publicado em
1 de Fevereiro de 2007

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Estad(i)os de alma - Um bom texto, a merecer reflexão

Escrito pelo meu bom amigo varzinista Rui Silva e que aqui deixo para apreciação.

Estad(i)os de alma

Segundo Descartes, todos os seres humanos são dotados de bom senso (razão), que nascem logo com esta característica. Se em tudo o mais, isto parece verificar-se, quando o tema é “futebol”, o nosso amigo filósofo perde toda a “razão”.
Surge isto a propósito dos dois maiores clubes da Póvoa de Varzim e Vila do Conde pretenderem cada um deles construir o seu próprio estádio.
Só sentimentos explicam essa decisão, a razão nada tem a ver com o assunto. Senão vejamos:
· Póvoa e Vila do Conde fazem parte da mesma sub-região, dentro da área metropolitana do Porto;
· Custo de transporte para circular entre as cidades é praticamente nulo. Por exemplo, apesar de residir na Póvoa, estou mais perto do estádio do Rio Ave, do que o actual estádio do Varzim;
· Cultura popular e sistema de valores muito semelhantes;

Com as contas de custos a esmagar os planos de exploração dos dois clubes, uma forma de racionalizar e minimizar custos é certamente os dois emblemas usufruírem de um estádio único. Toda a gente concorda que a factura mensal de manutenção do estádio ficaria mais leve. O peso de substituir o relvado, sistemas de rega, limpeza do estádio, para os nossos clubes é esmagador. No Varzim, a relva já passou o prazo de validade há anos e anos. O estádio degrada-se a cada fim-de-semana que passa. O actual estádio, além de ser um sorvedouro de dinheiro, não consegue gerar nenhum tipo de receita relevante, muito menos para a sua manutenção.
Quando olhamos para a crescente globalização dos vários sectores de actividade a grande lição que tiramos é que as empresas tendem a focalizar-se no seu “core business”, eliminando a restante”gordura”. Parece-me que todos concordamos que a propriedade e manutenção de um estádio, não é o mais importante numa equipa profissional de futebol.
O “core” de um clube de futebol deverá ser na minha perspectiva proporcionar os melhores espectáculos, para ter maiores assistências e cobrar mais bilhetes ao melhor preço. Isso apenas se consegue com melhores equipas, e não com estádios ultra modernos e ultra caros, p.e., estádio de Faro/Loulé, Leiria, Aveiro, etc. O futebol é um espectáculo inigualável, difícil de copiar (não há dois jogos iguais), e é essa diferença que representa o valor acrescentado na indústria do futebol.
A função de uma equipa profissional de futebol, não é vender ou comprar terrenos, espero bem que o Varzim não se transforme numa imobiliária. Quero é o Varzim a jogar futebol, a levantar assistências, a fazer do Domingo o dia mais importante da semana!

Na minha opinião, o estádio devia ser de propriedade neutra, ou seja, a solução de um estádio conjunto teria de passar por um entendimento entre as duas autarquias.
Quem sabe o futebol, não fosse capaz de promover outras parcerias benéficas para todos nós que somos poveiros e vila-condenses.

publicado em
1 de Fevereiro de 2007

por João Paulo Meneses


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As minhas primeiras do novo Rádio Clube (RC)

(antes de mais: como alguém interessado no fenómeno mediático, a mudança do RC é muito interessante; para quem trabalha na TSF, o RC é concorrência pura; as minha reflexões não podem ser dissociadas desta dialéctica ontológica!)

Com três dias e meio de emissão é possível dizer isto do RC:
- trata-se de uma rádio de informação, modelo notícias e conversa, com algumas diferenças face à TSF (mais debate, mais comentário, muito mais conversa, menos notícias, menos rubricas, menos espartilhada, muito menos publicidade - e esta questão é muito mais relevante do que possa parecer);
- relativamente às notícias, percebe-se uma aposta das 7 às 11 da manhã, no modelo ensaiado por Osório/Rodrigues no falecido Capital: um destaque/manchete por dia, que depois é comentado ao limite;
- sobre os conteúdos da manhã, além da actualidade noticiosa: bolsa, trânsito e meterologia (lida pelo Nuno Domingues???). Apenas. É pouco. Sobretudo quando comparado com o que oferece o Hoy por Hoy da Ser. Por falar em pouco: não há 22 convidados em cada manhã, parece-me. E é a primeira manhã sem humor (só perto do meio dia);
- o RC está a introduzir um novo paradigma com as cinco horas de emissão seguidas de JAFaria ou de Aurélio Gomes (e colega). Cinco horas seguidas não é fácil… Por falar em JAF, está à procura do seu ritmo, está a corrigir erros diariamente (a informação horária do primeiro dia, por exemplo), mas é, do meu ponto de vista, muito opinativo. É perigoso e cansa.

Algumas notas breves:
- o RC tem, no trânsito, a mais-valia do helicóptero da Media Capital em Lisboa. E potencia-o bem. Mas quando chama o Porto já não há. Desequilibra. Pior: à tarde, a informação de trânsito do Porto é dada pelo repórter que está nas ruas de… Lisboa!
- os spots de estação não mostram uma assinatura, uma identidade (podiam estar naquela ou noutra rádio qualquer)
- talvez por influência da televisão (em que a imagem ajuda a fazer a transição), muitas das notícias do RC não têm «rodapé» do editor. Ou seja, cola-se a peça anterior à notícia seguinte. Gera confusão (no meio invisual como a rádio) e reduz a desejada redundância.

Voltarei ao assunto.