Textos do mês Setembro 2007 ↓
«(…) Segundo os dados da APCT relativos ao primeiro semestre deste ano, o título da Cofina liderado por Octávio Ribeiro reforça a liderança no segmento dos diários fechando o semestre com uma média de circulação paga de 115.637 exemplares, o que representa uma variação positiva de 2,7% (+3.042). Octávio Ribeiro é o único que pode respirar fundo e marcar duas semanas de férias. São merecidas. A mesma tendência de subida foi verificada no matutino da Controlinveste. O título, liderado desde Março por João Marcelino, apresenta uma média de circulação de 36.752 exemplares nos primeiros seis meses deste ano, valor que representa uma subida de 2.114 exemplares (+6,1%). É uma boa notícia para a «missão impossível» de João Marcelino. Sobretudo pelas consequências psicológicas na redacção e na indústria publicitária. Na análise homóloga, o Público não revela dados tão positivos, registando uma quebra face ao ano anterior de 3.403 exemplares (-7,4%) fixando os números do título da Sonaecom numa média de 42.701. Todavia, o jornal dirigido por José Manuel Fernandes mostra nos meses seguintes à reformulação de Fevereiro, uma recuperação da média de circulação paga, tendo obtido em Junho mais de 45 mil exemplares. Os números não são esclarecedores, de alguma forma são mesmo contraditórios. Uma coisa parece certa: a recente reformulação pode ter sido um bom ‘negócio’ contabilístico, mas o novo ‘produto’ não criou uma dinâmica especial. Em quebra mantêm-se dois outros títulos do grupo Controlinveste. O 24horas, liderado por Pedro Tadeu, é, aliás, o que apresenta a maior queda do segmento dos diários, tanto percentualmente (-17%) como em número de exemplares (-6.925), fixando a sua média de circulação paga nos 33.714 exemplares. Um valor que coloca o jornal, em Julho objecto de uma reformulação gráfica e de conteúdos, na última posição do segmento. A reformulação é muito recente, mas o futuro do 24Horas parece sombrio, ‘comido’ pelos gratuítos. Só vejo futuro num 24horas mais agressivo e ‘duro’ em termos noticiosos, mas estou pessimista. No Jornal de Notícias a descida não é tão acentuada, mas o diário também sofreu este semestre uma erosão (-3,7%) nos seus números face a igual período do ano passado: menos 3.563 exemplares, o que fixa a sua média de circulação nos 91.558, garantindo-lhe a segunda posição no segmento. O JN tem vindo a perder uns pózinhos em cada estudo. A ‘erosão’ parará por si própria?»
(comentários a partir do texto «APCT: CM e DN únicos diários a subir», do Meios &Publicidade de hoje)
Actualizo três horas depois, logo após ter lido a notícia do Público sobre o mesmo assunto: afinal não percebi nada!!
No DN de hoje: «Fazendo o frete ao patrão Paulo Fernandes, como infelizmente vai sendo habitual, o negócios.pt publicou no seu site uma notícia lamentável sobre estes mesmos factos. Comentando os números do DN, o negócios.pt lembrou uma pequena acção promocional que o nosso jornal fez com a BP (apenas na zona norte do País, como o Público fez com os supermercados da Sonae), mas comentando os do CM (do mesmo grupo, a Cofina, a que pertence o Jornal de Negócios) nem uma palavra para a distribuição de 12 DVD, de borla, em quatro fins-de-semana, de sexta a domingo, que alteraram por completo estes dados da APCT e colocaram aquele jornal popular num patamar igual ao que o Expresso teve há meses quando decidiu precaver-se contra o nascimento do Sol»
- Há a secção «Beleza» com o modelo Pedro Martin (duas páginas);
- Secção «Na moda» (duas paginas de pulseiras);
- Secção «Casas de decoradores» (três páginas);
- «Compras» (almofadas em duas páginas);
- «Design de jardins» (duas páginas);
- Seis paginas com o criador de moda Marc Jacobs;
e
- 12 páginas com uma entrevista à criadora de moda Agatha Ruiz de la Prada;
São 29 páginas, numa mesma edição de 82 (sendo que 13 são de publicidade), sobre moda e afins. É coincidência ou tendência? Eu passo, já agora.
De dois em dois anos lá chega o período de renovação das carteiras profissionais para os jornalistas. 40 euros para fazer um cartão de plástico que, na maior parte das vezes, tem os mesmos dados do anterior*.
Penso que não há jornalista que não se sinta assaltado/violentado/incomodado (riscar o que não interessa) com estes 40 euros. Eu também me sinto incomodado.
Mas por muito que me torça, admito que (o secretariado d) a Comissão da Carteira tem de funcionar de alguma forma, com alguma receita. E, esta, parece-me é a única.
* com desconto para os sócios do Sindicato.
«O Movimento Informaçäo é Liberdade (MIL), que junta mais de 700 jornalistas, vai reunir para discutir formas da classe passar a tutelar o seu regime de sançöes, disse hoje à Lusa o porta-voz da entidade. O encontro, agendado para a próxima semana, em Lisboa, visa juntar “a maior quantidade possível de jornalistas” para “abrir caminho para formas de organizaçäo da classe que permitam que o regime sancionatório passe para a própria classe”, explicou Mário Bettencourt Resendes. (…) De acordo com Mário Bettencourt Resendes, “em vários países europeus, [o regime de sançöes às infracçöes deontológicas] é gerido pela própria classe, sem ser preciso alienar a outras entidades”.» (via Lusa, de hoje)
Sejamos claros: para que «o regime sancionatório passe para a própria classe» é preciso criar, com o devido enquadramento legal, uma entidade de inscrição obrigatória de todos os jornalistas. Com poderes alargados ou restritos, chamando-se ordem ou associação, com ou sem o apoio do Sindicato. Eu, como sempre disse, defendo a coexistência do Sindicato e dessa ordassociação. Os caminhos e os objectivos de cada uma distintos e claros.
«DCIAP tenta salvar ‘Furacão’» (Sol, 15/09/07)
«Justiça tenta salvar caso da ‘Operação Furacão’» (DN, hoje)
«Vaga para jornalista
O Instituto de Investigação Científica Tropical pretende contratar um jornalista preferencialmente com experiência em divulgação de ciência»
Para fazer jornalismo? Para fazer «divulgação»? Para fazer «press releases»? Para escrever artigos que cumprem regras jornalísticas?
ACT a 21/9/07: da página da Comissão da Carteira Profissional e relativamente ao caso denunciado pelo António Granado: «(…) dá-se a conhecer o ofício enviado ao Magnífico Reitor da Universidade de Lisboa, que aqui se reproduz:
“Num anúncio de oferta de emprego de «Técnico Superior de Relações Públicas e Publicidade» (Código de Oferta OE200706/027), publicado no endereço electrónico da Universidade de Lisboa, entre os diversos requisitos profissionais exigidos, consta, em primeiro lugar, o de serem os candidatos titulares «do cartão de jornalista emitido pela Comissão da Carteira Profissional de Jornalista nos termos do Decreto-Lei n.º 305/97 de 11 de Novembro».
Trata-se, certamente, de um equívoco – mas de um equívoco muito grave – para o qual diversos jornalistas têm chamado a atenção desta Comissão.
Com efeito, o desempenho de funções nas áreas das Relações Públicas e Publicidade é incompatível com o exercício do Jornalismo, ao abrigo do art.º 3.º do Estatuto do Jornalista (Lei n.º 1/99, de 13 de Janeiro), que, a seguir, se reproduz, incorrendo os infractores em contra-ordenações puníveis com coimas e outras sanções (…)».
O facto de o telemóvel de Paulo Ferreira de Melo se ter ouvido esta manhã, entre as 9 e as 10, enquanto apresentava o seu «Bom Dia», sendo um erro, não mereceria censura. Lamentável é o facto de o telemóvel se ter ouvido pelo menos mais uma vez, alguns minutos depois. Isso já me parece uma falta de respeito com os ouvintes, mesmo que o lema do programa seja «tudo pode acontecer».
O Expresso recomeça este sábado a dar (quatro) DVD. Fê-lo quando o Sol surgiu e volta a repetir aquele que é - imagino - um investimento pesado. Porquê agora?
Talvez para dar uma machadada no Sol, que não estará tão bem quanto desejariam os seus responsáveis. Isto apesar do seu director ter dito no Meios & Publicidade que «o balanço é estupendo. Temos entre 30 a 40 por cento do mercado dos jornais semanários (…). vendemos acima dos 50 mil».
PS - Na próxima o Expresso irá oferecer «O Sol Enganador»?
Scolari fala daqui a 15 minutos às seis da tarde. Ou pede desculpa ou demite-se. Mas independentemente do que anunciar, há algo que impressiona: a unanimidade da comunicação social, dos jornais às rádios, contra Scolari. Mesmo aqueles que o levaram ao colo, agora deixaram-no cair.
Eu - como adepto - nunca gostei de Scolari (apesar de ver os resultados); mas são tantos contra ele que já começo a sentir uma ponta de simpatia!
João comprou o Expresso no sábado mas não o leu. Só conseguiu abrir o saco na terça à noite. Da primeira e última páginas algumas notícias destacaram-se. «Zezinha* quer expulsar chineses da Baixa» ou «Bertrand em guerra com grandes editoras». Mas estas foram notícias que ouvi durante o dia na rádio! Mas hoje é terça!…
Provavelmente o erro de João não foi ter lido o Expresso na terça à noite; foi ter comprado o Expresso…
* Eu, abaixo-assinado, declaro pela minha honra que enquanto for jornalista não farei uma notícia em que diga «Zezinha» para me referir a Maria José Nogueira Pinto.
Quero primeiro dizer que aprecio o estilo combativo de Rui Araújo, como provedor dos leitores do Público.
Mas acho que esse estilo combativo se pode confundir com «combate» - neste caso com a redacção do jornal; o título da crónica de ontem é, a esse nível, elucidativo. Ou ambíguo?
«Descuidos, despistes, ignorância, preguiça mental e repetições; Desculpem, estou de volta…»
Um combate com a redacção do Público não dará resultados, penso.
Da crónica de ontem, também: Rui Araújo tem dado muito destaque aos erros gramaticais e à «preguiça mental» de alguns dos jornalistas do Público. Faz bem. Mas que não se esgote nisso. Um exemplo:
«Ontem, 1 de Agosto, o PÚBLICO iniciou a publicação de um conjunto de textos sobre Fátima e o fenómeno de Fátima. Gostaria de saber a motivação editorial para esta opção. Fátima é sem dúvida um símbolo do país mas, sendo o Estado laico, o PÚBLICO um jornal que não se rege por critérios religiosos e sabendo que em 2007 passam 90 anos sobre as ‘aparições’ de Fátima (e não 100, ou 75 ou 50, as datas usualmente mais importantes), pergunto-me o interesse que tem dedicar uma página por dia ao assunto. (…) Qual é então o frete que o PÚBLICO tem de pagar?”, pergunta João Sousa André». Rui Araújo responde: «Fátima: é uma questão de critérios editoriais sobre os quais o provedor não pode pronunciar-se». Mas pode/deve ouvir/questionar o director do jornal (entre outros), deixando pistas para a reflexão colectiva.