Textos do mês Julho 2007 ↓
É certo que se nem as crianças vítimas de abusos sexuais são protegidas mais difícil se torna pedir o mesmo para outras crianças.
Mas, neste caso, a identidade da criança é irrelevante para a notícia. Para a própria, no futuro, poderá não ser…
Até 6 de Agosto estou a banhos.
Voltarei à linha apenas para emergências…
PS - fiz, antes de partir, a revisão anual do guia ético e técnico do blogouve-se
«Viva JPM
E se voltasses à rádio,nomeadamente à desilusão chamada RCP que voltou a descer nas audiências, em dois trimestres chegou aos 1,4%? O que correu mal no RCP? Mesmo não se esperando que tivesse uma grande audiência ficou muito aquém.
Por mim, tirando o programa da manhã, o resto é conversa fiada, fútil, programas enfandonhos sem qualquer capacidade para cativar ouvintes. Se continua assim chega ao fim do ano e regressa como «rádio nostalgia» ou então uma grande volta terá de dar para continuar como RCP.
Luís Carvalho»
Viva Luís,
Sinceramente acho que não houve nada a correr - tirando, talvez, o excessivo optimismo de Luis Osório face aos resultados da vaga anterior. O RCP existiu durante vários anos numa lógica musical de clássicos e «oldies»; de um momento para o outro muda. Tinha cerca de 3,5%, ouvintes que queriam música (se quisessem informação ouviam outra rádio). A reformatação implicou - logicamente - perder esses ouvintes e começar do zero. Os dois por cento da vaga anterior mostram - e escrevi-o num outro blogue há tres meses - que os inquiridos pela Marktest (também) respondem por inércia (eram ouvintes do velho RCP). E a Renascença será um bom exemplo disso, por ser a marca mais antiga. Esta segunda vaga, deste novo RCP, começa a representar a realidade do novo RCP. Podiam ser mais? Talvez. Mas reconheçamos que a aposta é sobretudo de manhã. De qualquer forma, estou convencido de que vão crescer.
Meia página do Público de hoje é dedicado a esta recomendação da ERC, com as fotografias dos cinco elementos que a subscrevem e uma legenda numérica para que se fique a sabem quem é quem. Entretanto, o jornal anuncia uma resposta para amanhã.
Não está em causa o direito do jornal se defender e de contra-atacar aquilo que considera ser um erro por parte da ERC (nem lhe quero tirar razão). Mas, como leitor do Público, aquele protagonismo gráfico diz-me pouco. Acho um exagero, em suma.
Só ontem comecei a ler a Única da semana passada, que tem José Sá Fernandes na capa e o título «Lisboa íntima». Poder-se-ia pensar que é um artigo/entrevista ao candidato do Bloco de Esquerda, mas não. Na verdade - lê-se também na capa - são «as escolhas dos candidatos* à câmara, feitos de afectos, memórias, segredos (…)».
Para ilustrar as «escolhas dos candidatos», o Expresso elegeu José Sá Fernandes. Certamente que a opção terá sido debatida internamente e não acredito que algum leitor venha a ser influenciado por esta opção. Mas - sejamos claros - esta opção não é jornalística; é estética, gráfica, etc., etc.. Mas quando se destaca um trabalho com sete candidatos à Câmara, e se põe apenas um deles na capa, estamos a negar os fundamentos do jornalismo. É um sinal de parcialidade, do meu ponto de vista.
* Na capa diz-se que são «as escolhas dos candidatos», mas no índice da página dois já se fala dos «principais cabeças-de-lista». No interior estão sete.
PS - Se só pudesse levar uma revista portuguesa para uma ilha deserta, levava a Única; está melhor do que nunca
Não conheço as razões em concreto que levaram o jornalista Paulo Alves Guerra a recusar-se a responder ao provedor dos ouvintes da RDP. Mas como sempre critiquei, neste espaço, situações como esta, gostaria de deixar duas notas:
- um provedor dos ouvintes/leitores/telespectadores só poderá desempenhar bem a sua função se conseguir estabelecer a necessária dialéctica com os produtores da informação; quando estes se recusam…
- quando se trata, como é o caso, de alguém tão exigente com os seus entrevistados (pelo menos no tempo da TSF), recusar-se a responder é - pelo menos à primeira vista - incoerente.
PS1 - José Nuno Martins tem vindo a afinar o seu papel, que - até por ser novo - precisa desta fase de adaptação;
PS2 - José Nuno Martins diz na notícia do DN que o editor do programa da manhã da Antena 2 e o director-adjunto do canal «por virem de privadas, [não] têm experiência de serviço público”. Por isso deveria existir uma definição clara do que é o serviço público de radiodifusão. E não há.
Era uma vez um candidato à liderança de um dos dois partidos de governo em Portugal que tinha como uma das principais limitações ser apenas presidente de uma câmara, ainda que uma das que têm mais eleitores. Mas não Lisboa ou Porto.
O político em causa, até por estar longe de Lisboa, tinha claramente um problema de visibilidade e de afirmação. Já tentara ser líder do partido, mas não conseguira. Agora seria diferente. Para o conseguir, ele ou alguém por ele, desenhou uma estratégia, que passou pela afirmação pública do candidato ao lado de figuras de reconhecida visibilidade ou prestígio nacional.
Como? Criou não um mas vários prémios nacionais, com o nome da sua cidade, dados a essas figuras e com quem o autarca teve naturalmente oportunidade de conviver e, vá lá, ser fotografado/filmado.
Os premiados, para dar a necessária credibilidade, foram escolhidos por um júri acima de qualquer suspeita. Fernando Nobre, Manuela Eanes, João Cutileiro, Artur Santos Silva, João Marcelino, José Eduardo Moniz, Sobrinho Simões, Carlos Fiolhais, Alexandre Quintanilha ou Lobo Antunes (escolhidos mais ou menos ao calhas de uma lista enorme) credibilizaram o acto. Afinal sempre são cem mil euros (oriundos, foi dito, do mecenato). E no acto da entrega, o autarca foi elevado e recompensado, como se percebe pelas palavras de Miguel Sousa Tavares, por exemplo. ACT a 9/07/07. Ou o possível impacto desta imagem.
Poderia perguntar-se: o que ganha aquela terra com estes prémios? Alguma coisa ganhará, é certo; mas o seu presidente ganhará mais, sem dúvida; ainda que possa não ter sido essa a sua intenção, obviamente.
(Moral da história, como nos livrinhos de antigamente: a manipulação vale sempre a pena quando a estratégia não é pequena…)
A lista de apoios ao MIL tem vindo a crescer. Perante o apoio de tantos jornalistas, e mais aqueles que se manifestarem por via do Sindicato, acredito que dificilmente o Presidente da República promulgará o Estatuto do Jornalista na versão que lhe foi enviada pelo PS.
O próprio ministro Santos SIlva, estou certo, não deixará de reflectir sobre o caso - ainda que possa ter razão numa questão - e eu aceito a crítica para mim próprio: o levantamento deveria ter sido feito em tempo útil e poucos se juntaram quando o Sindicato quando alertou para o caso - o que deveria, também, fazer o Sindicato reflectir sobre a sua capacidade de mobilização.
Mas queria acrescentar algo: o MIL esgota-se na contestação ao Estatuto, desperdiçando uma oportunidade que poderá ser histórica, ou vai prosseguir objectivos mais ambiciosos? (com todo o respeito pela jornalista Isabel Braga, o argumento de que os jornalistas não podem ter uma Ordem porque são uma classe não liberal não colhe - quase todos os médicos são funcionários públicos, por exemplo).
Sempre defendi - neste espaço e na redacção onde trabalho - uma ideia diferente na cobertura das (pré)campanhas eleitorais, proporcionando mais espaço/atenção aos candidatos «não vencedores» do que aquele que é habitalmente dado (ou seja, a minha opinião é claramente minoritária!). Já fui, inclusivamente, alvo de uma queixa de um candidato, que protestou pela cobertura desigual, e na qual tive responsabilidades… executivas.
Mas em Lisboa, este ano, chegámos a um ponto em que ninguém pode pedir equilíbrio, na cobertura de toda a (pré)campanha eleitoral, ao jornalismo. Com 12 candidatos (e muitas redacções de férias…), isso é impossível.
Não sei, em concreto, de que se queixam Garcia Pereira ou Helena Roseta, mas de acordo com esta notícia, a ERC critica os órgãos de comunicação social. É fácil criticar; difícil é fazer melhor…
Aderi ao Movimento Informação é Liberdade (MIL), embora não subscreva todas as posições e não partilhe do dramatismo expresso na sua fundamentação. Mas estou com o essencial: com a ideia de auto-regulação (e de tirar do EStado/governo essas ideias/tarefas).
PS - Joaquim Vieira critica aquilo que considera ser «a indefinida, inexplicada e não fundamentada promessa de auto-regulação». Lá voltámos ao mesmo, Joaquim!
O Blogouve-se fez, há cerca de uma semana, quatro anos e essas ocasiões são, quase sempre, de tentativa de encontro com qualquer coisa - pelo menos no meu caso.
À questão sobre se vale a pena continuar, eis a minha resposta:
- acredito que a blogosfera potencia a ideia de liberdade de expressão (até ao limite das insinuações, anónimas ou não, e do insulto);
- acredito que a blogosfera exige mais transparência nas rotinas produtivas e acentua o direito dos leitores à informação sobre procedimentos internos;
- acredito que respeitar os leitores dos blogues é partilhar com eles incompatibilidades e declarações de interesses;
- acredito que vale a pena valorizar a ideia de polémica (e o limite continua a ser a insinuação, o insulto e os juizos de valor)
- acredito, apesar de tudo, nas virtualidades do comentário anónimo (embora, como me parece lógico, não o valorize de igual forma; mas respondo a uns e a outros);
- acredito que vivemos um novo tempo e que a blogosfera é uma das (melhores) formas de expressão desse novo tempo;
Um abraço e até já!