A rádio não pode desistir! (mas às vezes parece que…)
O assunto do dia de sexta foi a decisão da justiça desportiva quanto ao ‘apito dourado’. O FC Porto marcou uma declaração para as 20 horas, com grande antecedência. 20 horas, de sexta, significa que ainda há milhares (centenas de?) carros nas estradas. Ora a rádio não pode desligar quando começam os ‘telejornais’. A TSF, principalmente, e a Antena 1 (um pouco menos) acompanharam - como seria normal - essa declaração de Pinto da Costa. A RR passou completamente ao lado. O Rádio Clube demorou, depois, ainda durante o noticiário das 20h, ‘picou’ uma das televisões, e rapidamente desligou.
Estou certo que os ouvintes da RR e do Rádio Clube não ficaram informados. Felizmente existe alternativa, mas há muito que me preocupa o facto de, por vezes, a rádio parecer que funciona com serviços mínimos. O caso do Rádio Clube é problemático, já quanto à Renascença, é impressionante o divórcio entre redacção e sector desportivo.

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7 opiniões ↓
Caro João Paulo,
No caso da RR, é como diz. Há um divórcio mais ou menos patente entre jornalistas de Desporto e os que não o são. Mas isso não pode justificar a ausência, sequer, de uma pequena nota no noticário das 20 horas. Quero acreditar que se tratou “apenas” de um lapso do editor.
Independentemente deste infeliz episódio na RR, é bom lembrar que o canal Renascença está cada vez mais formatado… musicalmente. Este facto junto com o primeiro (o divórcio) tem o reflexo que tem (tido) na Informação da RR.
Mas continua à frente da TSF e antena1. Enfim, outros interesses falaram mais alto, provavelmente…
Caro Atento,
Ainda no caso concreto da RR (só posso falar por esta), a ser verdade que outros interesses falaram mais alto, pergunto: que tipo de interesses? Naturalmente, estaremos já na especulação, mas não quero acreditar que se tivesse tratado interesses, quaisquer que eles sejam / fossem!
O desinteresse do editor na notícia, pode por si próprio constituir um interesse. Já a sua distracção, não. Os dois são, na minha opinião, reprováveis, numa rádio como a RR.
O maior interesse na programação na Renascença, pode ter sido, como disse antes, outra das razões. Sei por experiência que, quando uma estação adopta um formato (musical, neste caso - apesar de se autodenominar generalista), a maior parte dos jornalistas da casa adoptam uma postura diferente, ainda que inconscientemente, no acto de seleccionarem notícias (a tarefa mais difícil do jornalista / editor).
Isto porque sabem - e aqui, conscientemente - que a rádio tem outras prioridades (de programação). Mais de “timing” até…
Ainda no campo da programação, sei que em alguns dias (poucos, felizmente), o espaço 19-22:30 horas é gravado. Sim… gravado! Também há os chamados “takes” de locução na RR! Ora, se for (foi) o caso, o editor está por sua conta. Cabe-lhe gerir o tempo, por forma a que todo o espaço de locução “caiba” em muito menos de sessenta minutos.
Temos, portanto, quatro possibilidades: duas de Informação (critérios de) e outras duas de programação.
Na primeira, temos a hipótese da tal distracção do jornalista (aqui não se coloca o princípio de haver ou não critérios - trata-se de um infeliz lapso). Há ainda a hipótese do (des)interesse do mesmo.
Na segunda possibilidade, abrem-se igualmente duas hipóteses relativas à programação: razões de formatação da estação e razões de “timing” na programação.
Seja qual for ou quais forem os motivos, a verdade é que, como disse o João Paulo, o ouvinte que sintonizava a RR a essa hora, ficou sem nada saber…
Não quero crer que, na Informação, a RR se está a tornar numa RFM 2!
A Informação da RR é ímpar, credível, socorre-se de fontes fiáveis. Não está com os chamados “rodriguinhos”, não empalha. É raro qualquer jornalista da casa usar como amuleto o: “eh… ah…” Nisso, a RR é melhor. Mais rápida, mais desembaraçada, com o essencial dos sons.
Mas há situações difíceis, para não dizer, impossíveis de compreender.
Mas também há situações ao contrário (em que é o desporto a isolar-se do resto da redacção); hoje, às 9h30, a TSF noticiou que havia dois portugueses desaparecidos na China e que um deles seria jogador de futebol; 15 minutos depois, no jornal de desporto, nem uma linha.
Na RR, o que mais me chateia são as folgas do desporto nos dias feriados!
O direito ao descanso dos profissionais da RR tira o direito dos ouvintes à informação (desportiva, neste caso)?
Não compreendo o distanciamento entre jornalistas de Desporto e os “normais”. Mas, no fim, não é isso que acaba por acontecer um pouco por todas as redacções?
Só assim se pode entender estes casos de falta de entruzamento.
Repararam que coloquei aspas na palavra normais (para descrever os jornalistas que não são da área do Desporto). Isto porque há profissionais que consideram que o jornalismo desportivo é uma espécie sub-classe.
No meu local de trabalho, já ouvi comentários de colegas meus sobre outros colegas (do Desporto), afirmando por exemplo: “Ele (ou ela) é bom profissionalmente. Pena é que esteja no Desporto”.
Creio que isto diz muita coisa…
Não sou do Desporto, mas (ou - por isso) sou totalmente contra esse preconceito. Ao fim e ao cabo, não são todos jornalistas?
Apenas uma correcção ortográfica da minha parte:
“Entruzamento” está incorrecto (foi o que eu escrevi acima). O termo correcto é: entrosamento.
Peço desculpa aos leitores do blogue, por este grave erro ortográfico (nada habitual em mim). “Mea Culpa”!
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