Há perguntas e perguntas; não há respostas…
A TSF e a Sporttv(pelo menos) transmitem em directo a conferência de imprensa diária do estágio da selecção. E o resultado é, globalmente, confrangedor. Os jogadores não querem falar sobre o que pode ter algum interesse, as perguntas - regra geral - são muito pobres. A minha dúvida é se poderia ser diferente (ontem, com Quim e Ricardo, era óbvia a insistência na hipotese de titularidade para Quim, mas o jogador nada disse de relevante). Dir-se-á: podem optar por não perguntar, se não há nada a responder. Mas as regras de produção jornalística implicam encher (sem aspas) espaços previamente destinados. Além do mais, também pela qualidade das perguntas se vê a qualidade dos jornalistas…
Esta ‘desculpabilização’ não legitima absurdos como este (independentemente do exemplo, coisas como esta ouve-se diariamente).

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11 opiniões ↓
Os jogadores podem falar apenas da selecção. Foram as regras impostas pela FPF.
Pouco mais há a perguntar para além de expectativas para o torneio; se espera ser titular; o estágio; os adversários; o tempo; o momento de forma no final da época, blá blá blá
Mas são só os desportivos ? Eu, pessoalmente, gosto muito do “estilo pivô :
Pivô: o primeiro ministro afirmou hoje, à saída do parlamento, que o governo não deve interferir no preço dos combustíveis.
(passa para vídeo : vemos José Sócrates à porta do parlamento)
Engº 1º: “O governo não deve interferir no preço dos combustíveis “.
Pivô: José Sócrates a afirmar assim que o governo não vai interferir no preço dos combustíveis .
Na rádio também funciona muito bem, Usa-se muito… demasiado, ou não?
é outro problema, diferente, mas também a merecer atenção. É um erro, evidentemente. (mais na rádio do que na televisão, porque a televisão ainda introduz um elemento extra à declaração, que são as imagens e o respectivo ambiente);
Estas situações do futebol não são novas. Há bem pouco tempo, uma entrada neste blog falava sobre a “cena” de José Sócrates fumar no avião e um dos jornalistas “chibou-se”. Este tipo de situações não acontece no jornalismo de futebol (o jornalismo de desporto é bem diferente). No futebol, como se costuma dizer e perdoem-me a expressão, “comem todos da mesma gamela”. O verdadeiro jornalista de futebol é aquele que segura o microfone, tenta não arranjar muitos barulhos para tudo correr bem.
Desculpem esta opinião sincera mas é o penso e que observo.
Mas no caso da selecção, é mesmo falta de “sumo”! Não há assunto, não há nada digno de nota… “rien de rien”. É confrangedor!
«Sr. Scolari: Boa tarde. Aqui atrás… Eh… Sou jornalista. Dá licença que lhe coloque uma questão? Apenas uma: Eh… Caminhamos a passos largos para o início do Euro. Sente que, à medida que o tempo passa, os seus jogadores estão mais confiantes?»
E não passa disto!
Perdoem-me esta imagem… mas o que temos visto (e ouvido) é o “enfardanço”, é a engorda do porco. Resta saber no final, se o animal foi bem alimentado…
Mais a sério: colegas meus do Desporto (mais habituados a estas lides, portanto), dizem que as conferências de imprensa são pobres, porque… praticamente, não há nada para falar de relevante por estes dias.
Seja como for, partilho a dúvida do João Paulo: será que tudo isto poderia ser diferente? Será que são só as perguntas colocadas que são pobres? O que eu sei, é que todo o cenário, todo o enredo é bastante pobre.
A SIC Notícias também afina pela conferência de imprensa em directo.
Admirável é que ninguém na FPF repare na figura que atletas, dirigentes e “gestores” da coisa fazem (ou têm de fazer…) todos os dias em directo.
Ab
e porque é que não se acaba com o directo destas conferências de imprensa? É um verdadeiro enjoo. Nem ruído chegam a ser. E notícia não são, certamente.
Com a devida modéstia, pelo menos par aquem como eu não vê, por exemplo, imagens dos treinos na TV (se é que um leigo percebe algo), um bom jornalista desportivo poderia colocar então perguntas sobre “o que eles andam ali a fazer”.
Explico: Quim e Ricardo treinaram. O quê? com que propósito? o que é que conhecem dos atacantes das equipas que vamos defrontar na primeira fase? Imaginem agora que um dos dois sabe tudo sobre os avançados da Turquia, Républica Checa e Suiça e que o outro sabe pouco ou nada… isso a mim dir-me-ia muito.
Mas a verdade é que aparte as tricas, eu fiuco sem saber como é o treino, como é que se muda de orientar a barreira do Bétis para a barreira da Seleção onde há jogadores novos, o que muda de facto na forma de jogar do Cristiano Ronaldo do Manchester para a Seleção… por aí fora.
Perguntas não me parece que faltem. Onde já tenho duvidas é sobre se serão os jornalistas que não as querem/sabem colocar ou se não o fazem por saber que não é isso que a “audiência” quer ouvir mas sim… as tricas…
(apetece perguntar hoje se o jantar vai ser “pescadinha de rabo na boca”…)
Concordo com este último comentário do João Moreira de Sá. Infelizmente, a generalidade dos nossos jornalistas desportivos faz um trabalho muito “light”. Os aspectos abordados são os mais básicos, corriqueiros… Nos jornais desportivos (são publicações especializadas!) e nos informativos desportivos da tv e da rádio, justificava-se um tipo de abordagem mais específica, que não virada para o grande público. O João Moreira de Sá exemplificou bem, com a questão da barreira ou dos conhecimentos acerca dos adversários. Ninguém pergunta essas coisas. Os jornalistas desportivos esquecem-se, muitas vezes, de que são jornalistas (acho que muitos dos que conheço nem se consideram assim) e assumem um papel ao estilo “Daniel Oliveira” (não aprecio o registo, mas entendo-o, enquadrado num contexto de espectáculo, lifestyle, “idolatragem”, etc).
Já pensaram que, se calhar, o infeliz que tiver a ideia de fazer uma pergunta fora da rotina habitual e “admitida” passa a ser completamente ostracizado por comitiva futebolística e jornalística? O que não desculpabiliza o meu jornalismo que é feito nesta área…
Sim, fr, isso é verdade. E, infelizmente, o “gang” do desporto tem muitos membros que não aceitam qualquer tipo de críticas, mesmo quando é muito evidente que estão a fazer mau jornalismo.
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