publicado em
8 de Julho de 2006


por João Paulo Meneses


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Leio, no Courrier Internacional da semana passada (nº 65) um texto do The Independent sobre Rageh Omar, a estrela da BBC que o canal internacional da Al Jazira foi contratar.
Diz Rageh:
«Agora, é ele que, aos 38 anos, põe em dúvida a sinceridade das reportagens [feitas no Iraque], acusando os ‘media’ de não informarem suficientemente o seu público sobre o modo como elas são preparadas. “Alguns de nós são culpados de fraude para com o público britânico”, diz. “Sinto-me muito incomodado com o facto de não acompanharmos as reportagens sobre o lraque de advertências, porque não o fazer dá-lhes credibilidade [sic*]». Omaar afirma ter falado com vários correspondentes veteranos de diferentes órgãos de informação que “não sentem vontade” de voltar ao lraque, porque acham que não podem fazer o seu trabalho correctamente. “Quando um apresentador anuncia que Rageh Omaar, ou X, fez uma reportagem a partir de Bagdade, isso não é verdade, porque eu nunca filmei no local. É demasiado perigoso. E não fui visitar as diferentes regiões, porque é demasiado arriscado”. Chegou a altura, acrescenta, de “os ‘media’ assumirem as suas responsabilidades” e reconhecerem que um grande número das imagens que ilustram as suas reportagens foram rodadas por «free-lancers» anónimos, enquanto os jornalistas ocidentais ficam em segurança na zona verde de Bagdade. Omaar receia que o público se sinta traído, se, um dia, algumas organizações não-governamentais revelarem atrocidades ou escândalos».

* Penso que, pelo sentido da frase e do texto, a tradução correcta seria «porque não o fazer retira-lhes credibilidade»; a consulta da versão original obriga a registo.

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