publicado em
21 de Abril de 2008

por João Paulo Meneses


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«Crianças que ninguém quer adoptar»

«Crianças que ninguém quer adoptar» é um dos títulos de primeira página do último Expresso. A ilustrar a chamada está a foto de uma criança, um bebé.

Se quisermos ver numa perspectiva legalista, como essa criança não está identificada, poder-se-á pensar que não há problema, nomeadamente ao nível de consequências futuras dessa criança.

Mas, como em muitas outras questões, a perspectiva deve ser sobretudo ética, mais até do que deontológica. É anti-ético usar a imagem de uma criança, de um bebé, para ilustrar um texto com esta conotação. Algum jornalista do Expresso aceitaria ceder a foto de um seu filho para isto?

Curiosamente, ou talvez não, no interior, em duas páginas, o Expresso não mostra a cara de nenhuma criança. A preocupação não chegou à primeira página, pelos vistos.

PS - tenho uma especial sensibilidade para estas questões da adopção; espero que isso seja sobretudo uma forma de me ajudar a ver melhor o problema.

publicado em
21 de Abril de 2008

por João Paulo Meneses


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Dar mais importância aos ouvintes (respeitá-los)

A TSF passou hoje uma peça que divulga os próximos concertos de Nick Cave em Portugal e em que aparecem declarações do cantor, músico e compositor. Mas em que nada é dito sobre a origem dessas declarações.

Estou convencido que uma das coisas que os jornalistas terão mudar rapidamente é percepção da importância que devem dar aos seus ‘utilizadores’ (outra, por exemplo, é a banalização desta palavra, em detrimento do simples ouvinte, leitor ou telespectador…).

Actualmente, e ao longo de décadas foi assim, vigora a máxima: ‘eles comem o que lhes dermos’ (e nesse sentido o destinatário é subalternizado, desconsiderado, remetido a um papel absolutamente passivo). Com a net, nada ficará como dantes. Os consumidores percebem que têm mais direitos do que apenas ligar ou desligar, a interactividade será cada vez mais uma realidade, os jornalistas sentir-se-ão ‘obrigados’ a prestar contas - até ao limite dos próprios critérios.

Voltando à peça que suscitou este postal: se Cave tivesse falado à TSF seria natural que o trabalho o referisse; se fosse a outro órgão de comunicação social, ainda mais; mas aqueles sons em concreto apareceram de onde? 

Os ouvintes (os utilizadores, os consumidores) não são estúpidos. E se nós só existimos por causa deles, respeitá-los é dar-lhes (o máximo d) a informação que lhes pode ser útil para a compreensão total do nosso trabalho.

publicado em
18 de Abril de 2008

por João Paulo Meneses


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abra o debate

A mim pareceu-me óbvio…

«Investidor do Boavista detido»

PS - Investidor? Não seria melhor pseudo-investidor? anunciado investidor? prometido investidor? Investidor é aquele que investe… Ou seja, é preciso «não acreditar em tudo o que nos dizem»

publicado em
18 de Abril de 2008

por João Paulo Meneses


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Menezes, Aguiar Branco, a Visão e o ex-embargo

A entrevista de Aguiar Branco à Visão levou à demissão de Luis Filipe Menezes (foi mais a gota de água, mas não se lhe pode nem deve retirar o mérito).

O original neste caso é que a entrevista, publicada ontem, foi conhecida um dia antes, às seis da tarde na Antena 1.

E original porque estas entrevistas, quando são antecipadas, têm embargo, por exemplo até à meia noite. Ou há um novo paradigma (por força da net, embora tanto quanto me apercebi ela não estivesse nessa altura online?) ou alguma coisa correu mal.

Uma coisa parece-me certa: a antecipação deu mais protagonismo à entrevista. E forçou o desfecho?

PS - é um pormenor, mas esta peça do DN poderia fazer uma referência, nem que fosse na última linha, à entrevista à Visão

publicado em
16 de Abril de 2008

por João Paulo Meneses


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Mistérios sobre o boato (manifestamente exagerado…)

Este texto do Correio da Manhã é no mínimo curioso:

- o jornalista explica, entre outras coisas, o que se passou ontem com a informação falsa transmitida pelo Expresso (e revela por exemplo que o boato chegou a várias redacções mas que só o Expresso o ‘agarrou’);

- o jornalista descreve a informação como um boato mas garante/afirma que o Benfica nada teve a ver com a sua difusão. Ora um boato/rumor, por definição, não tem origem definida, por isso é que é um boato; além do mais - não duvidando que seja verdade - como é que se pode garantir uma coisa destas: «apesar de o Benfica nada ter tido a ver com a difusão do boato nem com a falsa informação que fizeram chegar ao CM»? 

publicado em
15 de Abril de 2008

por João Paulo Meneses


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ACTx2 Pinto da Costa n(o Hospital d)a Luz; a acompanhar

O Expresso online apresenta «em exclusivo» a seguinte notícia: «Pinto da Costa deu entrada hoje, cerca das 13 horas, no serviço de urgências do Hospital da Luz. Segundo apurou o Expresso, o presidente do FC Porto ter-se-à sentido mal e foi levado àquela unidade hospitalar, com suspeita de estar a sofrer um ataque cardíaco, tendo posteriormente saído do hospital. Contactada pelo Expresso, a administração do hospital não confirma a notícia.»

O FC Porto já desmentiu a notícia (mas nada diz na sua página, até este momento) e há pouco, depois das 16h, chegou às redacções um comunicado assinado pelo relações públicas Rui Terra dizendo o seguinte: «Informam-se todos os órgãos de comunicação que a noticia que dá conta de um principio de enfarte ao Sr. Jorge Nuno Pinto da Costa, é falsa e absolutamente infundada, o Sr. Pinto da Costa está bem, o casal dirige-se para Setúbal para o jogo de hoje á noite. Partiram do Porto por volta das 12H20 e acabaram de chegar a Setúbal eram 16H10, uma vez mais agradecemos a Vossa atenção e colaboração no que respeita a desmentir tão disparatada noticia. (sublinhados meus)».

Agora - uma hora depois - é o Expresso que parece que desmente: «Crente nas suas duas fontes o Expresso optou, então, por avançar com a notícia, embora ressalvando que a administração daquela unidade hospitalar não confirmava oficialmente o teor da mesma.». Sei que esta posição é recusada por muitos, mas das duas uma: ou as fontes não disseram exactamente assim, e o jornal ‘abusou’, ou disseram e enganaram o(s leitores do) Expresso. Não deveriam ser identificadas?

ACTualizo a 16/04: está visto que o Expresso foi enganado e meteu água. A questão, se me permitem, é esta: as coisas ficam assim? os leitores são estúpidos? Passaram 24 horas sobre a primeira notícia e não há uma explicação ou um pedido de desculpas.

Volto a actualizar com o comunicado da Direcção do Expresso: «(…) temos hoje de reconhecer que a informação da entrada de Jorge Nuno Pinto da Costa no Hospital da Luz não tem qualquer sustentação, pelo que jamais devia ter sido publicada. (… tanto quanto é possível saber, no processo de confirmação da notícia não foram cumpridas normas exigíveis pelo Código Deontológico dos Jornalistas e pelo Código de Conduta dos Jornalistas do Expresso. (…) Deliberou ainda, ouvido e com a plena concordância do Conselho de Redacção, eleito pelos jornalistas, publicar este comunicado no seu site e na edição semanal e dele dar conhecimento directo aos envolvidos.»

publicado em
15 de Abril de 2008

por João Paulo Meneses


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Se eu fosse Fernanda Câncio!

Sobre o que tem afirmado o PSD relativamente ao programa que Fernanda Câncio poderá apresentar na RTP digo e repito: são argumentos disparatados, precipitados e exagerados: basicamente porque estamos mal quando um partido político, com as responsabilidades do PSD, entra por estes domínios, da insinuação e dos casos privados)

Outra coisa diferente - e, admito, polémica - é se a Fernanda Câncio deverá ou não fazer este programa na RTP, tomando como válidas as informações sobre o relacionamento com o primeiro-ministro - porque se não forem válidas então não há nada a dizer.

Um caso como este não se resolve pela lei ou mesmo através do código deontológico. Não há nada, aqui, que impeça esta jornalista de fazer o referido programa (os seus direitos, neste caso, profissionais não podem ser diminuidos). Um caso como este remete-nos, antes, para a consciência individual, para a percepção das hipotéticas incompatibilidades que a jornalista eventualmente descubra/sinta.

Por isso não há nem pode haver uma resposta clara (objectiva) ou colectiva para este problema.

Só respostas individuais.

A minha, no papel de Fernanda Câncio [!!] era de recusa, enquanto houvesse um relacionamento com aquele que, no limite, tutela o órgão de comunicação social em que vou trabalhar…

publicado em
15 de Abril de 2008

por João Paulo Meneses


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abra o debate

(Problemas informáticos - no servidor? - que aloja este e outros blogues da rede TubarãoEsquilo têm dificultado nos últimos dias quer o acesso à página quer ao espaço de edição - o que significa que tem sido difícil inserir textos; daí, também, menos produção e actualizações; o meu pedido de desculpas)

publicado em
11 de Abril de 2008

por João Paulo Meneses


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Não acreditar em tudo o que nos dizem

Certamente, neste momento, em várias redacções há gente a tentar saber mais sobre «a empresa Castle Shore [que] investirá um total de 38 milhões de euros no Boavista, 14,5 dos quais a serem injectados no cofres «axadrezados» no imediato».

Que empresa é esta? O que faz? Em que áreas se movimenta? Em que negócios está envolvida?

É que 38 milhões é muito dinheiro, até no Barcelona…

E além desta empresa não ser a tal Castle Shore, o empresário não passa no teste do Google…

Ou seja, num primeiro instante parece-me que faz sentido dar voz/reproduzir o que nos dizem; mas não escrutinar é não cumprir o compromisso com os nossos consumidores.

(Não estou a insinuar nada sobre a empresa ou sobre o investimento em concreto; estou a dizer que - provavelmente no interesse de todos, mas dos consumidores de certeza - as primeiras informações deixam mais dúvidas do que certezas e que é necessário responder a essas dúvidas)

publicado em
11 de Abril de 2008

por João Paulo Meneses


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abra o debate

Os ouvintes não são estúpidos

Caro José Nunes

Se me permites a sugestão, quando fizeres - como ontem à tarde aconteceu - uma crónica gravada não tenhas problema em o assumir - ou seja, em o dizer (uma crónica gravada não é o mesmo que uma crónica repetida).

Como isso não ficou claro (e o Ricardo Sérgio até pontuava por cima, como habitualmente faz…), uns aperceberam-se, outros desconfiaram, outros nem por isso.

Eu sigo um lema há muito anos na rádio: se penso que os ouvintes são estúpidos, mais estúpido sou eu que trabalho para estúpidos.

Um abraço do teu ouvinte (fã…) de (quase) todos os dias.

publicado em
9 de Abril de 2008

por João Paulo Meneses


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Pedro (Branquinho) e o lobo

(com dois dias de atraso…)

Também eu acho que o PSD meteu água na forma como tratou a notícia da colaboração de Fernanda Câncio com a RTP - os argumentos de Agostinho Branquinho são disparatados (nomeadamente o da ««contratatualização externa»), precipitados (não seria de esperar para ver o que é o programa?) e exagerados (a Assembleia da República??).

Mas gostava de enfatizar outro ângulo: não é por muito falar que o PSD e Agostinho Branquinho terão mais razão; não é estarem continuamente a aparecer que o PSD e Agostinho Branquinho conseguirão prestar um melhor serviço ao País. Pelo contrário, misturarem episódios como este com coisas verdadeiramente relevantes como o relatório da ERC só esvazia e anula o que é importante em detrimento do que é acidental - ainda por cima sem razão. 

publicado em
8 de Abril de 2008

por João Paulo Meneses


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uma opinião

Contra a lei do menor esforço, o Google…

Peço-vos, se tiverem paciência, que tentem encontrar as diferenças entre esta notícia de Setembro de 2006 e esta de hoje (ou de ontem) - sendo que neste intervalo de dois anos outras noticias surgiram sobre o mesmo assunto.

O Google, se não houver outra forma de arquivar ou memorizar a informação, ajuda-nos. E obriga-nos a ser mais exigentes, mais críticos perante a informação profissionalizada que nos chega através das agências de comunicação.

A lei do menor esforço leva-nos a republicação, quantas vezes na íntegra, de informações que não são porque não têm notícia.

publicado em
6 de Abril de 2008

por João Paulo Meneses


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De tudo acho que destaco o pormenor do BMW em segunda mão…

«Aniversário de João Malheiro com ânimos exaltados»

publicado em
3 de Abril de 2008

por João Paulo Meneses


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ACT O que é que tem a perna curta? O sensacionalismo

Na primeira página do Diário Económico de hoje encontrei esta chamada: «Declarações ao Diário Económico. P26. Stanley Ho reforça posição no BCP». Porque o assunto me interessa e é raro haver declarações de Stanley Ho à comunicação social portuguesa, fui ler.

Dentro, contudo, a situação é diferente: «Stanley Ho já decidiu que vai acompanhar a operação, sendo provável o reforço até 5%, disse Ferro Ribeiro ao Diário Económico.» E no texto aparecem apenas declarações de Ferro Ribeiro, «braço direito de Stanley Ho».

O sensacionalismo, já se sabe, tem perna curta - é descoberto ao virar da página. Mas no Diário Económico?…

ACT a 4/04: ora aqui está uma notícia bem feita «LISBON (Thomson Financial) - Macau Casino magnate Stanley Ho plans to fully subscribe for his 3 pct stake in Banco Comercial Portugues, SA’s upcoming 1.3 billion euro rights issue, Diario Economico reported citing Ferro Ribeiro, the administrator for Ho’s interests in Portugal. Diario Economico cited Ribeiro as saying that Ho could even take advantage of the cash call to raise his stake in the bank, depending on the final conditions of the issue» (embora, já agora, me pareça exagerado dizer que Ferro Ribeiro é o gestor dos interesses de Stanley Ho; é um dos…)

publicado em
3 de Abril de 2008

por João Paulo Meneses


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abra o debate

Eu diria que talvez se trate de liberdade de expressão!

«É um problema de credibilidade (…). O que é que diria se os juizes comentassem as decisões de outros juízes, publicamente? O que é que diria se os jornalistas comentassem por exemplo na televisão ou nos jornais os trabalhos jornalísticos de outros colegas? É a mesma questão.»

PS - um caso que mostra como, ao contrário do que se diz, os jornalistas não são a classe mais corporativa que existe…