Textos do mês Janeiro 2008 ↓

publicado em
31 de Janeiro de 2008

por João Paulo Meneses


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27 opiniões

ACT Um caso que merece desenvolvimento (Blogdabola)

É a segunda vez em pouco tempo que falo do Blog da Bola - um blogue sobre futebol, que tem dado as ‘cachas’ que depois toda a gente persegue na informação desportiva, e não só. A idade de Leandro Lima é apenas um exemplo, outros podiam ser dados: a publicidade de Rui Costa, o novo empresário de João Moutinho e, claro, a contratação de Makukula (só para referir os mais recentes).

Primeira nota, trata-se de um blogue anónimo, embora num recente texto no Record o jornalista Eugénio Queirós o tenha atribuído ao (antigo?) jornalista Marinho Neves - com quem, aliás, trabalhei em finais da década de 80, na falecida Gazeta dos Desportos. Os textos são assinados por «batebola». O anonimato retira-lhe credibilidade e, principalmente, notoriedade (mas toda a gente no futebol o lê… e os factos mostram que está certo);

Segunda: como é que um blogue anónimo consegue dar as notícias em primeira mão de FC Porto, Benfica ou Sporting? Como é que um jornalista - por muito bem informado - consegue bater centenas de outros jornalistas (nomeadamente nos jornais)? Ninguém contrata esse jornalista? (se é que é apenas um jornalista; e se é que é um jornalista…)

Terceira: O blogdabola é um dos poucos blogues que dão notícias em Portugal, podendo, nesse aspecto, dizer-se que faz jornalismo. Um jornalismo anónimo, é certo, mas jornalismo. Act a 01/02/08: Gostava de esclarecer esta parte final do texto, até porque pode suscitar equívocos. Como é evidente não há dúvidas sobre a necessidade do jornalismo ser identificado. Por isso o blog da bola não é - nem será, nestas circunstâncias - um órgão de comunicação social. O que não quer dizer que não faça jornalismo. É isso que eu digo (quatro ou cinco linhas acima). Incoerente? Talvez, mas as fronteiras não são tão rígidas como se pode pensar. Voltarei a este tema na proxima semana.

publicado em
29 de Janeiro de 2008

por João Paulo Meneses


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27 opiniões

Depois da vitória de ETC, as opiniões de ECT

A propósito desta notícia «Tribunal arquiva queixa da RTP contra Eduardo Cintra Torres e director do “Público”», Eduardo Cintra Torres fez chegar estes comentários, que reproduzo (com sublinhados meus) por duas razões, independentemente de concordar ou não com o que se diz: porque é um assunto que aqui acompanhei; porque é uma forma de considerar quem teve idêntica consideração:
«- independentemente de ainda assistir aos assistentes o recurso da decisão do tribunal, trata-se de uma vitória da liberdade de imprensa, do trabalho independente dos jornalistas e dos comentadores em Portugal.
- a decisão corrobora o que sempre defendi:o direito e a obrigação dos comentadores de basearem as suas opiniões em elementos informativos e investigados.
- a decisão judicial contraria a tentativa de intimidação da opinião livre e da divulgação de informações e trabalhos de investigação revelando como a informação dum media, neste caso a RTP1, pode servir os interesses do poder político do momento.
- a decisão judicial é, nas suas 4 páginas, totalmente contrária ao arrazoado de 200 páginas que a ERC dedicou ao assunto, e que terminava com a «condenação» minha e do meu artigo e ainda do director do Público. Recordemos que a deliberação da ERC, que considerei então um momento negro da história da liberdade de imprensa em Portugal, afirmava claramente que o director do jornal deveria ter censurado o meu artigo. Esta decisão é uma derrota para a tentativa da ERC de estrangular a liberdade de opinião e de informação dos jornalistas e comentadores porutugueses, tanto mais que pela forma incrível como tratou do meu artigo tentou construir um «caso exemplar» do que pretendia fazer da sua actuação contra o jornalismo e opinião livres e independentes.
- a decisão do TIC é igualmente de sentido diferente da que seguiu o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas que analisou uma queixa do DI da RTP sobre o meu artigo. Esse Conselho Deontológico, felizmente, já foi substituído

(podem encontrar as minhas opiniões aqui)

publicado em
28 de Janeiro de 2008

por João Paulo Meneses


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Aproveitar a internet para valorizar conteúdos

Eis um bom exemplo de aproveitamento das novas tecnologias para valorização de conteúdos de arquivo.
É uma forma de trazer à net conteúdos áudio de grande valor e os poder partillhar com mais (e novos) ouvintes - geralmente o áudio não é muito valorizado depois de emitido. Noutros casos é apenas re-ouvir (neste caso em concreto, é ouvir várias vezes…, foi uma das melhores reportagens que ouvi nos últimos anos).

PS - o Pedro é meu camarada de redacção mas o princípio é válido para qualquer outro jornalista, neste caso de rádio.

publicado em
27 de Janeiro de 2008

por João Paulo Meneses


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54 opiniões

ACT: Não é Ai isso é que é…

«Já agora, caro JPM, gostava de saber o que pensas disto? Aguenta um pouco as banalidades do Miguel Veloso para veres a parte final do artigo. Publireportagem?»

Nem sequer. Publicidade, com um outro retoque para-jornalístico. Mas não se tratando de um órgão de comunicação social, não há propriamente uma violação ética. Ainda assim, poderia dizer «pub», por exemplo.

ACTUALIZO em função do comentário do Nelson: pensava que se tratava de um video promocional, publicitário, nunca inserido num meio de comunicação social. Assim é bem mais grave: publicidade encapotada da pior espécie!!!! (além de me parecer, até, ilegal)

publicado em
26 de Janeiro de 2008

por João Paulo Meneses


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Apenas pressa?

(enviado por um leitor, que pede comentário)

«Segundo Barclays Capital
Bancos poderão necessitar de mais 143 mil milhões para enfrentar «subprime» (título)

Caso as agências de «rating» revejam em baixa as seguradoras de obrigações (destaque)
(texto) Os bancos que encaixaram 72 mil milhões de dólares para ajudar a restaurar o seu capital devido às perdas relacionadas com o «subprime», poderão necessitar de mais 143 mil milhões de dólares de dólares, caso as agências de «rating» revejam em baixa as seguradoras de obrigações, considera o Barclays Capital, avança a «Bloomberg»
Os bancos que encaixaram 72 mil milhões de dólares para ajudar a restaurar o seu capital devido às perdas relacionadas com o «subprime», poderão necessitar de mais 143 mil milhões de dólares de dólares, caso as agências de «rating» revejam em baixa as seguradoras de obrigações, considera.
Os bancos vão necessitar de pelo menos 22 mil milhões de dólares, caso as obrigações cobertas por seguradoras como a MBIA e a Ambac Assurance sejam revista em baixa um nível de AAA.
As estimativas do Barclays, citadas pela, baseiam-se em participações dos bancos de um máximo de 75% dos 820 mil milhões de dólares de valores mobiliários estruturados garantidos por seguradoras de obrigações.
Na semana passada, a Fitch Ratings reviu em baixa a Ambac em dois níveis para AA

(15h19)
Comentário? Será necessário?…

publicado em
25 de Janeiro de 2008

por João Paulo Meneses


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ACT Ética e concorrência

«(…)Mas o que será a ética dentro da concorrência?
Para responder a esta pergunta, conto aqui a história do negócio Makukula/Benfica.
No dia em que O JOGO noticiou o início do negócio, a Rádio Renascença desmentiu-o na edição matinal da sua Bola Branca. E fê-lo, como é seu hábito sempre que lhe parece haver más notícias para a concorrência, mencionando este jornal.
Em contrapartida, ontem, quando principiou a desenhar-se o cenário que O JOGO traçara em primeira mão, a mesma estação radiofónica apropriou-se do cadáver, chamando-lhe notícia Renascença.
Poderíamos estar perante um caso isolado mas não. Há anos que a Renascença não respeita as regras da boa concorrência. E fá-lo sempre da mesma maneira: quando desconfia que a notícia impressa pode não ser fiável cita a fonte original; quando, pelo contrário, acha que aquilo que leu tem grandes hipóteses de vir a ser assim chama-lhe um figo e faz de conta que o colheu da sua figueira.
Como disse, a vida não está fácil. E na voragem dos acontecimentos acredito que os meios de comunicação mais quentes como as rádios e as televisões acabem por pecar com mais frequência por não lhes ser permitida grande reflexão.
Não desconhecendo que todos teremos os nossos pecados e que todos os dias trabalhamos para tentar redimi-los. Duvido é que o modo vicioso como a Renascença peca na informação desportiva possa merecer qualquer redenção
» (Manuel Tavares, no Jogo de hoje)

ACT a 28/01: permitam-me chamar a atenção para um comentário que chegou hoje; está bem informado, parece. Mas anónimo. Por isso, não o puxo para este espaço. Ainda assim, vale a pena ler.

publicado em
24 de Janeiro de 2008

por João Paulo Meneses


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O programa mais inqualificável que vi até hoje na televisão…

… passa nas madrugadas do Porto Canal. Por causa de uma insónia descobri este programa, em que espectadores e apresentador rivalizam em linguagem pornográfica e obscena (por aquilo que percebi não há qualquer tipo de atenção prévia aos SMS enviados e acreditem que alguns eram chocantes).

Caro Bruno, eu sei que só vê quem quer e que àquela hora…, mas o programa é indigno - porque legitima num órgão de comunicação social um determinado tipo de linguagem que não pode ter legitimação (sim, acho que é diferente de um filme pornográfico)

publicado em
23 de Janeiro de 2008

por João Paulo Meneses


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27 opiniões

Sensacionalismo, claro

«Caso Maddie vale nomeação ao Óscar»

(o filme foi inspirado numa história escrita há quase dez anos…, com o mesmo título ‘Gone, baby gone’)

PS - comentário inspirado na intervenção de Nuno Markl hoje na Antena 3

publicado em
21 de Janeiro de 2008

por João Paulo Meneses


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«O excesso de governo na Lusa»

Devo dizer, em primeiro, que não tenho dúvidas de que todos os governos/políticos pensam em instrumentalizar a comunicação social (e, portanto, o de Sócrates também); segundo, que não gosto de campanhas, porque nos retiram clarividência (por mim nunca se tinha feito a ‘campanha de Timor’ no jornalismo português); terceiro - posto isto - que acho preocupante o relato feito por Eduardo Cintra Torres (ECT) na sua última crónica.
ECT, «assumindo um dever de informar a opinião pública», divulga as acusações dos membros eleitos do Conselho de Redacção da Lusa, com data de 14 de Dezembro, à governamentalização da informação da agência («órgãos e assessores governamentais e agências de comunicação não podem condicionar a actividade noticiosa da agência», lê-se entre outras citações).

Eu acho que a ERC, por várias razões, deveria investigar.

publicado em
18 de Janeiro de 2008

por João Paulo Meneses


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Tudo está bem quando acaba bem (JRS)

«O Conselho de Administração da RTP decidiu arquivar o processo disciplinar contra o jornalista José Rodrigues dos Santos. Em comunicado, a empresa anuncia a decisão, dizendo que a tomou «seguindo a recomendação expressa pelos instrutores no Relatório Final de Instrução do processo disciplinar mandado instaurar em 24 de Outubro de 2007 contra o jornalista José Rodrigues dos Santos». Porquê?
Porque «o jornalista repetiu, no Público, aquilo que disse na extinta AACS e que é público. E que foi público»

publicado em
17 de Janeiro de 2008

por João Paulo Meneses


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O fim da rua e o fim do mundo?

Gostava de ter ouvido as rádios, esta manhã (sete e oito da manhã), no fim do mundo, mas apenas as ouvi no fim da rua - gostava que a TSF também lá tivesse estado, mas tenho mais dificuldade em perceber porque é que a Antena 1, com todos os seus meios, não esteve (em contrapartida, pareceu-me ter ouvido dois repórteres em Almada).

publicado em
16 de Janeiro de 2008

por João Paulo Meneses


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Dois (bons) avanços no Código de Conduta do Expresso

Gostaria de saudar a segunda versão do código de conduta dos jornalistas do Expresso, sobretudo porque esse texto representa um avanço face ao anterior texto de 2003: o novo código concretiza várias situações e passa dos princípios à - digamos - prática, tornando-o mais útil.
Dois exemplos:
«O jornalista não faz cumulativamente assessoria de imprensa e não participa da propriedade de empresas de assessoria ou consultadoria de comunicação. No regresso à actividade jornalística, o jornalista deverá ser obrigatoriamente colocado numa secção que não aborde temáticas da área em que trabalhou, não podendo voltar às anteriores funções antes de decorridos 12 meses»
e
«É proscrita a aceitação, pelos jornalistas, de ofertas cujo valor ultrapasse 10% do salário mínimo nacional. Destas ofertas deve ser dado conhecimento à Direcção do jornal. As prendas devem ser devolvidas ao expedidor, acompanhadas de uma carta cortês e justificativa (cujo modelo o jornal disponibiliza)»

publicado em
15 de Janeiro de 2008

por João Paulo Meneses


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Eu não quero ler opinião nas notícias

Há uma notícia no DN de hoje, pág. 29, secção Mundo, com o título «Livro divulga os nomes das amantes do Rei Juan Carlos» (e que fala do conteúdo de um livro novo sobre o casamento de Juan Carlos), cheia de opinião. Um exemplo:
«Vingança? Ajuste de contas? O que for. Com Peñafiel [o autor] não se brinca!»
A notícia termina assim:
«Já agora, Jaime Peñafiel, porqué no te callas?»

Duas notas:
- o jornalista achou que devia exprimir a sua opinião sobre o livro (que, imagino, não leu); porquê nesta e não noutras notícias?
- se o livro não tem dignidade, então não justifica uma notícia;

publicado em
14 de Janeiro de 2008

por João Paulo Meneses


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Dizer ou não dizer? Dizer.

«Não estou preocupado. Temos de ter a nossa mentalidade e de saber o que temos e o que estamos a fazer. Os jogadores têm de estar fodidos porque empatámos em casa, mas têm de continuar a trabalhar, porque o Campeonato ainda não acabou»

publicado em
10 de Janeiro de 2008

por João Paulo Meneses


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54 opiniões

… menos do que um miudo de 10 anos?

Título:
«Antárctida encantou jovens portugueses»

Abertura:
«Duas semanas no Pólo Norte, em contacto com a natureza, deixou marcas nos aventureiros»

Lead:
«Sete jovens portugueses regressaram ontem da viagem das suas vidas. É assim que a maioria descreve a expedição à Antárctida, para a qual partiram a 25 de Dezembro. Os estudantes ficaram maravilhados com as belezas naturais do pólo Sul - e só não dizem que foi tudo perfeito porque, ontem, na viagem de regresso, viram as malas ficar para trás»

(está tudo on line, menos a abertura)