Viagens a convite; o problema é outro…
Joaquim Vieira trata na sua crónica desta semana de um dos principais problemas menores do jornalismo português: as viagens a convite. Do meu ponto de vista, concordando eu com tudo o que lá se diz, o problema é mais grave do que aquele que Joaquim Vieira descreve. É que eu (ainda) acredito na capacidade do jornalista em, mesmo perante um tema proposto/imposto, construir a sua abordagem equidistante, honesta e isenta. Portanto, e desde que fique claro - e isso é uma evolução generalizada - que o jornalista viajou a convite, não me preocupa.
Penso, contudo, que há uma questão importante, que o texto de Joaquim Vieira não aborda: as fotos. Como só vai quem escreve, as fotos aparecem como? Compradas a um repórter fotográfico local ou fornecidas pela organização que convida? Infelizmente há exemplos que mostram que a segunda hipótese é uma opção habitual. (e não só no Público). Ou se admite que as fotos não são jornalismo ou então há mesmo um problema!

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4 opiniões ↓
Pois é… esclareçam-nos p.f.
Obrigado
Felizmente, já começa a haver alguns casos em que é mencionado o convite de uma determinada instituição ou empresa a um meio (jornal, rádio, tv). A questão da imagem é, de facto, mais preocupante, já que muitas vezes são publicadas fotos que dizem mesmo mais do que mil palavras.
Concordo com a perspectiva de que o jornalista pode fazer trabalhos independentes mesmo com empresas a pagarem essas viagens. Existem meios que vivem muito disso, desde o cinema, com jornalistas a irem a festivais por intermédio das distribuidoras (e sei que a maior parte é independente nas abordagens aos filmes), passando pelos automóveis, onde as marcas levam jornalistas das especializadas para apresentações de veículos (e aí vê-se textos a dizer mal de um carro se houver motivos para criticar). Nas revistas de viagens a mesma coisa.
Há uma influência à partida, já que se aborda assuntos com mais ênfase, já que o jornalista esteve lá. Mas isso também pode ser uma mais valia para o leitor, se o jornalista fizer o seu trabalho.
Sobre as fotos, a grande maioria dos jornais (uns mais do que outros) utilizam fotos disponibilizadas pelas marcas ou empresas ou agências. Mas isso acontece por questões de facilitar o trabalho. Cabe ao jornalistas, se não têm possibilidade de enviar fotógrafo e não gostarem daquelas fotos, pedir outras ou arranjar outra solução que não comprometa o trabalho sério. Em redacções minúsculas é difícil ir a tudo, tanto jornalista como fotógrafo. É preciso saber não fazer copy & paste dos press releases, fazer perguntas por e-mail ou telefone (até porque há presses muito mal feitos ou escritos) e fazer de algo enviado por uma agência um texto/foto jornalístico pertinente.
Sai prejudicado quem não tem agências de comunicação a trabalhar nos seus eventos? Talvez, em muitos casos sim! Mas se se continua a tentar fazer do jornalismo um negócio puro, chegando aos limites da decência naquilo que se paga aos jornalistas, no que se quer poupar com redacções minúsculas, não há grande alternativa. Falta um órgão que controle muitas coisas na área jornalística que é pobre e sem força de reivindicação mas rende muito dinheiro a muitos grupos (que apresentam lucros elevados mas nunca reflectem isso nas redacções).
Terá sido por lapso que a assinatura do BlogCentral saiu truncada. A existente é: http://numaalturaemque.blogspot.com. As nossas escusas.
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