Assessores de imprensa políticos; total impunidade
Se o reino das relações públicas vive num regime de completa desregulação, realidade desproporcionada, relativamente à importância social que desempenha, os assessores de imprensa políticos são os campeões da impunidade. Não que não haja excepções (de alguma forma, distinguem-se pela sua antiguidade), mas por um conjunto de condições, vive-se na selva completa.
Dois exemplos das últimas horas, que me contaram dois camaradas da TSF:
- no Ministério da Administração Interna há uma nova e peculiar regra; os jornalistas, quando encontram o ministro, só podem fazer quatro perguntas. Porquê quatro? Os seus assessores (ex-futuros jornalistas, como quase sempre) dirão que podiam ter sido três… A questão, contudo, é mais grave: no limite, o ministro tem o direito de recusar todas as perguntas, mas os jornalistas devem ter o direito de procurar todas as respostas!
- há vários dias que na redacção perseguiam informações sobre o futuro da Docapesca. Depois de vários contactos, em que era pedido que se ligasse depois com a putativa promessa de notícia, anteontem mais um, com repetida promessa de novidades. Ontem, porém, o assessor do Ministério da Agricultura avisou que a informação fora desviada para um jornal económico. A TSF podia dar uma linha, mas à meia-noite. Esta manhã o mesmo assessor, contactado por outro jornalista, já tem um discurso diferente, lamentando que a TSF não tenha querido dar a notícia, tendo até recusado entrevistar o ministro da Agricultura, ontem (como se quem procurou a notícia durante tanto tempo fosse, na hora, recusar o próprio protagonista da notícia…);

del.icio.us
DoMelhor
EuCurti
feed RSS
7 opiniões ↓
Não teria sido preferível, e até desejável, a TSF procurar outras fontes que não o dito assessor? Ao contrário do que escreve, a maioria dos assessores não são ex-futuros jornalistas, mas sim ex-jornalistas, com uma função muito clara: serem, em primeira instância, bloqueadores de notícias. Hoje em dia, a informação vale ouro e os assessores já perceberam que se privilegiarem certos órgãos os outros acabarão, infelizmente, por lhes ir comer à mão. Os que não o fazem procurar as tais alternativas, que existem desde que se procure bem e se faça alguns telefonemas.
É sempre possível e desejável, excepto quando - como era o caso - a informação está na mesa do ministro (e de mais alguém?).
É verdade inegável que os assessores controlam quase toda a informação jornalística, mas essa culpa tem de ser partilhava pelas linha editoriais dos órgãos de comunicação social. Pessoalmente, trabalho num órgão de comunicação regional e devo dizer que se escrever algo que não foi dito pelo assessor de um presidente da câmara, por exemplo, tenho o director à perna, mas isto não se passa apenas em meios menores. É frequente ler no jornal, ouvir na rádio, ou ver na tv, notícias que são fotocópias claras de comunicados de imprensa. Perante isto só devo concluir o seguinte: Preferia ser assessor, pois ganhava mais e tinha artigos publicados em todos os media.
Abraço
JM
Imagina isso com órgãos de comunicação social mais pequenos…
Relacionado:
na “segunda” câmara do país, uma secretária de um museu tem de pedir autorização ao gabinete de imprensa da autarquia para dar a informação sobre se vão estar abertos nos feriados de Agosto ou de Páscoa. Era assim há dois anos, imagino que ainda seja.
Caro João Paulo Menezes,
Tenho por hábito ler o seu blogue, porque pensava que escrevia com o mesmo espírito com que trabalha na TSF. Julgava, porque a avaliar pelo texto que escreveu com o título “Assessores de imprensa políticos; total impunidade” fiquei esclarecido.
Antes de se pronunciar sobre um qualquer tema convém conhecer os factos. Diz o caro jornalista que na TSF “há vários dias que na redacção perseguiam informações sobre o futuro da Docapesca. Depois de vários contactos, em que era pedido que se ligasse depois com a putativa promessa de notícia, anteontem mais um, com repetida promessa de novidades.”
Os factos são estes: Numa conversa com uma jornalista da TSF disse-lhe que dentro em breve haveria novidades sobre o futuro da Docapesca, mas que a notícia seria dada em antecipação a um jornal diário e à Agência Lusa. À Lusa porque a jornalista que faz a área das pescas há muito que batalhava por esta notícia. Ao Diário Económico porque o Ministro fez declarações onde explicava o que iria acontecer à Docapesca. Nunca prometi à TSF qualquer notícia em primeira-mão. Ainda assim, na conversa mantida com a jornalista da TSF ficou combinado que ela me ligaria na véspera para lhe dar algumas novidades.
O João Paulo Menezes afirma peremptório que “…porém, o assessor do Ministério da Agricultura avisou que a informação fora desviada para um jornal económico. A TSF podia dar uma linha, mas à meia-noite.” Pelo tom, até parece que o jornalista com quem falei foi o João Paulo Menezes, o que não é verdade.
Os factos são estes: Nunca disse à TSF que teriam uma “cacha” sobre a Docapesca. Nunca disse a nenhum jornalista da TSF que a informação foi desviada para um jornal económico. Fui sempre frontal ao afirmar que a notícia em primeira-mão seria para a Lusa e Diário Económico. Conforme pode confirmar pelo e-mail que enviei ao jornalista Ricardo Duarte, cumpri o prometido que foi dar alguns dados à TSF sobre a Docapesca, desde que fosse cumprido um embargo até à meia-noite. Como poderá confirmar não se tratou de poder “dar uma linha”.
O João Paulo Menezes vai mais longe na mentira ao dizer “Esta manhã o mesmo assessor, contactado por outro jornalista, já tem um discurso diferente, lamentando que a TSF não tenha querido dar a notícia, tendo até recusado entrevistar o ministro da Agricultura, ontem (como se quem procurou a notícia durante tanto tempo fosse, na hora, recusar o próprio protagonista da notícia…);”.
A verdade é que a TSF deu a notícia logo na manhã 1. A verdade é que a TSF me contactou por volta das 7H20 a solicitar declarações do Ministro Jaime Silva sobre a Docapesca. Informei que estava a caminho do Gabinete, mas que mal falasse com o Ministro Jaime Silva, este poderia responder às questões da TSF. No entanto alertei para o facto de ser quinta-feira e que o Ministro poderia ir directamente para o Conselho de Ministros. Logo após o Conselho de Ministros, liguei para a TSF, tendo o Ministro Jaime Silva prestado declarações. De resto, a TSF foi a primeira rádio que falou com o Ministro sobre a Docapesca.
Refiro ainda que não foi a TSF que procurou a notícia durante tanto tempo. Fui eu que informei a TSF que havia novidades sobre a Docapesca.
O João Paulo Menezes devia ter feito o que a direcção da sua rádio fez: contactou-me a pedir esclarecimentos sobre o que se tinha passado. As explicações foram dadas. A sua direcção tirou as conclusões que entendeu. A sua direcção agiu de boa fé. O João Paulo Menezes prestou um mau trabalho. A quem o lê no seu blogue e a quem o ouve diariamente na TSF. Hoje já não sei se a sua forma de construir notícias é feita com a mesma leveza com que escreve falsidades no Blogou-se.
Cumprimentos,
Mário Ribeiro
Meu caro,
Segue texto resumo do que vamos fazer na Docapesca. Atenção que há embargo até às 00H00.
Bom trabalho,
Mário Ribeiro
O Governo decidiu efectuar um estudo sobre a comercialização de pescado fresco e refrigerado em Portugal Continental
OBJECTIVOS
- Avaliar condições de comercialização do pescado fresco e refrigerado.
- Delinear novos modelos de gestão da primeira venda e a sua influência nos circuitos de comercialização de pescado com estratégias que visem a valorização do pescado ao longo da cadeia de distribuição; assegurem ao sector produtivo uma maior parcela do valor gerado na cadeia de comercialização e garantam maior transparência na formação de preços.
1ª VENDA DE PESCADO – BREVE CARACTERIZAÇÃO
- Transacções em valor e volume com tendência decrescente;
- Distribuição das vendas pelas diversas delegações;
- Tendência decrescente dos preços médios de primeira venda;
- 574 trabalhadores ao serviço da Docapesca;
- População envelhecida;
- Funcionários com qualificações reduzidas.
QUATRO CENÁRIOS POSSÍVEIS
CENÁRIO 1
- Continuidade – Manutenção do modelo actual com medidas de racionalização e melhoria;
CENÁRIO 2
- Adaptação – Mantendo-se venda em lota obrigatória. Estado assume apenas função reguladora e fiscalizadora;
CENÁRIO 3
- Ruptura 1 – Venda em lota facultativa. Estado regulador e fiscalizador. Primeira venda em lota assegurada por um único operador.
CENÁRIO 4
- Ruptura 2 – Difere do anterior pela presença de diversos operadores na gestão da primeira venda em lota.
OPÇÃO DO GOVERNO
O Governo considerou o Cenário 1 como o mais adequado, nesta fase, pelas seguintes razões:
- Necessidade de equilíbrio financeiro;
- Foi constatada falta de maturidade no sector, fraco dinamismo e capacidade empresarial, o que inviabilizava, nesta fase, um cenário de concessão a privados. Assim o Estado deve manter um papel activo no circuito de comercialização do pescado.
Com esta escolha haverá uma reestruturação da empresa que envolve uma ligeira actualização, a curto prazo, da taxa a cargo dos compradores (actualmente é de 3%). Haverá uma redefinição e reordenamento das infra-estruturas e uma optimização dos sistemas logísticos.
Caro Mário.
Lamento, a sério, que confunda o meu exercício de cidadania no blogue (bom ou mau, bem ou mal, não interessa neste contexto) com o meu trabalho na TSF. Tenho 20 anos de jornalismo e cinco de blogue, já deveria ser suficiente.
Adiante.
Quanto ao que escrevi: disse e mantenho que foi o que me contaram vários dos meus camaradas; se isto fosse jornalismo, te-lo-ia ouvido; não é, limito-me a aceitar e a registar a sua posição. Pode pensar que é por corporativismo que valorizo a opinião dos meus camaradas em detrimento da sua. Não é. É porque eles não têm outra agenda que não seja o jornalismo e a TSF;
E quando dizem que só podem fazer quatro perguntas e não podem questionar sobre o assunto X?
Ah pois é!
Comente