Textos do mês Janeiro 2007 ↓
as borlas e o novo estádio e o que eu penso sobre cada um deles.
Sobre as borlas sou contra. A existirem, quem paga as quotas para ver jogos como eu (e que nem preciso porque a minha família tem um camarote no estádio) devia pagar só 10 meses por ano. Por muito boas que sejam as intenções da Direcção, com esta não concordo. Querem mais gente no estádio, sejam criativos. Com borlas não. Baixem o preço das quotas e façam um produto para famílias com preços mais decentes e que não obrigue as famílias a separarem-se entre bancada coberta e descoberta. O meu filho de 2 anos é sócio de descoberta, eu a minha esposa de coberta. Quando ele fôr maior e o porteiro já não o deixar ir para a bancada coberta, como vai ser? Deixo de pagar as quotas e vamos para o refúgio que é o camarote do avô do petiz…
Com o novo estádio esta questão poderá deixar de existir. Menos lugares pelo que percebi e todo coberto (espero eu). A construção de um estádio sem custos para o clube com a permuta entre terreno do actual e construção do novo pode ser uma boa solução. Gosto de estádios pequenos e aconchegantes. Sou a favor de um estádio novo, mas não abdico também, tal como o João Paulo, que o assunto vá a uma Assembleia Geral e seja devidamente explicada aos sócios, a esses gajos que pagam as quotas, os que tais que só precisam do cartão de eleitor para exercer o direito de voto nas eleições.
Será que ainda o conseguimos fazer antes do tão badalado novo estádio do Varzim?
O título da prosa é um pouco irónico, mas o assunto é sério:
1) As portas da bancada nascente vão estar abertas a todos os que queiram apoiar o clube no domingo;
2) Abrir as portas costuma acontecer nas últimas jornadas (quando há subidas ou descidas); fazê-lo no início da segunda volta mostra um empenho-extra na subida de divisão;
3) Como é que a Direcção não quer dar chances aos adeptos do Penafiel, pede aos adeptos que tragam o cartão de eleitor, para provar a ligação a Vila do Conde.
4) É um pouco caricato (daí o título), mas funciona. É, aliás, um expediente bem apanhado. E, ao contrário do nosso leitor que comentou negativamente a atitude da Direcção, eu aplaudo-a!
Mora continua a acumular cartões amarelos por demorar a repor a bola. Mesmo a ganhar dois-zero na Póvoa, mais um amarelo! Se não estou enganado já são oito os cartões, o que fará com que o nosso guarda-redes seja o mais amarelado de todas as competições profissionais.
Já o escrevi 50 vezes: irrita-me a postura do nosso guarda-redes (que não é de agora). É um elemento de grande valor (tem competência para estar na superliga), mas é por coisas como esta que ainda não é um fora de série.
É pena.
Um jornalista da Lusa, António Martins Neves, queixa-se no Observatório de Imprensa que «De grandes e, essas sim, graves proporções é esse fenómeno banalizado de plágio do serviço da Lusa na imprensa: notícias inteiras (exclusivas) publicadas depois de retirar todas as referências à agência, outras ainda que passam a ser assumidas por outros profissionais cujo único acrescento foi mesmo o seu nome… E, quanto a isto, nunca ninguém fez nada e muito pouco se disse».
Gostava de dizer tr~es coisas:
1) Trabalhos assinados por jornalistas da Lusa não devem ser re-assinados nem retirada a sua autoria;
2) A Lusa não é um órgão de comunicação social, não é lido pelo público. É uma fonte de informação, um serviço pago. Com excepção de trabalhos assinados ou de investigações próprias não precisa de ser citado;
3) A Lusa todos os dias distribui algumas dezenas de notícias com origem em países onde não tem jornalistas. Como é que as faz? Traduzindo, por vezes literalmente, despachos da Reuters ou da France Press. Sem os citar. Eis um exemplo entre muitos possíveis, diariamente (separados por uma hora):
a) «Corée du Nord: Washington et Séoul ont discuté traité de paix.
SEOUL, 30 jan 2007 (AFP) - Les Etats-Unis et la Corée du Sud ont discuté la semaine dernière de la possibilité de signer un traité de paix avec la Corée du Nord, afin de mettre officiellement fin à la guerre de Corée (1950-53), a-t-on indiqué mardi de sources officielles.
Le sujet a été abordé lors de la visite discrète, achevée dimanche, d’une haute responsable du secrétariat d’Etat américain. “Il s’agit d’un échange d’idées. Des opinions ont été échangées sur divers dossiers en cours. La paix dans la péninsule coréenne a été l’un d’eux”, a indiqué un responsable du ministère sud-coréen des Affaires étrangères. (…)».
a) «Coreia do Norte: Washington e Seul discutiram tratado de paz.
Seul, 30 Jan (Lusa) - Os Estados Unidos e a Coreia do Sul discutiram na semana passada a possibilidade de assinar um tratado de paz com a Coreia do Norte, para acabar oficialmente com a guerra da Coreia (1950-53), indicaram hoje fontes oficiais.
O assunto foi abordado durante uma visita discreta, que terminou domingo, efectuada por uma alta responsável da secretária de Estado norte-americana. “Tratou-se de uma troca de ideias. Foram trocadas opiniões sobre vários dossiers em curso. A paz na península coreana foi um deles”, indicou um responsável do ministério sul-coreano dos Negócios Estrangeiros. (…)»
Paulo,
Pela terecira vez vejo-te falar na hipótese de um novo estádio. A primeira, há uns meses, a segunda antes do jogo com o Varzim, a terceira hoje em O Jogo.
Acredito que, mais cedo ou mais tarde, teremos um estádio novo, pago - quem sabe - por investidores privados. Mas permite-me sugerir o seguinte: uma coisa com esta importância não deve ser discutida nos jornais sem ouvir primeiro os sócios, sem que lhes seja apresentada a ideia e iniciada uma discussão pública. É demasiado importante para não ser discutida por todos. É também uma forma de envolver os sócios - e esse é o melhor marketing.
Por isso peço-te que sugiras a marcação de uma assembleia geral extraordinária para debater a ideia de um novo estádio. Eu estarei lá.
Como estes inesperados 0-3!
Uma irritante febre mantem-me de cama desde sábado à tarde, pelo que o bilhete de camarote (!) que tinha para o estádio do Varzim acabou por reverter para um outro rioavista. Tal como no caso do João Paulo, nada lamento. Ouvi o relato pela Rádio Mar e foi com satisfação que ouvi os homens da rádio poveira reconhecerem a superioridade do Rio Ave.
Agora há que capitalizar sobre esta vitória e somar mais umas quantas consecutivas, porque ficar só por esta, por muito bem que saiba, será muito pouco.
Aos meus amigos varzinistas um abraço de alento. Melhores dias certamente virão!
(desculpa Gil, invadir o teu texto, mas eu ouvi na Linear…; jpm)
Pela segunda vez falhei uma goleada na Póvoa. Lembro-me de há uns anos, ainda o Varzim estava na primeira, mestre Dibo fazer das suas e golearmos. Podia ter ido, mas acabei por ouvir na rádio.
Hoje também não fui (embora por razões diferentes) e ganhámos por três.
Já percebi - não ir à Póvoa dá sorte!!!!!
E como tal, não vou faltar ao jogo!
Espero que o Rio Ave mantenha a invencibilidade que dura desde a 9ª jornada.
Já o Varzim não vence desde a 7ª jornada, quando venceu na Póvoa o Penafiel por 2-0.
Da 7ª à 15 jornada, os poveiros venceram apenas um jogo, empataram 2 e perderam 6. Em casa têm 1 vitória, 1 empate e 3 derrotas.
Os números não querem dizer nada, mas se a tendência se mantiver entre os varzinistas, o Rio Ave não perderá.
Apenas como curiosidade, na última vez que visitámos o Varzim para a 2ª liga, em 2000\2001, perdemos por 2-1.
Em meados deste mês chegou às redacções, via uma agência de comunicação, um press release dando conta de que o médico Pais Clemente tinha sido distinguido como uma das «mentes brilhantes do século XXI» por um Instituto Biográfico Americano, ou um dos homens do ano de 2006.
A Lusa, por exemplo, fez uma notícia quase decalcada desse press release e o impacto foi grande.
Ontem, a Sábado conta que o instituto em causa está a ser investigado por fraude («a Sábado sabe que várias personalidades portuguesas do sector da saúde receberam o mesmo convite, mas tendo tomado conhecimento da natureza da organização acabaram por não ponderar sequer a sua aceitação»), que o médico pagou pelo diploma («Pais Clemente recusa revelar quanto pagou pelo seu diploma e pela inserção do seu nome no livro que anualmente o IBA publica com o currículo dos laureados, só em 2005 foram eleitos 200 Homens do ANo em todo o mundo») e que contratou uma agência de comunicação para divulgar a notícia (esta parte parece-me normal).
Ou seja, mais um exemplo de como - por ignorância, ingenuidade, distracção ou mesmo incompetência - as fontes controlam cada vez mais o que se publica.
PS - Tudo o que escrevi antes também se aplica a mim; também recebi o press release e não o pus em causa quando o li.
(O texto do press release, para comparação: «O médico Manuel Pais Clemente é uma das 1000 personalidades mundiais cuja biografia estará no livro “Great Minds of the 21st Century” e o único português a integrar a secção especial – “Greatest Minds” – dedicada às “Mentes Mais Brilhantes”, deste século. A obra vai ser publicada este ano, pelo Instituto Biográfico Americano, “American Biographical Institute” (ABI), entidade que, desde 1967, é responsável pela edição e publicação de biografias de personalidades de todo o mundo.
“Great Minds of the 21st Century” é um dos livros mais populares nos Estados Unidos e um dos mais procurados, entre as maiores colecções livreiras do mundo. Esta obra é uma referência de pesquisa para investigadores, em bibliotecas nacionais, escolas e bibliotecas particulares. Inclui biografias de pessoas de diferentes países que se têm distinguido, em diversas áreas, pelas suas capacidades intelectuais, empreendorismo, capacidade de inovação e liderança, nas actividades que desenvolvem.
O nome de Manuel Pais Clemente que irá incluir a edição referente aos anos de 2005/2006, foi seleccionado pelo Conselho de Editores do ABI, a par de escritores, cientistas, intelectuais, filósofos, artistas, empresários, membros de governos e líderes de diversas organizações, a nível internacional.
A decisão do American Biographical Institute baseou-se nas recomendações do “Conselho de Pesquisas” do ABI, um painel internacional e multidisciplinar, constituído por 10 mil membros, residentes em 75 países.
A escolha de Pais Clemente para a edição de 2005/2006, do “Great Minds of the 21st Century” surge, após a sua recente distinção pelo mesmo instituto norte – americano, como uma das “Personalidades do Ano de 2006”.»)
O texto sobre os estagiários nas redacções suscitou vários comentários e alguns são impressionantes. Sobretudo os que têm a ver com a SIC.
«Dei voz a dezenas de peças, saí em reportagem dezenas de vezes, fiz tudo e talvez até mais do que um jornalista senior. Cheguei a fazer 20h por dia»
ou
«Na SIC, SIC Noticias e SIC OnLine os estagiários são a verdadeira ‘carne para canhão’. Estão integrados nas equipas, fazendo normalmente os horários que mais ninguém quer fazer. Fazem peças, saem em reportagem sozinhos, são os únicos ‘jornalistas’ na redacção durante o periodo da uma às cinco da manhã, não têm qualquer orientador de estágio que os acompanhe efectivamente no trabalho diário, e não ganham um cêntimo»
Não quero duvidar de quem, anonimamente ou não, deixou os comentários. Mas devo dizer que me impressionaram esses relatos.
Fábio Coentrão é o melhor jogador da actual equipa e ao mesmo tempo o mais mal pago (consta que ganha menos do que 500 euros).
Fábio Coentrão ganha tão mal que nem pode pagar as multas pelos atrasos consecutivos aos treinos!!!
A verdade é que Fábio Coentrão chega atrasado aos treinos (em protesto?) e terá sido por isso que João Eusébio o pôs de castigo em Vizela. Mas não em Alvalade…
Não seria de começar a resolver o problema do Fábio Coentrão, aumentando-o para valores que se possam considerar razoáveis? Ou então vende-lo de uma vez por todas e acabar com esta confusão!
Público e A Bola estiveram envolvidos recentemente em casos de evidente plágio.
Público e A Bola tiveram comportamentos radicalmente diferentes.
O Público fez o que se sabe, naquilo que já considerei aqui como um exemplo de respeito pelo leitor;
A Bola, pelo menos publicamente, assobiou para o ar. O caso aconteceu a 10 de Janeiro, aqui foi denunciado a 18 e até hoje, 23, nada foi dito aos leitores.
Ou seja, a esmagadora maioria dos leitores não sabe o que aconteceu (só os que lêem blogues e os blogues que abordaram o assunto); a esmagadora maioria dos leitores do Público sabe.
Eu, que sempre me recusei a considerar o desporto uma área menor no jornalismo, lamento e protesto.
PS - Além de mostrar alguma importância da discussão metajornalística nos blogues, há outra conclusão a tirar sobre este caso e a blogosfera: foram muitos os que se preocuparam com o que se passou no Público; quase nenhuns relativamente ao caso de A Bola.
O Sindicato dos Jornalistas denunciou o acordo que tinha feito com a Confederação Portuguesa dos Meios de Comunicação Social sobre a presença de jovens licenciados nas redacções para fazerem estágios.
Fez bem.
Esse protocolo pode ter sido bem intencionado, mas não resultou: jovens recém-licenciados não podem estar nas redacções a fazer de jornalistas, sem receberem (muito ou pouco) e sem qualquer vínculo (mesmo que precário).
Há diversos órgãos de comunicação social, sobretudo jornais e televisões, que usam estagiários em lugar de jornalistas, assim poupando nos salários.
Do meu ponto de vista, só há duas formas honestas de ter recém-licenciados nas redacções:
- deixar que eles publiquem, mas enquadrar essa actividade com algum pagamento e algum tipo de vínculo (mesmo precário, insisto);
- não deixar que os estagiários publiquem, mas permitindo que eles participem, vejam, colaborem e façam (para consumo interno), com a colaboração de algum senior;
PS - por falar em Sindicato, as eleições não eram o ano passado?