Ir um pouco mais longe
A Lusa, com base numa informação do gabinete que coordena o Plano Tecnológico, anuncia que «Portugal tem a 7ª internet mais rápida e a 9ª mais barata numa lista de 30 países incluídos no relatório”Explaining International Broadband Leadership”».
Confirma-se através do relatório e sim, é verdade.
Mas são três os critérios e o terceiro, a penetração doméstica da banda larga, não aparece referenciado no texto da Lusa (Portugal está em 20º lugar).
Da mesma forma, não se diz que Portugal está, globalmente, em 18º lugar. Antes, no texto da Lusa, fala-se em «posição cimeira de Portugal no relatório da ITIF».
A Lusa limita-se a citar «o comunicado enviado à imprensa», mas podia - e devia - ter ido mais longe. Isso é jornalismo.

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4 opiniões ↓
Por falar em Lusa (e já agora também em TSF), caro JP Meneses, chamo a sua atenção para este caso: http://blog.filintomelo.net/?p=1039
Devo dizer que não percebi o que se passa (a não ser que não tem nada a a ver com este caso, que me parece bem interessante/grave)
A questão é simples: no dia 1, O Primeiro de Janeiro publicou em primeira mão o(s) caso(s) de tuberculose na brigada de trânsito da PSP do Porto. Nesse dia a Lusa menciona o caso na revista de imprensa; mais tarde o mesmo jornalista da Lusa que fez a revista de imprensa avança com a noticia, mas apenas cita fonte sindical e inscreve este parágrafo:
“O dirigente sindical revelou que os dois casos de tuberculose foram conhecidos esta semana, na sequência de uma conversa informal entre um agente da Divisão de Trânsito e um jornalista, que questionou depois o presidente do SUP sobre o assunto”(Lusa)
No dia seguinte, a Lusa retoma o assunto, desta vez já cita a fonte original, o Janeiro, mas mantém aquele parágrafo.
Mas o estrago já estava feito. No dia 1, às 11h00, a TSF dava a notícia como sua, citando fonte sindical. (Um tratamento curioso já que na mesma edição citava o relatório que aponta inoperância da PJ, mas dizia onde é que o tinha lido, o DN) Todos os canais de televisão fizeram o mesmo (às 13h e às 20h), deram a notícia da tuberculose na PSP como sua, citando fonte sindical, e também o relatório da inoperância na PJ, citando o DN. Sintomático, não?
Mas o mais grave é a Lusa, quer pela sua função de agência, quer por expor uma fonte, apesar de não ser sua. Veja-se, por exemplo, a notícia de ontem sobre o mesmo caso no Público: publica o texto da Lusa, assinado Lusa, e transcreve aquele parágrafo desta forma:
“O dirigente sindical revelou que os dois casos de tuberculose foram conhecidos esta semana, na sequência de uma conversa informal”.
Caro JPM, a verdade é que, num e noutro caso, não há coincidências. Ambos quiseram abafar alguma coisa. Por interesses, perdão, por motivo diferentes. Atente bem à Lusa, nos últimos tempos.
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