Os tempos estão mesmo a mudar…; para pior?
«Paulo Azevedo vai responder aos jornalistas sobre questões que estes queiram colocar sobre os Resultados do 1º Trimestre de 2008 da Sonae SGPS através do website Sonae Circle (www.sonae-circle.com). Entre as 0 horas e as 10 horas do dia 28 de Maio (quarta-feira), os jornalistas poderão enviar a suas perguntas sobre o tema para o referido site (limite de seis questões), recebendo depois as respostas de Paulo Azevedo a partir das 15 horas do mesmo dia» (de um comunicado da Sonae SGPS).
A Sonae (noi mesmo texto) «sublinha a forma inovadora que a Sonae SGPS tem procurado manter na sua relação com o mercado» e diz que está a «investir numa comunicação mais aglutinadora, actualizada e sempre disponível». Mas como fazer o contraditório, como obter os esclarecimentos necessários, sem a possibilidade de questionar o interlocutor no momento?
PS - é a segunda originalidade da Sonae SGPS desde a entrada de Martim Avillez Figueiredo; esta como a outra podem ser inovadoras mas - parece-me - não contribuem para uma relação transparente com ‘o mercado’ e não permitem um exercício jornalístico completo.

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6 opiniões ↓
A questão é que Martim Avillez Figueiredo sempre foi e continua ser um bluff. Mas, mais grave do que isso, é o facto de a imprensa comer e calar e estar cada vez mais medrosa e temerosa face aos grandes poderes
Caro Francisco,
a questão, como a coloca, remete para uma avaliação pessoal; sinceramente, acho que nada o justifica, até porque o trabalho feito pelo MAF no DE foi - parece-me - muito positivo (como tenho essa impressão, gostaria de o deixar aqui). Nem o Martim é a Sonae nem ele se chama Paulo Azevedo (que tem ideias muito próprias sobre a matéria, pode acreditar). E, note bem, não o estou a defender por medo ou temor. Foi aqui que o assunto foi abordado!
Melhor é estar perante a pessoa, fazer a pergunta e esta dizer que têm de enviar por mail (um mail de uma conhecida agência de comunicação), passadas duas horas recebe-se a resposta, assinada por alguém da agência de comunicação e com erros ortográficos.
Não sou contra as agências de comunicação, muito pelo contrário, mas passamos do 8 ao 80. Não há muito tempo uma qualquer figura mediática dizia as maiores barbaridades sem se importar das consequências. as agências de comunicação preparam a pessoa para as eventuais respostas e esta deveria responder, não colocar nas mãos do RP a sua imagem e resposta.
É só a minha opinião.
Concordo com o João Paulo.
Tudo isto é “apenas” a velha guerra: gabinetes de comunicação vs. redacções. O profissionalismo de M.A.F. é indiscutível. Mas para mim… mais que um direito, o jornalista tem cada vez mais o dever de saber contornar todas estas estratégias.
Se esse contorno eventualmente significar a não aceitação das regras do jogo (por parte do jornalista), pois muito bem… que assim seja.
Eu sei que a avaliação é pessoal, mais sei por que a fiz, e já agora o Martim também “tem ideias muito próprias sobre a matéria, pode acreditar”). Mas para seu total e melhor esclarecimento por que não tentar falar com alguém da direcção do Público, que foi o que fiz na altua devida
Não se estará aqui a perder a essência do jornalismo?enviar as respostas por mail?então e o contacto com o entrevistador?Não se estará a abdicar de um dos melhores generos jornalisticos, a entrevista?
João Anes, aluno de Comunicação Social
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