publicado em
6 de Maio de 2008

por João Paulo Meneses


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Duas ou três coisas sobre a Antena 3

José Nuno Martins, no relatório relativo a 2007, deixou ficar algumas considerações interessantes (por exemplo sobre a autonomia e identidade da rádio pública face à meia-irmã televisão) mas é sobre a Antena 3 que gostaria de partilhar duas ou três linhas.

Diz José Nuno Martins que «Tendo a média etária dos ouvintes da Antena 3 envelhecido praticamente na mesma medida em que cresceu a idade da estação, aqueles ouvintes que tinham 17/25 anos por altura da criação da 3 têm hoje 30/38 anos” (…).  ”A questão é se - quando foi criada e quando se contratualizou a sua formulação - o Estado entendeu que desenvolvia o projecto da Antena 3 para a propor a ouvintes de 38, 30 ou mesmo 25 anos, ou se o implantava para atingir gente muito mais nova”. (…) ”A rádio ‘jovem’ envelheceu, tornando-se afinal numa proposta alternativa à Antena 1″.

E tem razão na análise.

De acordo com o último Anuário de Media e Publicidade, da Marktest,  quase 50% dos ouvintes da A3 têm entre 25 e 34 anos e 10,5% têm entre 35 e 54 anos. Curioso, não? Ou seja, 60% têm entre 25 e 44 anos. Inquietante, não? A mesma percentagem, mas na Cidade FM, tem entre 15 e 24 anos. Elucidativo, não?

A Antena 3 não tem de ser a Cidade FM (que eu não ouço, mas ouço a Antena 3). Mas não faz sentido continuar a enterrar a cabeça na areia como se nada se passasse face aos desígnios fundamentais da Antena 3.