Textos do mês Dezembro 2007 ↓

publicado em
28 de Dezembro de 2007

por João Paulo Meneses


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Das vendas dos jornais em 2007

Perante os últimos números (estes e estes), eis algumas notas:
- o Correio da Manhã é um exemplo, goste-se ou não. Consegue contrariar a tendência de quebra generalizada e mostra que é possível não só sobreviver como crescer em tempo de gratuítos. A sua fórmula que mistura jornalismo com uma pitada de sensacionalismo e uma dose q.b. de tabloidismo terá de ser seguida por quem quiser ter os mesmos resultados. O JN, bem menos tabloidista e muito menos sensacionalista, ressente-se; já o 24 Horas continua em quebra, sendo um dos casos mais complicados nesta altura, por falta de perspectivas;
- o DN consegue subir, porventura não tanto como desejavam os seus responsáveis, mas pelo menos termina o ano com sinal verde, o que pode dar uma luz de esperança para 2008 - o DN é, nesta altura, o jornal diário generalista mais bem informado. Já o Público, que se mantém acima do DN, também não consegue evitar a quebra e mostra que a última transformação, se foi boa em termos contabilísticos, não resultou em termos de leitores; o jornal - por muito que custe dizê-lo - precisa de vida nova (vida nova significa ânimo, entusiasmo, que é o que falta ao Público, actualmente). Até agora enganei-me
- O Expresso vende o dobro do Sol. Não me surpreende - só surpreende quem acreditou que as previsões de José António Saraiva, ao fim de um ano, poderiam ser verdade. Os resultados, para o Sol, sem serem desastrosos, não são animadores. E, de alguma forma, até são injustos, para um jornal que tem trabalhado muito. Mas o Expresso é um jornal bastante melhor, no seu conjunto, e quem tem de comprar apenas um, provavelmente comprará o Expresso (PS - ao fim de um ano, não seria de proceder a alguns acertos no Sol?).

publicado em
26 de Dezembro de 2007

por João Paulo Meneses


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Propaganda, dinheiro fresco e credibilidade

Partindo do pressuposto de que este acordo não passa pela área editorial (porque isso muda o contexto - e é mais grave), quando é que os nossos autarcas aprendem que o que as populações precisam é de informação, não de propaganda? Uma frase como esta oferece as maiores dúvidas: «em troca, o canal compromete-se a transmitir 150 vezes por ano “programas informativos de índole social, cultural, promocional ou turística”».
Já não bastam os boletins municipais e outro tipo de publicidade? Admito que as autarquias possam gastar dinheiro a comunicar, através dos seus meios, as suas iniciativas. Mas usar a comunicação social, comprando espaço, é desvirtuar a própria ideia de liberdade de expressão.
Ao Porto Canal, embora imaginando que o dinheiro fresco possa dar jeito, uma coisa como esta é péssima, se vista a médio, longo prazo (na sua credibilidade como órgão de comunicação social). Depois de Matosinhos, fará com outras autarquias? Qual a margem para escrutinar aquilo que é dito nesses tempos de antena? E os telespectadores, serão informados de que não se trata de um espaço não-jornalístico?

publicado em
25 de Dezembro de 2007

por João Paulo Meneses


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Quando Ricardo mata Miguel

Miguel Esteves Cardoso voltou à revista do Expresso, onde atingiu a glória com A Causa das Coisas. E voltou para entrevistar Ricardo Aráujo Pereira. Uma conversa cheia de significados, a partir do momento em que Ricardo confessou que Miguel sempre fora um modelo inspirador para si e o Expresso achou que convidar Miguel para entrevistar Ricardo seria interessante.
Foi penoso - dez páginas - mas não interessante.
Miguel mostra como um mau entrevistador consegue fazer com um bom entrevistado uma má «entrevista» (é, vá lá, uma conversa). É uma «entrevista» diferente? Claro que sim, mas tirando a questão da avó que Ricardo fazia rir, nada mais interessa - e são dez páginas…

Esta nota custa-me duplamente: porque o entusiasmo da leitura rapidamente deu lugar à desilusão (basicamente, tempo perdido e provavelmente não haverá segunda oportunidade) e porque Miguel Esteves Cardoso foi o meu primeiro ídolo na escrita jornalística portuguesa. Ricardo, que já tinha «morto» Herman, ajudou a enterrar Miguel Esteves Cardoso - pelo menos no meu cemitério de afectos.

publicado em
21 de Dezembro de 2007

por João Paulo Meneses


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abra o debate

Das revistas, no consultório (II): 80 páginas de pub

Tive também oportunidade de ver uma revista que saiu com o Público de sábado, chamada «Porto em revista». E fiquei impressionado!
Em qualquer circunstância ter quase 80 páginas de publicidade para 15 de texto seria insólito, mas no contexto actual de rarefacção publicitária é ainda mais fantástico.
Com algum exagero, pode dizer-se que este número da «Porto em Revista» teve mais publicidade do que o Público em meio ano…

A minha perplexidade é dupla: qual o interesse de anunciar numa revista que tem 80 páginas de publicidade? Mérito, obviamente, da editora (sendo que o director da revista é também o responsável pela publicidade).

publicado em
18 de Dezembro de 2007

por João Paulo Meneses


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Jornalismo, digamos, adverso…

«Deve ser caso único no mundo. Quando um atleta é apanhado num controlo de doping, diz-se normalmente que os testes realizados foram positivos. No caso do ciclista José Pecharromán, que representava o Benfica (foi despedido entretanto), o “Público” de hoje consegue bater vários recordes Guinness do eufemismo. Em título, escreve-se que Pecharromán “teve análise antidoping adversa” (“adversa”, repare-se) e, no lead, a adversidade é transformada num “teste de doping não negativo”. “Não negativo” é muito bom. Mas toda a gente sabe que, no futebol, o Benfica também tem estado a fazer uma época “não negativa”. E o próprio “Público” também já teve dias mais não negativos. No lead de uma notícia é hoje possível, por exemplo, encontrar a palavra “realisado”» (sublinhados, desnecessários, meus)

publicado em
14 de Dezembro de 2007

por João Paulo Meneses


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abra o debate

Mais dos provedores (agora o da RDP)

Gostaria de deixar um contributo - desalinhado - sobre a polémica que marca o trabalho do provedor dos ouvintes da RDP.
Independentemente de pormenores que me escapam, parece-me - há muito tempo (e também por isso me desinteressei pelo trabalho de José Nuno Martins) - que o provedor entendeu erradamente o seu trabalho: não é por alguém ser ouvinte (e se queixar) que tem razão. Da escuta/leitura de muitos dos programas fica essa convicção: (parece que) o ouvinte tem sempre razão.
O último programa é disso mais um exemplo. José Nuno Martins prende-se a pormenores, a opiniões dispersas, que seriam facilmente contraditadas por outras opiniões, de outros ouvintes(o caso dos espaços de opinião é disso exemplo).

PS1 - É duvidoso que, no actual contexto, José Nuno Martins tenha condições para continuar a desempenhar a sua função - independentemente da culpa ser sua ou não;
PS2 - JNM, neste programa, toca numa questão importante: a Antena 3 pareece ser cada vez menos uma rádio jovem; eu, que sou ouvinte da Antena 3, e tenho mais de quarenta anos, gostava de ser jovem, mas…

publicado em
13 de Dezembro de 2007

por João Paulo Meneses


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Da (tentativa de) manipulação (que felizmente nem sempre resulta)

De um press release recebido ontem:
«RNTV VAI PARA O AR NOS PRÓXIMOS DIAS
Narciso Miranda, Pinto da Costa, Rui Sá, Manuel Monteiro e Antero Braga são os comentadores fixos do novo canal
»

Pinto da Costa? O presidente do FC Porto? Que grande mais-valia para um canal que se afirma do Norte! Mas não é o presidente do FC Porto? É o irmão José…

PS - Eis como há (felizmente) diferenças entre jornalismo e relações públicas: «entre o painel de comentadores o médico José Pinto da Costa»; no DN a notícia também estabelece bem a diferença.

publicado em
12 de Dezembro de 2007

por João Paulo Meneses


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Da manipulação (e a ingenuidade)

Os principais clubes do futebol português descobriram uma nova forma de tentar aumentar as receitas, neste caso através da venda de bilhetes nos jogos: a meio da semana anunciam que no próximo jogo o estádio vai estar cheio e a malta da comunicação social vai toda atrás (muitas vezes com declarações de responsáveis dos clubes); depois, no próprio dia, percebe-se que o estádio até tem muitas cadeiras vazias - mas na próxima semana há mais…
Do lado dos clubes a estratégia é clara: fazer passar uma ideia de dinâmica, apressar os que têm dúvidas, combater qualquer laivo de ‘crise’ ou desinteresse; já do lado dos jornalistas não podia ser maior a ingenuidade.
(Este texto resulta de sucessivas observações da minha parte, primeiro lendo as notícias a meio da semana e depois ouvindo/vendo os repórteres nos campos)

publicado em
10 de Dezembro de 2007

por João Paulo Meneses


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Avillez Figueiredo na Sonae

Alguns leitores deste blogue mostraram-se chocados com aquilo que consideram ser a falta de ética do director do Diário Económico que se despediu para ocupar um posto de responsabilidade na Sonae.

E só por causa dessas mensagens - para não se pensar que as estou a censurar - é que escrevo este texto: não vejo qualquer problema ético em se abandonar o jornalismo! Se amanhã Avillez Figueiredo voltar ao jornalismo económico já pensarei de forma diferente - mesmo respeitando os seis meses de ‘nojo’ previstos no novo Estatuto do Jornalista (por falar nisso, já está em vigor?).

publicado em
9 de Dezembro de 2007

por João Paulo Meneses


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O Correio da Manhã e a liberdade de expressão

Agora que já me informei um pouco mais sobre o caso, penso que devo dizer isto sem margem para dúvidas: uma coisa é não achar piada às ‘bocas’ quase diárias do 24 Horas ao Correio da Manhã, outra é pedir a um tribunal que, directa ou indirectamente, as impeça. O que é mais trágico neste caso é que é um jornal a limitar a liberdade de expressão de outro.
(sugiro ao Clube de Jornalistas que trate o tema em próximos programas, uma vez que o que está em causa é muito mais do que as graçolas/gracinhas do 24 Horas)

publicado em
8 de Dezembro de 2007

por João Paulo Meneses


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Ver e ler para querer mais

As boas ideias parecem ser aquelas que, interessando, não têm nada de especial, mas de que ninguém se lembrou antes. São boas porque são simples e funcionam bem. Esta ideia é uma delas. Boa e bem feita, deve ser lida avidamente. Parabéns ao João Tomé. (não posso garantir que a ordem lógica seja esta, mas que importa a lógica quando Ricardo Araújo Pereira e Terry Jones se encontram!!!)

publicado em
6 de Dezembro de 2007

por João Paulo Meneses


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ACT Correio da Manhã quer proibir textos do 24 Horas?

Apenas sei o que li no 24 Horas, que o Correio da Manhã apresentou uma queixa na ERC contra os textos quase diários do 24 Horas que visam directamente o jornal concorrente. Mas se é assim, além de ficar muito curioso sobre o que dirá a ERC, e sem prejuízo de uma análise mais detalhada, parece-me uma atitude infeliz do Correio da Manhã; liberdade de expressão é isso mesmo; e no limite - se fosse caso disso - existem os tribunais

ACT a 7/12: afinal não é apenas a queixa na ERC; há também - segundo se lê no próprio 24H de hoje - uma providência cautelar. Para quê?

publicado em
5 de Dezembro de 2007

por João Paulo Meneses


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Vingança de saco (Sol e Expresso)

Sábado passado numa estação de serviço: compro o Expresso e pego no saco de plástico. Entrego o dinheiro e recebo troco. Troco? É o Sol! E lá fiquei sem comprar o Expresso, nesta semana!

PS - o saco tambem vai pagar taxa?

publicado em
3 de Dezembro de 2007

por João Paulo Meneses


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Chavez ganha, diz a primeira do Público!

O Público decidiu jogar roleta russa ontem no fecho e ‘apostou’ na vitória de Chávez (baseado em ‘três sondagens feitas à boca das urnas’).

É uma primeira página que entra para a galeria das que não prestigiam o jornal. E talvez seja uma lição para o futuro.

ACTUALIZO: «Pelo erro, as nossas desculpas aos leitores. A Direcção Editorial»