Textos do mês Outubro 2006 ↓
Golos.
O nosso goal average actualmente é nulo: 7 golos marcados e 7 sofridos. Marcámos mais golos fora, 4, do que em casa, apenas 3. No entanto, ainda não vencemos fora e já somámos duas vitórias em casa. O último jogo nos Açores com o Santa Clara e os 3 golos marcados desequilibra as contas. Sofridos temos 1 em casa e 6 fora.
Se tivessemos de organizar uma classificação com base nos golos marcados, estaríamos assim:
- 7º em golos marcados em casa (igual a Chaves e Guimarães; lideram Penafiel, Feirense, Varzim e Estoril);
- 6º em golos marcados fora (igual a Feirense; lidera o Portimonense);
- 4º em total de golos marcados, (igual a Penafiel, Varzim e Estoril; lideram Portimonense e Feirense) o que não é de todo mau. Mas, com tantos avançados no plantel…
Quanto a golos sofridos:
- 12º em golos sofridos em casa (igual a Trofense, Guimarães, Leixões e Estoril; as piores defesas são a de Olhanense e Santa Clara. Não entra aqui a defesa do Gil Vicente que efectivamente só participou em dois encontros; a melhor defesa é a do Feirense que ainda não sofreu golos em casa);
- 1º em golos sofridos fora, a pior defesa;
- 5º em total de golos sofridos (igual a Gondomar e Vizela; melhor a do Feirense, apenas um golos sofrido, pior a do Santa Clara com 9), o que não é propriamente abonatório para a nossa defesa.
Amanhã com o Leixões, temos de desempatar o goal average a favor dos golos marcados, claro!
Quanto ao jogo, parece que o tempo não vai ajudar. Chuva e vento não constumam ser aliados de bom futebol. Mas se ajudarem a conquistar 3 pontos, não nos vamos queixar deles. A metereologia é igual para as duas equipas e nós temos o factor casa a nosso favor.
De um artigo do Diário Económico de hoje («Jovens entre os 15 e os 24 anos são os que vêem menos televisão», consulta a pagar), a partir de um estudo da Omnicom Media Group Portugal sobre o comportamento dos jovens (15- 24 anos) face aos media:
«A esmagadora maioria dessa faixa etária - 90% - consome algum tipo de jornal, mas poucos ouvem rádio: quase 20%».
Isto é surpreendente porque todos temos a ideia de que nessa faixa etária o consumo de jornais é muito baixo (90%) e que a rádio é, em contrapartida, um meio muito próximo (haverá um milhão e 400 mil pessoas entre os 15 e os 24 anos, segundo o DE)
Sempre que há jogos em casa o Rio Ave faz distribuir pelos convidados e camarotes uma folha A4 impressa dos dois lados (a cores) com algumas informações sobre o jogo dessa jornada (a classificação, os jogos, um destaque, declarações do treinador, o adversário, etc). Até aqui tudo bem, mas há algo que não bate certo: esse papel inclui uma coisa absolutamente ridícula chamada «As equipas prováveis».
Ou seja, quando se chega ao estádio (15 minutos antes? 10 minutos antes? Alguém vai mais cedo?) somos informados pelo próprio clube sobre aquela que será a equipa provável (com base em quê, gostava de saber). Mas a essa hora já existe uma equipa oficial - que nem sequer é distribuída da mesma forma.
O problema não está apenas na inutilidade da informação em causa. É que uma e outra raramente coincidem. No último jogo em causa António era dado na equipa titular provável e o central foi André Vilas Boas, por exemplo. Por isso digo que é ridículo.
Isto faz algum sentido?
PS - e já é a segunda vez que escrevo sobre isto…
Imaginem que um responsável pela RTP dizia que «O caminho e a estratégia editorial traçada pela direcção de Informação apontam para levar aos telespectadores um lado negativo do país e do Mundo».
Já se aceita se for assim: «O caminho e a estratégia editorial traçada pela direcção de Informação apontam para levar aos telespectadores um lado positivo do país e do Mundo»?
É - acreditem - apenas uma pergunta de quem - admito - defende um jornalismo equidistante e escrutinador dos vários poderes.
Alfredo Maia, presidente do Sindicato do Jornalistas, enviou-me um e-mail (enviou-me é um pouco forçado, porque é uma difusão colectiva), chamando-me a atenção para o facto de eu não ter subscrito o Apelo em Defesa da Liberdade de Criação e de Expressão dos Jornalistas.
Embora tenha lido, nas últimas semanas, a quantidade de informações que o Sindicato mobilizou em defesa deste Apelo (uma espécie de segunda vida do Sindicato, tal o sucesso da iniciativa), não o vou subscrever.
Sobre o assunto escrevi há alguns meses isto. Não vejo razão para mudar de opinião.
O provedor do Público fala ontem de um caso que continua a não estar muito bem explicado: a confusão entre patrocínio e reportagem num assunto que não interessa nem ao menino jesus…
«“Depois de ter lido uma série de jornais ‘PÚBLICO’ seguidos, reparei que durante a realização da Volvo Ocean Race 2005 — 2006 que quase sempre que existia uma notícia sobre esta competição existia na mesma página uma publicidade à Volvo (que não se verificava nos outros dias). Não conhecendo o que diz o ‘Livro de Estilo’ do PÚBLICO face a esta perigosa ligação entre publicidade e jornalismo (perigosa pois colocam-se múltiplas questões: haveria notícia se não existisse publicidade? Será ético aceitá-la?) gostava de saber a sua posição face à mesma, e, antes ainda, se a questão é pertinente.Devo acrescentar que se for necessário, poderei indicar-lhe múltiplas datas em que tal acontece, ou, se preferir, um intervalo temporal em que este facto acontece continuadamente”, indaga Frederico Silva»
Para mim o caso é antigo. E as explicações continuam sem me satisfazerem. Penso mesmo que o provedor podia investigar melhor o caso («Excluo, por outro lado, a hipótese de a publicidade estar na origem da cobertura de um acontecimento. Como já escrevi, aqui, o jornalismo serve para informar. A publicidade e a propaganda comercial servem para convencer. A mistura destes géneros chama-se promiscuidade»)
Ouvi o relato e pelo que foi transmitindo o Paulo Vidal, bom resultado. Confesso que cheguei a duvidar na nossa capacidade de pontuar.
Gostei que Eusébio apostasse em Evandro. Manter o pouco combativo Costé ao lado de Keita era insistir num erro que só nos vinha a penalizar.
Espero vitória contra o Leixões. Nada mais.
Não estou a ser irónico: a verdade é que em seis jogos ganhámos apenas dois. Temos três empates e uma derrota (em Penafiel). Em 18 pontos perdemos metade. Mas estamos em sexto lugar, a apenas quatro pontos do lugar da subida.
E se considerarmos que nem Feirense nem Varzim vão subir, há que reconhecer que está tudo em aberto…
Vão à página 20 do suplemento comercial do Diário de Notícias de hoje e sejam testemunhas de um facto verdadeiramente insólito.
O Público entende não partilhar com os seus leitores as mudanças que pensa efectuar, mas José Manuel Fernandes escreveu um editorial (no domingo passado) sobre o jornalismo.
Algumas ideias:
-«Tudo está a mudar no jornalismo»;
- «Para a imprensa escrita o tempo é mesmo de alteração radical do paradigma e do modelo de negócio»;
- «As oportunidades multiplicam-se, os riscos também»;
- «Um jornalismo independente cujas referências sejam conhecidas do público será sempre valorizado por quem procura informar-se, tão valorizado como incómodo e temido»;
- «se tudo muda, há que mudar depressa e, se possível, antecipar tendências»;
- «[os cidadãos] Querem questionar, querem testar, querem olhar de ângulos diferentes» [Rupert Murdoch]. Como satisfazê-los? Com independência. Qualidade. Pluralismo. Coragem. Capacidade de mudar. E aquilo de que sempre se fez o bom jornalismo: muito suor»
A propósito, a frase de Murdoch aplica-se ao próprio Público. Como a interpreta JMF, «os cidadãos passaram a querer controlar os media, não a ser controlados por eles»
ACT a 15/10/06: chamo a atenção para o comentário de JMF a este texto: «Tencionamos ir abrindo o véu gradualmente, e recolhendo reacções, mas tal como um novo modelo da Mercedes ou Fiat não é mostrado à concorrência meses antes de ser lançado, também há algumas ideias que teremos de manter ao nível da discussão interna até mais tarde. Estamos, afinal, num mercado aberto e competitivo. Por isso, recebemos sugestões e temos mecanismos para acolher as críticas» (excerto)
ACT a 16/10/06: do próprio Público de ontem: «O serviço público de televisão espanhola lançou um fórum na internet para recolher as sugestões dos telespectadores sobre o que deve ser o seu futuro». Nem mais!
Desta vez a análise é apenas sobre as revistas, Única e Tabú.
- A Tabu é uma revista estranha: é uma fusão de Única com a Caras (ou a Vip, já não sei…), que mistura temas muito sérios com o mais profundo tabloidismo. Não é só isso que me incomoda. Também a paginação (a arrumação dos assuntos por páginas) é estranha: começa com «Na casa de», que é uma coisa que a mim não me interessa nada e só muito à frente é que aparecem os temas que podem prender a atenção. Também não gosto do excesso de temas, assuntos, pequenos e grandes artigos da Tabu. Nesse sentido, a revista deve dar muito trabalho a fazer.
É tudo mau? Não, claro. Ana Sofia Fonseca só sabe fazer boas reportagens e a entrevista com Cesariny (por Vladimiro Nunes, de que nunca ouvi falar) é muito interessante - como é que não é a capa?
- A Única é uma revista mais equilibrada, mais lógica, mais direccionada, mais selectiva nas escolha. Os seus temas são mais originais (não tratados antes pela concorrência, como o sequestro de um português na Venezuela ou a Fábrica da Benetton, esta semana), a sua abordagem é mais completa, a arrumação é mais lógica e agradável.
Claro que a Tabu marca a a Única. Mas esta tem as crónicas absolutamente imperdíveis (como a desta semana) das viagens de Gonçalo Cadilhe (*), enquanto as viagens da Tabu são como muitas outras; Luís Filipe Borges marca o Comendador Marques de Correia (sem grandes ganhos), Carla Quevedo bate-se com Clara Ferreira Alves (e?) e Quitério tem a concorrência de Pedro d’Anunciação - mas não há uma mais-valia da Tabu em relação à sua irmã mais velha, só a repetição de ideias e fórmulas. A excepção, esta semana, foi a confissão de José António Saraiva sobre a saída do Expresso (na Tabu li com interesse esse texto e a entrevista com Cesariny).
Com este ponto para a Única (provavelmente a melhor revista em Portugal nesta altura), o Expresso desempata.
* Cadilhe também escreve na Tabu, sobre os livros da sua vida. Já se aperceberam?
Já as dispenso.
Nas que dão pontos que é bom, venham mais dessas.
Prometo que se ganharmos nos Açores este fim-de-semana, vou a Santa Clara a pé!
Há muito tempo que um postal não me custava tanto. E custa-me porque o visado por estas palavras é um dos meus colunistas preferidos - e (bem ou mal) leio muito poucos.
No entanto, sabendo que o jornalista Luís Costa é director (chefe de redacção?) da revista O Tripeiro, da Associação Comercial do Porto, custou-me ler o seu artigo de opinião no Público de ontem, em que quase metade do espaço é dedicado ao último número dessa revista («O Porto das “Almas Benditas“»).
O Luís pode sugerir, nos seus artigos de opinião, o que entender - mas quando tiver interesses próprios deve dizê-lo - não lhe fica mal, só lhe fica bem. E como sempre o defendi (neste e noutros espaços), não posso deixar de o repetir só porque o Luís é alguém por tenho grande estima profissional. Custa-me é mais.
Gostaria de actualizar - porque houve desenvolvimentos - a questão do provedor dos ouvintes e dos relatos na Antena 1 (ontem, JNM voltou ao assunto, em função de várias críticas recebidas), mas o programa não está disponibilizado na página da RDP.
Como na semana passada JNM se esqueceu de ouvir o director de informação da Antena 1, limitando-se a dar voz a alguns ouvintes, este contactou-o. Mas preciso de ouvir e ler (sim, porque é uma ideia excelente disponibilizar também o texto do programa) primeiro.
Agora que o programa já está disponível, já me é possível dizer duas ou três coisas:
- Concordo genericamente com os argumentos do director a ANtena 1, João Barreiros;
- José Nuno Martins agradece o esclarecimento de João Barreiros mas devia ter sido ele a solicitá-lo (situação a corrigir no futuro);
- JNM insiste na ideia das sinergias de grupo e até fala na fusão das empresas;
- O seu argumento essencial é este: alguns ouvintes queixaram-se e ele deu-lhes razão («Nessa apreciação eu apenas analisava a perspectiva dos Ouvintes da Antena 1 que se tinham queixado. E a meu ver, eles tinham razão…; o apenas está sublinhado, como podem ver). O que diria se tivessem sido os ouvintes da RDP Internacional ou, principalmente, os adeptos do Benfica a queixar-se pelo eventual não-relato?
- Mais importante: é fácil falar em corporativismo (e JNM fala nisso, na sua resposta), mas esse argumento é tão (i)lógico como dizer que, não sendo jornalista, o Provedor tem mais dificuldade em analisar as questões… jornalísticas. Está na linha do que pensava.