«Esta crónica é publicada simultaneamente nos jornais DN, JN e O Jogo»
São as crónicas de Ferreira Fernandes no Euro-2008.
A mesma crónica sai em simultâneo em três jornais.
Penso que é a primeira vez que isto acontece (pelo menos de uma forma tão sistematizada e consciente).
São os sinais (económico-jornalísticos) dos tempos. Mas não são - mais uma vez - sinais tranquilizadores: porque descaracterizam os meios de comunicação social, os tornam mais iguais e lhes retiram identidade (as crónicas de Ferreira Fernandes fazem parte da identidade do actual DN; se estão ‘em todo o lado’…).
Para já ainda é um caso isolado, restrito à cobertura de um grande (e dispendioso) acontecimento.
Uma nota final: DN e O Jogo assumem a estratégia da publicação simultânea, publicitando com a mesma frase (a que está em título); O JN não.

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11 opiniões ↓
Esse grupo já faz um jornal …. ’sem’ jornalistas.
…. E as pessoas importam-se com isso ? «Nada, siga a festa».
João Paulo,
há casos no passado, pontuais, em circunstâncias específicas de cobertura de eventos mundiais. Algumas vezes, raras, até assumido nas despesas a meias entre órgãos de patrões diferentes.
Neste caso, que considero, como tu, um sinal do que aí vem, é dentro do mesmo grupo — o que facilita.
Se bem que compreenda as necessidades económicas, discordo por completo da solução encontrada, que é miope. Mas a miopia é a regra da actualidade entre quem gere media em Portugal.
E acho-a miope porque, como muito bem dizes, e eu levo mais longe, a equalização das marcas, que se vão tornando indistintas na percepção dos destinatários, a sua descaracterização, são autênticos tiros no porta-aviões.
Deixemo-nos de paninhos quentes: a informação vale hoje menos, porque se encontra em mais sítios, o torniquete para instalar a bilheteira já não é o meio, um título tem de ir buscar valor a outro lado.
E o que é mais valioso num jornal? — perngunto eu. O que tem um jornal de ter para eu o querer ler/comprar?
O prestígio aos meus olhos. Eu SEI a notícia, porque já a li na net (vi na tv, ouvi na rádio, li noutro jornal), mas quero vê-la tratada pelos em quem confio mais, quero ler o que me dizem os “meus” comentadores favoritos.
O cliente estabelece relação com a marca.
As únicas marcas autorizadas a serem indistintas são as marcas brancas, os produtos baratos, indiferenciados.
Do meu anterior comentário decorre que sou (violentamente) crítico da tendência visível no nosso jornalismo, de descer na escada de valor, a caminho dos gratuitos e da corrente indistinta, com 37 jornais online a reproduzirem cegamente o mesmo take da Lusa — sem cuidar se o take é bom ou mau.
As correntezas e os fluxos tendem — graças à tecnologia barata, perigosamente — para o indistinto e o indistinto vale fracções de cêntimo.
Parece-me que faz mais sentido o caminho inverso — procurar subir na escala de valor, apontar ao topo da pirâmide, aos produtos que se vendem e no limite poderiam dispensar as receitas de publicidade.
Sem dúvida um sinal dos tempos. Sem dúvida uma prova de que liberalismo atroz arrasta fenómenos tristes como a maximização de recursos (bonita expressão, sinónimo de minimização de diversidade e/ou qualidade), a exploração, o desrespeito pela produções intelectuais e o desemprego.
Concordo, em geral, com o Paulo Querido. Mas os jornais online - e outros sites - estão a melhorar. A fasquia está a ser levantada. Casos recentes como os do JN e TSF revelam-no. Estão a criar-se condições. As pessoas estão a ganhar hábitos de leitura (ou de consulta de notícias, porque também há áudios e vídeos) online e talvez haja hipóteses interessantes a médio prazo para projectos alternativos, independentes e, portanto, qualitativamente superiores à média.
Será que o autor foi informado? O perigo dos monopólios está bem à vista. Quem perde são os jornalistas, em primeira instância, e a sociedade, em última instância.
Já ouvi o Ferreira Fernandes também na TSF com uma crónica de que não se percebia nada, julgo que no sábado, antes do jogo Portugal-Turquia. Calculo que era a leitura de uma das crónicas de jornal. Escrita de forma poética, pelo que me apercebi. Eu que sou um leitor assíduo de Ferreira Fernandes, que muitas vezes admiro, fiquei estupefacto pelo sem sentido e pelo “ruído” que aquela crónica constituiu. A estes senhores dos grupos, das administrações e das direcções nem vale a pena tentar explicar que cada meio tem uma linguagem e uma “alma”próprias. As chamadas sinergias dão sempre em lixo. Não em luxo. É este o triste sinal dos tempos que aí vêm?
RC, não tenho nada contra a maximização de recursos, que de resto me parece uma boa prática de gestão.
Mas não posso concordar consigo relativamente à “melhoria” que diz ver nos jornais online. Está por certo a referir-se a limpezas de imagem que alguns jornais recentemente levaram a cabo. Ora, eu gostava de ver nisso um “sinal”, mas não consigo.
Nos casos DN, JN e TSF, o site foi melhorado por 2 lados: o gráfico e o informático, aproximando-o do modero conceito de web social, ou 2.0. Em nenhum deles se investiu um cêntimo em jornalismo online, nem sequer em boas práticas para o jornalismo que já lá se faz.
No caso de A Bola, nem chegou ao lado informático. O site continua 1.0. Mais agradável e parabéns aos técnicos de design e de informática que contribuiram para as modernizações, eu diria urgentes e já com 1 ou 2 anos de atraso… Mas não há um único sinal de mudanças ao nível do que é preciso, e do que aqui se fala. Ao nível da Redacção.
Once, o perigo do monopólio nunca deixou de estar à vista. Quando eu comecei, havia um único grupo de media em Portugal (o Estado), hoje há 3 grandes e mais alguns. Mas o perigo espreita sob diversas formas.
l. sim, vêm aí tempos ainda piores para o jornalismo português, na minha perspectiva. O divórcio entre as direcções dos jornais e a realidade do jornalismo em rede é cada vez mais pronunciado.
Paulo Querido tem toda a razão. E os leitores não são estúpidos e as quebras abruptas nas vendas não se justificam apenas com a “crise económica”. É a qualidade do produto e de quem o produz que leva ao desinteresse. Isto vale para o jornalismo como vale para qualquer outro sector.
Basta ver em que condições trabalham jovens jornalistas para perceber que o futuro só pode ser o desastre, mas os gestores que só conhecem e interpretam notas e números não percebem que esse desastre não acontece a curto prazo. Faz muito tempo (anos) que não compro um jornal. Porquê? Porque a qualidade é muito fraca, excepcionando algum ou outro caso. O “módulo” mais nobre do jornalismo (reportagem) está, em Portugal, na mesma situação que o Lince ibérico: em extinção.
Paulo, eu não falei em investimento em jornalismo online. Disse que as versões online estão a melhorar. E isso acontece por via das tais operações de cosmética que refere e que são, apesar de tudo, melhorias. Percebo que o Paulo, por estudar e trabalhar na área, seja profundamente exigente. Eu, no entanto, estou contente com as melhorias que tenho visto. Acredito que são sintomáticas e que, conseguindo atrair mais leitores, podem impulsionar uma vaga de investimento no desenvolvimento da área.
rc, eu não estou contente com as melhorias que temos visto. Acho-as mínimas e não vejo nem como podem conseguir atrair novos leitores: para os leitores online o design, o aspecto, conta menos do que o conteúdo, a organização e a forma como podem usar a informação que consomem (há uma designação genérica para o “novo” comportamento das “audiências” na rede, que é web social).
Quando um jornal mete um botão para o Digg ignorando os serviços que lhe podem efectivamente render leitores (portugueses e brasileiros por exemplo) isso não passa de uma vaidade, uma operação cosmética.
Como é que é possível que em 2008 um jornal online tenha uma coluna diária sobre o que está a dar na blogosfera — sem UM ÚNICO LINK para os exemplos que cita e desenvolve?
Porque tenho a mesma notícia, a da Lusa, replicada sem valor acrescentado, e de forma automática (i.e.: mesmo que seja uma notícia falsa, ou mal elaborada, entra debaixo do branding do órgão) reproduzida sem cuidar de a verificar? No papel isto não se passa, porque tem de se passar online? Não acha que é um sinal de desprezo para com os leitores online?
Podia continuar por aí fora — mas deixávamos o formato debate e entrávamos no domínio da consultoria.
O FF avia 3 clientes ao mesmo tempo. Só está mesmo ao alcance de um génio.
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