será a última vez que deixo aqui críticas à ligeireza instalada no discurso dos animadores de rádio - aquilo a que chamo, aqui, de treta.
Ontem ouvi um dizer: «A nova [música] de Marisa Monte». E disparou uma das novas 14 músicas de um dos novos discos de Marisa Monte.
Porquê «a nova»? É tão nova como todas as outras, que foram editadas ao mesmo tempo (não é portanto uma antecipação ou um single de um disco que cirá depois…)
A equipa ganhou mas o Olivais e Moscavide é provavelmente a pior equipa da segunda liga; pior, ganhámos mas ainda sofremos no final; falhámos muitos golos? Sim, mas porquê? Apenas pela falta de qualidade dos avançados? Também pela falta de tranquilidade da equipa? Podia falar de Keita ou Chidi, mas veja-se a quantidade de disparates feitos por Pires enquanto esteve em campo.
Nas bancadas - percebe-se isso claramente - são cada vez mais os que pedem a saída de Eusébio. E o treinador está - do meu ponto de vista - a prazo: depois de na época passada não ter conseguido nada de jeito, este início de época está a ser muito mau. Até quando?
A equipa é uma manta de retalhos: contratam-se avançados para jogarem a defesas direitos; experimentam-se jogadores em várias posições (quando é que Vítor Gomes será guarda-redes?); os jogadores discutem em campo, precipitam-se, arrastam-se sem serem substituídos.
Mais pessimista não podia estar - estamos apenas à espera. Que a equipa arranque uma grande exibição em Chaves (e ganhe…) ou que surja uma nova derrota e o treinador seja obrigado a demitir-se. À espera de quê?
PS - peço desculpa pelo atraso na colocação destes dois textos, mas nem sempre é como queremos…
Também destaco o André Vilas Boas como o melhor em campo, confirmando por um lado a subida de forma (e de confiança) e por outro que temos ali um central de grande qualidade (jogou assim muitas vezes na selecção).
O Niquinha merece o outro destaque: é melhor no meio campo do que na ala direita, mas este homem não sabe jogar mal; tem uma força e uma determinação incomparáveis.
Eusébio continua a merecer nota zero. Escalar uma frente de ataque com Chidi e Keita é um contributo para o anedotário futebolístico. Fábio, infeliz e inseguro, devia ter sido substituído, porque o miúdo esteve a ser queimado em lume brando durante toda a segunda parte; Samson a defesa direito?
Já o escrevi várias vezes e só volto ao assunto porque Pedro Fonseca recupera o assunto no seu Contrafactos. De facto, para mim, trabalhar no Avante (ou no Povo Livre…) e ter carteira profissional de jornalista é incompatível (e, por extensão, ser dirigente sindical). O Avante não faz jornalismo - publica «press releases» do Comité Central do PCP. E a actividade de portavoz/relações públicas é incompatível com o jornalismo.
O Expresso ganhou.
Vou tentar explicar porquê:
- cada um dos jornais tinha o seu exclusivo na manchete, mas a carta de Sócrates para Marques Mendes é «mais notícia» do que a casa apreendida de Isaltino (no Sol); [aliás, o governo tratou de dar uma notícia a cada jornal, uma vez que o Sol trouxe as dotações orçamentais de cada ministério para 2007; e se contarmos com as urgências que o Ministério da Saúde quer fechar – para mim, essa seria a grande manchete do Sol, porque mexe com a vida das pessoas e marca a agenda – há até mais investimento governativo no novo jornal];
- Expresso e Sol investiram no dia seguinte à morte da investigadora portuguesa na Amazónia. Mas a peça do Expresso é muito mais completa (sem nenhum deles ter ido ao Brasil…);
- Maria Elisa também fazia o pleno nos dois jornais; melhor, porque mais completa, a peça do Expresso;
- O Sol marcou pontos com um frente a frente insólito: o ministro do Trabalho e o líder da CGTP; mas o Expresso também tinha uma carta para jogar: juntou Luís Felipe Scolari e Fernando Pinto, presidente da TAP, os dois brasileiros mais importantes de Portugal…;
O Sol desiludiu? Não O primeiro número, por ser muito preparado, não faz a média e é preciso esperar para ver o que vale o jornal em velocidade de cruzeiro. Mas é certo que tem estórias para ler. E isso é importante. Como se esperava, há muitas «futilidades» e quatro páginas de televisão (mas pouca informação). O melhor do Sol? A entrevista a Maria Filomena Mónica na página 2. O pior? O excesso de cor, diferente de título para título. O jornal parece um arco-íris.
PS 1– nesta avaliação falta a revista do Sol; no meu quiosque já não havia…
PS 2 – Pretendo, se nada em contrário acontecer, avaliar dez semanas de concorrência directa. Veremos o resultado no final…
ACT a 18/9/06: «É constrangedor ter que se escrever um comentário deste tipo sobre um jornal cujo primeiro número ainda nem sequer foi distribuído. A gravidade dos erros exige uma chamada de atenção, mas tome-se o comentário como uma crítica construtiva. Lamentavelmente, não há um único parágrafo sem erros naquela notícia e o «lead» é um delírio total» (JAG no CdJ)
Melhor em Campo: André Vilas Boas. A central esteve irreprensível, não percebi se esteve envolvido no lance do golo adversário, mas até deu para marcar o 2-0. Espero que se fixe nesta posição que foi até agora aquela onde mais gostei deo ver actuar.
Outros destaques: Samson. Jogou pouquissimo tempo, mas enquanto jogou furou pela ala direita como ninguém até então tinha conseguido fazer. A rever.
Treinador: 1. Eusébio, apesar de todos os condicionalismos que referiu na conferência de imprensa, precisa de colocar o Rio Ave a exibir-se a outro nível e com outra segurança.
Acabo de regressar do estádio e ouvi agora mesmo J. Eusébio dizer que o Rio Ave realizou uma boa exibição. Não concordo com o treinador. O jogo foi uma repetição do jogo com o Varzim, na primeira parte oportunidades criadas, mas falhadas, futebol razoável , mas um descalabro total no segundo tempo. Também não concordo com o treinador quando diz que se tivessemos vencido por uma diferença considerável estaríamos todos satisfeitos. O facto é que o adversário é muito inexperiente e facilitou muito a vida aos nossos jogadores. Com outra matreirice, depois de terem conseguido o 2-1, iria ser muito complicado aguentar a vitória.
O termo certo é desequilíbrio. Eusébio referiu ainda que a equipa precisou de ser “remendada” em alguns sectores, mas, Sr. Treinador, a altura de prever esses remendos é na pré-época quando se faz a escolha do plantel. Não é desculpa dizer-se que não se pode inscrever jogadores nesta altura. Porque razão se inscreveu então Pires, um médio\extremo, Samson, em teoria outro médio\extremo, quando nas laterais defensivas não temos alternativas aos titulares Milhazes à esquerda e ao adaptado Niquinha à direita?
E foi impressão minha, ou o canhoto Samson até estava a defesa direito?
Abro uma excepção ao tema central destes textos (a equipa de futebol sénior do Rio Ave) para falar da mudança de horário do Estádio da Avenida - um dos mais antigos programas da rádio desportiva portuguesa.
E faço por duas razões - porque o Paulo Vidal merece uma palavra de apreço pelo trabalho, semana após semana (em condições adversas para quem quer fazer jornalismo local) a falar do Rio Ave; o programa mais bem informado sobre o nosso Rio Ave passa a estar no ar entre as 18 e as 19, às segundas e à sexta. Mas faço-o também por razões afectivas: como director de programas da extinta Rádio Vila do Conde criei esse espaço em 1988 (quase 20 anos) e não tendo nada a ver com a Linear há mais de uma década, continuo a acompanhar o trabalho da equipa desportiva.
Força Paulo, vou ouvir-te na net!
… a médio centro que vai resolver o problema do Rio Ave. Pode ajudar num ou noutro lance, mas a questão é bem mais vasta, é de rendimento psicológico, de motivação aplicada aos objectivos, de liderança, em suma.
E isso é bem mais difícil do que escalar um onze, fazer uma substituição ou treinar um lance de bola parada.
Haja fé!
Aqui fica a minha previsão:
- O Sol não vai ser líder ao fim de um ano (daqui a seis meses venderá cerca de 50 mil exemplares);
- O mercado vai acomodar o Sol e o EXpresso;
- O Expresso vai estacionar nos 100 mil;
- O Sol vai distinguir-se pelas manchetes políticas;
- Daqui a seis meses o Sol será um pouco diferente daquele que vamos conhecer amanhã (haverá uma evolução mais tablóide);
E mais não digo!!!!
Como nunca mais se falou na mudança anunciada pelo Rádio Clube (ex-Português), aqui ficam algumas perguntas que pretendem suscitar a questão:
- o modelo é mesmo o da Cadena Ser (a Cadena Ser é, provavelmente, a estação de rádio mais cara da Europa, mas também a de mais sucesso)?
- haverá espaços informativos alargados?
- farão relatos de futebol?
- o concorrente mais directo será a RR (sinal de que haverá espaços musicais), a Antena 1 (uma manhã muito forte, muito desporto, noticiários alargados e espaços de debate, com alguma música) ou a TSF (basicamente uma rádio de notícias)?
Claro que este título é bem mais apetecível («Fãs de Steve Irwin mutilam raias inocentes nos mares da Austrália») do que por exemplo «Raias mortas aparecem em praias da Austrália», mas o que a notícia diz é que «temem tratar-se de uma vingança», que «sem que as autoridades consigam determinar a causa das mortes» e que «alguns acreditam que a morte de Irwin está a fomentar (…) mesmo actos de vingança contra os animais».
Não bate certo, pois não?
(chama-se a isto sensacionalismo. É uma palavra chata, mas parece-me que não há outra)
PS - sim, fui ler a notícia por causa do título…
A minha visão do que se passa actualmente com a equipa de futebol profssional não é muito diferente da que o JPM expressou aqui. E com o treinador igual. O período de (des)graça de Eusébio tem necessariamente de terminar com o Olivais.
Se há vontade de subir é preciso demonstrar. Estes pontos poderão ser lamentados e chorados no final do campeonato e aí será tarde. Ou então mais vale desmistificar já a questão da subida, assumir que não está nos horizontes e deixamos Eusébio sem pressão para o resto da temporada. Não acredito que seja esse o caminho que se pretende seguir. E se assim é a 3ª jornada tem de demonstrar inequivocamente que não baixamos os braços nem as expectativas para as restantes jornadas do campeonato.
Não deixo de ser Rio Ave se o clube não subir. Se descer também continuarei a ir aos jogos. Estou porém habituado a outras ambições e exibições, para não falar em resultados.
O (meu) período de graça para João Eusébio termina na próxima jornada com o Olivais e Moscavide. Qualquer outro resultado que não seja a vitória far-me-á questionar a continuidade do treinador.
Se a equipa é basicamente a mesma do ano passado, se se contrataram tantos jogadores (e se houve dinheiro para vários avançados também haveria para um defesa direito) e se a ambição é a subida de divisão, só há duas explicações: ou os jogadores não querem/não podem ou o treinador não sabe mais.
Não estive em Penafiel e não falo do jogo. Ouvi na Linear, li nos jornais - o Rio Ave não esteve bem. Mas sei que já perdemos cinco pontos em seis.