publicado em
20 de Fevereiro de 2005


por João Paulo Meneses


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O jornalismo como arte instável

Mário Soares meteu água (à luz da práxis instituída) quando falou em maioria absoluta do PS (ou então deu um murro na hipocrisia instalada - para este caso/âmbito em concreto é indiferente).
A comunicação social (rádios e televisões) reproduziu.
A CNE interveio e solicitou que essa declaração não fosse reproduzida. A partir daqui levantam-se algumas dúvidas:
- passar a ignorar completamente o caso, incluindo a posição da CNE, em nome do interesse noticioso?
- ignorar a recomendação da CNE e manter a declaração do ex-presidente no ar (antes ou depois, acrescentando que a CNE pensa abrir um processo/queixa?)
- acatar a recomendação da CNE? Mas como cumprir o que diz a CNE sem explicar aos ouvintes (que entretanto chegaram à antena ou nem se aperceberam) o que está em causa? Ou seja, sem dizer o que Mário Soares disse, ainda que com outras palavras e sem o som?
- esta última opção - que, pelo menos, foi a que a TSF seguiu - é a mais sensata em nome do interesse dos ouvintes (é a que serve melhor a compreensão da mensagem). Mas será eticamente aceitável?

PS - diz a CNE que “A lei obriga a que não se fale nas forças políticas e orientação de voto numa proximidade de 500 metros das urnas”. Portanto, o problema não é as rádios e as televisões terem reproduzido (a substância d)as declarações de Mário Soares mas ele ter dito isto dentro dos tais 500 metros. Se fosse a 503 já não havia problema???

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