O assunto do dia de sexta foi a decisão da justiça desportiva quanto ao ‘apito dourado’. O FC Porto marcou uma declaração para as 20 horas, com grande antecedência. 20 horas, de sexta, significa que ainda há milhares (centenas de?) carros nas estradas. Ora a rádio não pode desligar quando começam os ‘telejornais’. A TSF, principalmente, e a Antena 1 (um pouco menos) acompanharam - como seria normal - essa declaração de Pinto da Costa. A RR passou completamente ao lado. O Rádio Clube demorou, depois, ainda durante o noticiário das 20h, ‘picou’ uma das televisões, e rapidamente desligou.
Estou certo que os ouvintes da RR e do Rádio Clube não ficaram informados. Felizmente existe alternativa, mas há muito que me preocupa o facto de, por vezes, a rádio parecer que funciona com serviços mínimos. O caso do Rádio Clube é problemático, já quanto à Renascença, é impressionante o divórcio entre redacção e sector desportivo.
A propósito da notícia da Lusa «Público procede a mudanças na direcção», devo dizer que me surpreende a continuidade de José Manuel Fernandes (JMF).
Nunca trabalhei com JMF e esta apreciação não tem nada de pessoal (COMO É ÓBVIO) nem sequer é jornalística.
Baseia-se antes na necessidade - imagino eu - de encontrar ânimo novo no Público e JMF, podendo ser o mais motivado da equipa, já não inspirará o mesmo sentimento na redacção. É sobretudo uma questão de excesso de tempo no lugar, associada - admito - à quebra que parece estrutural nas vendas.
Há dois anos previ a saída de JMF. Enganei-me. Dois anos depois, e sem que as alterações tenham resultados (o que não significa que ele seja directamente responsável por isso), faço o meu mea culpa mas suscito de novo a questão.
O Público anda triste e deprimido. Espero que a nova direcção seja uma direcção nova!
«(…) Ricardo Maia, que cuida das relações com a imprensa do Benfica, escreveu de manhã um comunicado a garantir que Rui Costa, neste momento, só joga futebol e não trata de negócios do clube, mas, à noite, passou pela vergonha de ser desmentido na TV com as imagens da operação Eriksson. Pobres diabos» (Pedro Tadeu, «Pobres diabos», 8/05/08; 24 Horas)
… assim inaugurou José Alberto Carvalho, director de informação da RTP, a sua intervenção no âmbito da Comissão de Ética, Sociedade e Cultura, que decorreu na Assembleia da República. O responsável afirmou ontem concordar com a monitorização da informação da RTP, mas não com “os sistemas de quotas que estipulam tempos de antena para cada um dos partidos” nos espaços noticiosos da estação. “Equilibrar os tempos não é e não pode ser um critério jornalístico”, asseverou.»
PS - Ao contrário, José Alberto Carvalho não tem razão quando explica os dois espaços de comentário, de Marcelo Rebelo de Sousa e de António Vitorino, com este argumento: «a RTP é mais livre tendo estes programas do que não tendo nenhum». Por essa ordem de ideias, era mais livre tendo só Marcelo ou só Vitorino do que não tendo nenhum. A questão não deve, penso, ser posta assim, mas numa outra solução.
José Nuno Martins, no relatório relativo a 2007, deixou ficar algumas considerações interessantes (por exemplo sobre a autonomia e identidade da rádio pública face à meia-irmã televisão) mas é sobre a Antena 3 que gostaria de partilhar duas ou três linhas.
Diz José Nuno Martins que «Tendo a média etária dos ouvintes da Antena 3 envelhecido praticamente na mesma medida em que cresceu a idade da estação, aqueles ouvintes que tinham 17/25 anos por altura da criação da 3 têm hoje 30/38 anos” (…). ”A questão é se - quando foi criada e quando se contratualizou a sua formulação - o Estado entendeu que desenvolvia o projecto da Antena 3 para a propor a ouvintes de 38, 30 ou mesmo 25 anos, ou se o implantava para atingir gente muito mais nova”. (…) ”A rádio ‘jovem’ envelheceu, tornando-se afinal numa proposta alternativa à Antena 1″.
E tem razão na análise.
De acordo com o último Anuário de Media e Publicidade, da Marktest, quase 50% dos ouvintes da A3 têm entre 25 e 34 anos e 10,5% têm entre 35 e 54 anos. Curioso, não? Ou seja, 60% têm entre 25 e 44 anos. Inquietante, não? A mesma percentagem, mas na Cidade FM, tem entre 15 e 24 anos. Elucidativo, não?
A Antena 3 não tem de ser a Cidade FM (que eu não ouço, mas ouço a Antena 3). Mas não faz sentido continuar a enterrar a cabeça na areia como se nada se passasse face aos desígnios fundamentais da Antena 3.
A Lusa, com base numa informação do gabinete que coordena o Plano Tecnológico, anuncia que «Portugal tem a 7ª internet mais rápida e a 9ª mais barata numa lista de 30 países incluídos no relatório”Explaining International Broadband Leadership”».
Confirma-se através do relatório e sim, é verdade.
Mas são três os critérios e o terceiro, a penetração doméstica da banda larga, não aparece referenciado no texto da Lusa (Portugal está em 20º lugar).
Da mesma forma, não se diz que Portugal está, globalmente, em 18º lugar. Antes, no texto da Lusa, fala-se em «posição cimeira de Portugal no relatório da ITIF».
A Lusa limita-se a citar «o comunicado enviado à imprensa», mas podia - e devia - ter ido mais longe. Isso é jornalismo.
O DN publica hoje uma página de publicidade que tem este título: «’Crime na OPA chinesa do Benfica’ - Desmentido».
No fundo trata-se de uma carta assinada por Vasco Pereira Coutinho contra, parece, o Diário Económico e dirigida - parece - ao director do Diário Económico («é inadmissivel que pessoas que publicam tamanhas falsidades a coberto de fontes anónimas, comos os jornalistas do Diário Económico na altura fizeram, saiam de tudo isto incólumes, só porque são jornalistas»). No Diário de Notícias. Cujos leitores não terão percebido nada e, se calhar, até pensaram que o DN teria alguma coisa a ver.
É contra este tipo de comportamento que tenho vindo a manifestar-me, o da falta de respeitio pelos leitores. ‘Eles comem o que lhes dermos’. Até quando?
PS - a carta/desmentido de Vasco Pereira Coutinho não sai no Diário Económico de hoje. Mas, pelos vistos, sai em A Bola de hoje. Contra o Correio da Manhã…
Espanha tem o El País e o El País é um dos melhores jornais do mundo.
Mas se em Espanha é possível que aconteçam coisas como esta num jornal como o El Mundo («Jornal espanhol cita polícias de ficção como sendo verdadeiros») , então isso faz-nos pensar que o jornalismo português estará blindado - até ver? - ao lixo (veja-se, por exemplo o tipo de justificações do jornalista).
(Se quiserem desenvolver o assunto e, mesmo, ler o texto de Anibal Malvar na íntegra, podem fazê-lo a partir do blogue de Joana Morais; através deste surpreendente blogue, e da atenção da autora, descobri um blogue de um cronista do El Mundo que se dedica a escrever sobre o El Mundo, numa perspectiva - como tantas vezes aqui se procura - de metamédia)
1)
«Vou explicar-lhe uma coisa: eu chego ao pé da direcção do Correio da Manhã, ou do Diário Económico, e peço: “Importas-te de pôr aí o Patinha Antão a escrever uma peça, ou o Ângelo Correia?” A seguir, quem trabalha com o PS faz o mesmo: “Põe o Jorge Coelho, o António Vitorino a escrever um artigo.” O que é que estes colunistas fazem? A partir do momento em que têm o seu palco, começam a andar à volta, a andar à volta, e esquecem-se de defender a estratégia do dr. Menezes, ou seja de quem for. Quando se apanham com aquele glamour… Ficam em roda-livre.»
2)
«Por exemplo, um cliente meu diz: “Ah, gostava tanto de conhecer o presidente do Benfica!” Eu telefono: “Ó Filipe, podes marcar um almoço comigo para a semana?” Ele diz: “Sim. Dia 14.” E eu: “Posso levar um amigo meu?” Ele: “Podes.” E pronto. O tipo pode querer fazer um negócio qualquer, patrocinar uma modalidade, ou coisa do género. E faz. Há tanto conflito de interesses numa agência de comunicação como numa firma de advogados ou numa consultora. É uma questão de seriedade»
Como jornalista, o que mais quero é que todos os órgãos de comunicação social estejam pujantes e a crescer. Daí que, mesmo não sabendo se isto é a bonança, estas sejam boas notícias.
Como observador, faço um destaque para o Diário de Notícias. Embora ninguém goste pôr as coisas desta forma, a verdade é que o esforço liderado por João Marcelino poderia ser o último, depois de alguns erros e equívocos.
E destaco o DN porque é forçoso reconhecer que o jornal tem feito um esforço para mudar as coisas, melhorando o produto que é oferecido todos os dias, investindo no jornalismo - não gosto de tudo o que lá se lê, como é óbvio.
Sinceramente fico muito satisfeito com os resultados do DN; mostram que o jornalismo ainda é o melhor investimento de um jornal.
José Nuno Martins despede-se este sábado da função de provedor dos ouvintes da RDP.
Não faço um balanço positivo do desempenho - e escrevi-o algumas vezes - embora admita as dificuldades de iniciar uma função a partir do zero. A sua saída ao fim de um ano é normal (e natural, porque ele próprio se tinha indisponibilizado), portanto.
Talvez o problema maior de José Nuno Martins tenha sido de perspectiva - de perceber quem representava (mais de como representava). Não basta dizer que é ‘dos ouvintes’. Por um lado é importante perceber que os ouvintes não têm sempre razão; por outro, é preciso ter em conta o seu interesse colectivo. Na imprensa temos tido quem consiga uma boa fusão destes pressupostos (e na RTP Paquete de Oliveira também terá desempenhado a função satisfatoriamente, por isso, também, continua).
Francisco José Oliveira poderia ter sido o seu substituto. Não foi. Apenas um comentário: Não vejo como é que «um nome “com uma ligação recente e duradoura” a uma agência de comunicação» não pode desempenhar a função de uma forma positiva (a menos que fosse conciliar as duas coisas). (nota: trabalhei com Francisco José Oliveira na Rádio Nova, entre Março de 1989 e Junho de 2001).
de um leitor deste blogue:
«Caso da ‘notícia’ do Expresso sobre Pinto da Costa acabou em admoestação verbal aos jornalistas. Aqui.
Para que fique claro, nada tenho contra os jornalistas em causa. Interessa-me o generalizar do caso: como/a quem respondem os jornalistas pelos - naturais, mas não desejáveis, é certo - erros ? (sim, para além da resposta esbatida … “perante o público”)»
Uma nota minha: as três informações (a primeira e a segunda notícia e o comunicado da direcção do Expresso) não estão online. Desapareceram? Estou a ver mal? Eu não acho bem.
… João Jardim na luta pela liderança do PSD.
A SIC já se queixou a Manuel Ferreira Leite e fala em concorrência desleal…