publicado em
11 de Março de 2008


por João Paulo Meneses


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Um provedor que se esqueceu dos seus ouvintes

Rapidamente:

- A Antena 1 emitiu há alguns dias um programa de Julio Isidro com música e declarações de Charles Aznavour. 50 minutos. O programa, que está online (chama-se ‘Eram 12.000′), não tem dobragem; Isidro faz uma breve tradução antes e deixa Aznavour a falar. Há trechos de conversa com 50 segundos ou mais.

- O que é que disse o provedor dos ouvintes da Antena 1? Deu o seu ‘Sinal de Excelência’ ao programa, classificando-o como ‘uma verdadeira lição de Rádio’. Quanto à não existência de dobragem, eis o revolucionário argumento de José Nuno Martins: «ousa o arrojo conceptual de antecipar perguntas e respostas, para deixar ouvir o francês peculiar de Aznavour, também traduzindo-o com a leveza e a correcção, só ao alcance de quem sabe manipular com destreza, os discursos directo e indirecto». Repito, porque é uma frase que corre o risco de se tornar lapidar: ‘deixar ouvir o francês peculiar de Aznavour‘.

José Nuno Martins esqueceu-se que é provedor dos ouvintes (o realizador de rádio José Nuno Martins teria essa opinião, o provedor dos ouvintes nunca…), que a esmagadora maioria dos ouvintes terá ouvido ‘o francês peculiar de Aznavour’ como um boi olha para um palácio (o primeiro trecho tem mais de minuto e meio), e que depois de ter chancelado uma situação destas não há mais limites - uma entrevista nos mesmos moldes em inglês (peculiar) ou russo (também peculiar) é aceitável?

No fundo, apesar da minha opinião ser a mesma de sempre e não tolerar excepções (para além de sons com menos de 10 segundos), admito que outros tenham um entendimento diferente. Mas não o provedor dos ouvintes de uma rádio (por acaso pública).

11 opiniões ↓

#1 Sérgio em 03.11.08 às

José Nuno Martins nunca conseguiu (ou nunca quis) ser independente. Basta ouvir um ou outro programa para o perceber. A forma como a Antena3 foi tratada é um exemplo claro disso. Mesmo tendo a estação problemas que urgem ser resolvidos, José Nuno Martins abordou sempre o tema pelo lado errado, tentando humilhar José Mariño, adjunto para o canal jovem.
Alguém lembre o Senhor que o mandato que agora termina é o de provedor do ouvinte e não o de director de programas das rádios do Estado.

#2 FS em 03.11.08 às

-ÁMEN! - desculpem, estava na sintonia errada!
Aqui, é mais do tipo: - vira o disco e toca o mesmo!

Laissez faire, laissez passer…

peculiar!

#3 Gilberto Pinto em 03.12.08 às

Será que me posso queixar ao provedor, do “Programa do Provedor”? Não gostei do tipo de discurso “directo e indirecto”, utilizado pelo radialista José Nuno Martins… que por acaso também é o provedor do ouvinte! A quem devo recorrer?

#4 rms em 03.12.08 às

Peculiar mesmo é a afirmação do provedor.

É um absurdo.

#5 luis santos em 03.12.08 às

João Paulo,

Certíssimo, neste caso.

Trata-se do principal canal da emissora de Serviço Público.

José Nuno Martins - como muito bem dizes - deixou-se levar pela sua natureza de realizador (e - para quem percebe francês - o programa foi, de facto, muito interessante).
Mas não é isso que se pede a um Provedor do Ouvinte.
De uma estação de Serviço Público (a repetição é deliberada).

#6 João Paulo Meneses em 03.12.08 às

Eu acho que os ouvintes podem e devem reclamar junto do (seu) provedor

#7 fs em 03.12.08 às

Estive a fazer contas e cheguei a esta conclusão:
- por exclusão de partes (e pela larga experiência/passagem do Sr. J.N.M. na (s) rádio (s) em Portugal - só lhe falta no currículum a telefonia…, certo?

Portanto, e se por um lado, é necessário e justo alertar para estas situações, por outro, arriscámo-nos (nós os contribuintes) a ter que pagar uma boa indemnização ao Sr. e depois…quem sabe?!?! o mercado pretende-se livre…, blá, blá, blá.

Aliás, este critério tem vindo a ser “useiro e vezeiro” no nosso pequeno país e em quase todas as áreas de actividade. Quando alguém (principalmente com funções de administração do bem comum) erra, não dá ouvidos ao sentimento nacional, se engana, ou não sabe o que faz, sai impunemente RICO da situação… para outro lugar!

Este é um país peculiar por natureza!

#8 BlogCentral em 03.13.08 às

Como se trata de uma entrevista feita por Júlio Isidro, o caso muda de figura. Assim, já se trata de uma “peça de arte” radiofónica. Ainda que fosse na Antena 2, há regras básicas de serviço público (e isso devem fazê-lo todas as rádios, caso contrário não têm razão de existir) que é necessário cumprir. Se fosse outra pessoa, talvez a entrevista nem fosse para o ar daquela forma. Mas há filhos e enteados.

#9 Uma Senhora de Idade Que Passou Por Aqui em 03.13.08 às

Sou fã de Aznavour há quase quarenta anos; aprecio a forma peculiar como aquela voz rouca e arménia se exprime numa língua que há mais de quarenta anos me apaixonou. J. N. M. tirou o mesmo curso que eu (embora me tenha ficado pelo bacharelato), e por isso compreendo o deleite que possa ter em ouvir a entrevista sem entraves sonoros. Isso não lhe dá , porém, (e a Júlio Isidro) o direito de privar os ouvintes que não entendem a língua francesa da completa e cabal informação - que neste caso consiste na “legendagem sonora” das palavras em língua estrangeira.
Imagine-se que uma televisão ou distribuidora de filmes decidia não colocar legendas num filme estrangeiro porque estragava a estética da fotografia…
Já em tempos me apercebi que J. N. M. é um rapaz muito culto e “blasé” - isso não o impede de ser “curto de vista” e de tomar, como responsável por informação pública, atitudes que nunca deveriam passar da esfera privada…
(no fundo, é um tanto como os nossos actuais governantes que também não conseguem discernir que o “mundo deles” não tem nada a ver com aquele em que vive a maior parte daqueles que lhes pagam, para quem, em última análise, trabalham, e cujos interesses e necessidades deviam ser a primeira prioridade)

#10 Atento em 03.14.08 às

O José Nuno Martins pensa que é o maior. Mas não é, basta ouvir o programa Artistas da Bola no qual participou, para se perceber que há muito fogo de vista.
Parece que está de partida, eu acrescento que nunca deveria ter entrado em funções. Não deixa saudades, pois apenas dava voz aos reclamantes que iam de encontro ao seu ego de pseudo-director.
Várias vezes o alertei, por e-mail, dos abusos de linguagem que usava para com alguns profissionais e o modo como conduzia as abordagens. Até hoje nunca houve uma palavra. Sei de fonte segura, pois contactei com essas pessoas, que mais pessoas o alertaram. Porém, tiveram a mesma resposta: nenhuma.

#11 filinto em 03.14.08 às

Não sei se me lembro bem, mas creio que por muito menos do que isso a direcção da Antena 2 foi muito criticada. A sobranceria face à Antena 3 é gritante.

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