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26 de Maio de 2008


por João Paulo Meneses


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A BOLA mudou

A Bola era o jornal mais «velho» e conservador - ao nível da imagem - de entre todos os que se fazem em Portugal. Claro que não era o mesmo jornal dos tempos de Vítor Santos, Aurélio Marcio ou Homero Serpa. Mas enquanto a concorrência já tinha refrescado o ‘produto’, a Bola mantinha-se um jornal de aparência pesada, mesmo cinzenta.

Saúdo, por isso, a mudança que desde ontem se pode apreciar nas páginas de A Bola. Vítor Serpa diz no editorial de ontem que um jornal deve ter a idade dos seus leitores. Ser-lhe(s) agradável no conteúdo mas também na forma. E A Bola que se lê desde ontem está mais agradável, indiscutivelmente. Falta dar o outro salto, mais importante, por sinal: de mais atenção e respeito pelo leitor, mais informação e consideração sobre o processo de construção jornalística (as fontes, a origem das notícias, as rectificações, etc).

3 opiniões ↓

#1 geadas em 05.26.08 às

É bom quando os jornais refrescam a sua imagem, e também gosto do novo grafismo. No entanto, e nos jornais desportivos em geral (e na Bola em particular) há muito que se perdeu o respeito pelo leitor. Casos recentes, o Benfica contratou Erickson e Queiroz. A forma de construção dessas notícias ao longo dos vários dias induzia o leitor em factos consumados, que depois não vieram a concretizar-se. Aliás, o jornalismo desportivo é cada vez mais dominado por textos-notícias dúbios(as), que numa leitura rápida (e hoje quase toda a gente lê as notícias na diagonal) indiciam que determinada contratação está consumada quando na verdade tal não acontece.
Tenho 38 anos e desde que me lembro compro jornais deportivos todos os dias, mesmo que muitas vezes não tenha tempo para lê-los. E noto ao longo do tempo vários aspectos que uma remodelação no grafismo não apaga, nomeadamente:
a) inexistência de jornalismo de investigação; b) exagerado destaque ao Benfica - É mais rapidamente notícia de primeira página uma constipação do Mantorras do que uma vitória do FCP num jogo da Liga dos Campeões; c) a existência de “notícias” que qualquer leitor minimamente atento vê de imediato que são fretes feitos a clubes e empresários na divulgação de jogadores; d) o alinhamento de determinados jornalistas com as vozes oficiais dos clubes - veja-se as notícias da Bola assinadas por José Manuel Delgado sobre a vida do Benfica - veiculam sempre a posição oficial do Clube, defendendo com unhas e dentes LFV nos momentos mais apertados. Veja-se o caso de José Carlos Freitas com a publicação de notícias sobre a selecção nacional, onde Scolari é sempre defendido. Veja-se o caso de Bernardo Ribeiro, no Record, com a sua constante defesa de Paulo Bento, Carlos Freitas, Miguel Teles. Se tiverem a curiosidade de recortar durante 3 meses tudo o que estes “jornalistas” escrevem e colocarem lado a lado esses recortes, vão-se surpreender com tamanha “coerencia” na parcialidade com que escrevem sobre determinados temas. e) A falta de coragem para escrever determinadas coisas que se sabem mas não se contam. Por exemplo, esta novela do Ronaldo ir ou não para Madrid só tem a ver com a pressão do empresário para que tal aconteça. Porque o Ronaldo pode pedir no Manchester o dinheiro que quiser e ser-lhe-à pago. Só que nesse caso os ganhos do seu empresário são muito menores. Se o Ronaldo for para Madrid não lhe irá trazer nenhum beneficio, só lhe irá trazer mais pressão. Mas hoje nenhum jogador fica num clube para a vida (mesmo que bem pago) porque isso significa a ruina do seu empresário. f) o medo e a cobardia de fazer jornalismo a sério. O Deco foi jogador do Benfica e graças a LFV chegou ao FCP e teve o sucesso que teve. O Mourinho foi recusado por LFV. Alguém já perguntou a LFV sobre estas e outras decisões disparatadas? O PdC todos os anos contrata paletes de jogadores, muitos deles por muito dinheiro. Alguém o questionou sobre estas decisões?

#2 Olho Vivo em 05.28.08 às

E dos amigos jornalistas que o Carlos Freitas está a levar para o Sp. Braga, ninguém fala?

#3 __Eagle__ em 05.29.08 às

É verdade que “A Bola” já não tinha uma limpeza de cara há uns anos, no entanto, não gostei muito do “design” que adoptaram. Não sei porquê, mas o primeiro pensamento que me ocorreu quando peguei no primeiro jornal depois da remodelação foi que parecia um gratuito.

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