ACT Quem manipula quem (JMF explica)
As informações privadas que o presidente da CIP diz ter e a «publicação programada» para três dias seguidos e em três jornais diferentes de notícias «dando conta de alegados erros» no capítulo das acessibilidades do estudo da CIP são, sem tirar nem pôr, o editorial de José Manuel Fernandes no Público de hoje.
Aliás, JMF diz muito mais do que Vanzeller (basta ouvir os sons do presidente da CIP). Mas o editorial passou despercebido e foi preciso a dramatização feita por Vanzeller - que é uma forma de manipulação - para que o assunto não caísse no esquecimento.
JMF conta, com detalhe (e coragem), que A RAVE , que reporta a Mário Lino, decidira divulgar a avaliação ao estudo da CIP em três fases: a primeira notícia, no Expresso, e duas no domingo, no próprio Público e no Correio da Manhã. «Tratou sim [a Rave] de gerar uma sucessão de notícias, difíceis de escrutinar, cirurgicamente dirigidas, numa acção que os políticos costumam definir por spin, eufemismo de manipulação», diz JMF.
Se a substância é a mesma (ou mesmo menor), apenas muda o protagonista que a enuncia; será uma questão de credibilidade (institucional) do protagonista ou de distracção das redacções?
ACT a 13/11: Um comentário a este texto, independentemente do tom usado a que o anonimato não será alheio, suscita uma questão que merecia ser desenvolvida. Diz o leitor que «O que JMF faz é uma canalhice, uma falha deontológica grave. Eu, por exemplo, que sou fonte, ao Público é que nunca dou nem mais uma. A denúncia das fontes ou a revelação do mecanismo da notícia devem ser guardadas para casos-limite».
JMF já respondeu: «Um esclarecimento não anónimo: não há nenhuma fonte denunciada, pois todas as fontes dos vários artigos (Público, Expresso e Correio da Manhã) estão bem identificadas. E os macanismos do embargo são, por regra, transparentes. Pelo menos deviam ser.O que seria uma falha grave, apesar de corrente, seria combinar com a fonte o destaque a dar a uma notícia (…) Já perdemos muitas por não aceitarmos “negócios” desse tipo»

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João Paulo, estou a ver mal o filme ou… todos os dias (diria mesmo) todas as horas, há uma fonte de informação que combina com um jornalista a publicação de uma notícia. Os jornais são compostos disso mesmo - de notícias de atgenda e de notícias resultantes de uma qualquer combinação entre fonte e jornalista (há, é certo, alguma investigação genuína, mas pouca). Essa combinação não é necessariamente má - há um comércio entre fontes e jornalistas do qual todos ficam a ganhar. O que JMF faz é uma canalhice, uma falha deontológica grave. Eu, por exemplo, que sou fonte, ao Público é que nunca dou nem mais uma. A denúncia das fontes ou a revelação do mecanismo da notícia devem ser guardadas para casos-limite. Não me parece que este seja o caso. (sobre a cumplicidade entre JMF e a CIP… fica para outra altura).
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